quarta-feira, dezembro 31, 2008

EFEMÉRIDE

Comemora-se hoje, às 24h, um ano sobre o dia em que os fumadores passaram a ter consciência cívica e quase todos os não-fumadores se tornaram doentes ditatorialmente preconceituosos.

Feliz Cena

Depois de, ontem, ter visitado um amigo no último sítio que desejaria, acordar com uma daquelas, pedir dinheiro emprestado para poder vir trabalhar, reparar já no comboio que o iPod está sem bateria, ter por isso de levar com o Simply The Best da Trina Trana em altos berros e, depois disto, apanhar uma molha sem abrigo possível durante 15 minutos...
... o que é que 2009 tem para correr mal???

terça-feira, dezembro 30, 2008

Shopping

Se todos os Centros Comerciais fossem assim, eu ia. Mas da mesmíssima maneira. Ou seja, sem comprar nada. É sentar nas poltronas e ouvir a música!

Só que aqui pode-se fumar!

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Outra vez o 3.821, ligeiramente alterado, mas mau à mesma

Vi-a ontem, enorme
a Senhora que não dorme
tão grande como a fome
que grassa pela Terra

Essa que ela vê
todas as noites
como a uma amante
halo frio em minguante
que anseia pelo que não é

Ontem foi-o... Azul? Amarela?
Coitada... Ainda ontem morreu
vi-o da minha janela
outro mundo era ela
um satélite eu

pequeno, triste, chato, irritante
uma pulga penetrante
nem estrelas para apontar
no zénite
tampouco a jusante

A luz
filtrada da janela
cai em ti como neón
estás nua e eu quero
cobrir-te como os animais
saber quem é ela
tu, sei...
teimosa, obstinada, bela
doentia, mentirosa demais
ela? A lua, nada mais.

E Jesus gostou do que sentiu e virando-se para os discípulos disse


Abençoados os que sabem que não são as melhores gajas que dão as melhores quecas!


terça-feira, dezembro 23, 2008

Um Adeus Português ao Natal...

Deve ser muito triste ser-se católico.
Não perceber que se celebra a hipocrisia quando é preciso uma desculpa para juntar a família num jantar, trocando presentes que têm hora e local marcado para a entrega!

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Estou condenado a ser pobre...

... explicando-o o facto de subir, todos os dias, há já dois anos, a Calçada da Palma de baixo sem NUNCA ter pisado merda. Que me lembre. O que, bem visto, poderá ser, também, outra explicação!

sexta-feira, dezembro 19, 2008

REFÂNGIO DE BEM-ESTAR

Trabalho numa revista conceituada, along with malta muito profissional e séria.
Pelo menos enquanto estamos na redacção.
Mas há brincadeirinhas que, de vez em quando, dão nisto!
ATENÇÃO - Se passarem mais de 30 segundo sem chegar lá, o nisto refere-se ao título!

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA

Na mui olissiponense Av. João Crisóstomo, transversal à 5 de Outubro, as sombras são concedidas por Ginkgo Biloba.
Um fóssil vivo numa cidade morta!

quinta-feira, dezembro 18, 2008

THE VERY BEST OF 2008

Eis um dos momentos mais aguardados do ano.
Por parte, enfim, dos meus amigos.
Uma ou duas pessoas, portanto.
Ou talvez nem isso.
Tenho um cágado com uma expressão de quem aguarda por isto com algum nervosismo, pronto.
Chama-se Chico.
Porque Jacó já é o papagaio.
O que é um mote excelente para o que vou dizer a seguir:
Abaixo não figurarão os Radiohead porque a edição oficial do In Rainbows data de Janeiro de 2008 mas os minimamente interessados já o tinham descarregado, desde Novembro, legalmente e a partir do site oficial, por €0,50.

Posto isto, aqui vai (Blogue da Radar, eat your heart out, mais esses palhaços que acham que os Last Shadow Puppets e os X-Wife têm lugar numa coisa desta amplitude):

10. Crystal Castles, Crystal Castles
9. Vampire Weekend, Vampire Weekend
8. Wild Beasts, Limbo, Panto
7. Shearwater, Rook
6. Joan As Police Woman, To Survive
5. Sigur Rós, Med Sud I Eyrum Vid Spilum Endalaust
4. Beck, Modern Guilt
3. Okkervil River, The Stand Ins
2. Bon Iver, For Emma, Forever Ago
1. Fleet Foxes, Fleet Foxes

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Cinematografilologia

Blood Simple (1984), Crimewave (1985, Raising Arizona (1987), Miller's Crossing (1990), Barton Fink (1991), The Hudsucker Proxy (1994), Fargo (1996), The Big Lebowski (1998), O Brother, Where Art Thou? (2000), The Man Who Wasn't There (2001), Intolerable Cruelty (2003), The Ladykillers (2004), Paris, je t'aime (2006), No Country for Old Men (2007) e, finalmente, Burn After Reading (2008).

Ou seja, de uma forma alternada, embora nada rígida, uma comédia e um drama, em 24 anos.

Um pouco como o Lynch e os seus filmes normais (The Elephant Man e The Straight Story), alternados com filmes à Lynch (Mulholand Drive e Lost Highway).

Agora, depois do Óskar, atribuído a um drama, a malta despertou para os Cohen. Ainda bem. Nunca é tarde. Mas há as comédias. E eu pensei, sinceramente, que seria impossível fazer melhor que no The Big Lebowski ou Raising Arizona.

É possível.

E a cara da Frances no parque, a olhar para todos os homens, a cara do Brad Pitt antes de levar o tiro, a cara do Clooney ao mostrar a sua “invenção” na cave, ou um Malcovitch, de martelo na mão, roupão e boxers, a caminhar, de perninhas tortas, pelo cais, valem UM QUARTO DE SÉCULO de cinema.

Mas isso sou eu, que até de César Monteiro gosto.

O que me concede conhecimento de causa para poder parafrazeá-lo:

Quero é que os críticos se fodam!!!

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Este Vosso Povo Que Me Fala

Setembro último andei lá para riba.
Douro.
O tempo era de vindimas.
Se este Verão não tivesse sido, efectivamente, uma miséria franciscana.
Como foi.
Especialmente ali, entre vales e escarpas, onde a coisa raramente subiu acima dos 28ºC.
Ou seja, uvas qu'é bom, NADA!
Daquelas com muito açúcar para graduar a pinga, muito menos.
Ou seja... não querendo fazer contra-publicidade, quem comprar durienses de 2008 é totó.
Até porque nem é disto que quero falar.
O que faz de mim um tratante.
Lá arriba, chamar-me-ão, desconfio, um pouco mais que apenas isso.
Ou estão a ver aquela malta, conhecida pelas papas na língua (chame-se a atenção para o facto de aqui haver ironia), a debitar algo como Que inoportuno, aquele cabotina! Vem para aqui, mama do bom e das melhores quintas e agora estraga-nos o negócio? Que maroto, se não mesmo patife!
Das janelas do Aquapura Douro Valley, em Vale Abraão, que agora é hotel mas foi apenas um palacete ensolarado, cenário para o filme homónimo do senhor que faz hoje 100 anos, o que é curioso mas seria, para mim, mais agradável se o pudesse relacionar directamente com Agustina, paciência, vê-se o correr do D'Ouro e, lá ao fundo, Peso da Régua que, não sendo particularmente bonita, não é a Rocha Conde d'Óbidos, onde a Amália "vendia laranjas" em mais novinha e de buço ainda ralo, delícia de estivadores e mareantes que tais.
Da biblioteca também.
Que é onde está, perdido numa estante, o Património Imaterial do Douro, Narrações Orais - Contos, Lendas, Mitos Vol.1, de Alexandre Perafita, editado pelo Museu do Douro.
E lembro-me imediatamente de um MEC fedelho a tentar tirar do sério um Agostinho da Silva com algo como Os portugueses são burros, ao que o Mestre respondeu O vosso problema, intelectuais, é que só se dão com intelectuais! Que portugueses conhece o meu amigo? Vá para o interior, fale com as gentes e surpreenda-se.
Sim.
Longe, bem longe das grandes cidades, onde nos são oferecidas, em doses idênticas, a estupidificação e a comida de merda cara (a comida, não a merda), o povo português é o Maior do Mundo. Sábio mas humilde, malandro mas petiz.
E é com esta Verdade Absoluta, porque não aceito opiniões contrárias, e podem morder-se à vontade, que abro ao calhas o alfarrábio, para ler:
Havia um homem ali no Arcozelo (povoação vizinha de Sendim), que chegou a casa e disse:
"Ó mulher, tira o panelo e põe a panela
Que vi lá em baixo uma abóbora e vou para ela"
Quando foi, pois, à horta onde a avistara, com o intuito de roubá-la, deparou-se com a sua falta. Volta para casa, de mãos vazias, a fome como sempre e, ao entrar, diz muito arreliado:
"Ó mulher, tira a panela e põe o panelo
muita puta-ladra há no Arcozelo".


quarta-feira, dezembro 10, 2008

História Cíclica

Para quem ainda pensa que esta coisa da Crise Mundial é mera retórica e que duvida que, em menos de dez anos, ainda estaremos em filas de senhas para a ração, deixo aqui uma foto famosa, ainda que esquecida, publicada na revista Life durante a Great Depression...

10 After

Dez anos depois do Nobel, que já veio tarde, José Saramago continua a ser The Man They Love To Hate.
Ainda bem.
Os Melhores do Mundo não se prestam a meias-medidas.
Só o Grande Pessoa é gajo para se gostar, odiar, mas também gostar medianamente.
Talvez seja por ter sido descoberto depois de morto.
Como quase todos.
Saramago não.
Está vivo.
Provavelmente, não por muito mais tempo.
E é gajo que ou se ama ou se odeia.
E isso, venha quem vier, é ser-se Maior.
Acusado de ser Persona non Grata por viver nas Canárias, por um Povo non Grato que desconhece as razões que o levaram a isso, Ti Saramago continua a escrever na Língua Mátria e a ver traduzido Português de Portugal em quantas línguas possíveis.
É, pois, teimoso.
Os leitores de Paulos Coelhos e Danielles Steeles acusam-no de não usar pontos.
É uma argumentação ridícula e analfabeta.
Os que assumem o seu analfabetismo ao não conseguirem ler, com agrado, uma contrução frásica longa e complexa, ficam-se pelo tem Mau Feitio.
Tem sim senhor.
Mas o Miguel Sousa Tavares também é das pessoas mais odiosas (sem ter a desculpa da idade), e os seus livros vendem-se a si próprios.
Nobel, porém, só quando a Humanidade estiver AINDA MAIS perdida.

Provavelmente, a Frase Mais Sacana Que Já Ouvimos na Vida e, Se Tudo Correr Bem, Ainda Ouviremos

"Foste o único a quem fiz isto".

terça-feira, dezembro 09, 2008

Anacoretismo VS Eremitagem

O anacoreta Gaspar era-o sem que às razões para sê-lo roçagasse, ainda que de forma ligeira, qualquer religiosidade.
O anacoreta Gaspar recolhera-se ao silêncio da Montanha sem que nisso houvesse qualquer poesia. Só muito depois aprendeu a amar o que rodeava, baptizando cada agulha de pinheiro e reconhecendo-as, pelos nomes, quando, já no chão, eram caruma, pequenos defuntos que dão vida a quem esteja por baixo.
O anacoreta Gaspar desitira, por isso mesmo, da Humanidade. Porque na Ordem dos Homens, é quem está abaixo que dá vida aos cimeiros. Vampirismo. Um Planeta feito Transilvânia. Uma montanha de despojos humanos feitos Montes Cárpatos de fealdade.
O eremita Valério descobrira adjectivos atribuídos aos homens que só faziam sentido ali. Uma Montanha mais Humana. Um cume que chama a si nuvens, colhe-lhes as águas e distribui-as, de forma Altruista, encosta abaixo. Cedros e araucárias e pinheiros e carvalhos que protegem, à sua sombra, um mundo mais Ordeiro, que nunca poderia ser, pois, Imundo, a não ser que a Humanidade o enodasse com suas mãos maculadoras.
O anacoreta Gaspar tornara-se, aos olhos de quem vive em sociedade, um bicho. E de entre todas as incapacidades em sociabilizar um sintoma havia que, pela sua singularidade, era do desconhecimento do prórpio:
O anacoreta Gaspar esquecera-se de outras vocalizações que não a sua. Não concebia, por tê-las apagado, de forma indelével, da memória, outro tom, timbre, nota e ritmo de voz que não o seu próprio.
O anacoreta Gaspar reconhecia, pelo canoro linguarejar, e de entre tantos exemplares que lhe acompanhavam os lentos dias, cinco melros, três rabiruivos, seis rolas marroquinas e os dois bufos reais que disputavam os seus territórios, a quem chamava Lucas e Mateus. De um Humano, nunca. Recordava, nas pontas dos dedos, a textura da pele branca e da forma como esta quase se confundia com o rosa pálido dos auréolos do seu Grande Amor da Vida, se alguma vez o houve. À sua voz, suave, fina, translúcida, há muito que a perdera, num sussurro.
O anacoreta Gaspar ouvia-se, assim, como a um Deus de si próprio. As poucas vezes que vocalizara ideias, fora como se estas não tivessem vindo de si, mas como que surgissem, a adejar, ziquezagueando por entre raios de luz descendendo das copas. Tornaram-se, por ausência de intercalação, máximas. Leis.
E era por isso que o anacoreta Gaspar nunca seria um eremita.
O seu maior defeito era ser, pois, humano.

O eremita Valério era-o sem que às razões para sê-lo roçagasse, ainda que de forma ligeira, qualquer religiosidade.
O eremita Valério recolhera-se ao silêncio da Montanha sem que nisso houvesse qualquer poesia. Só muito depois aprendeu a amar o que rodeava, baptizando cada agulha de pinheiro e reconhecendo-as, pelos nomes, quando, já no chão, eram caruma, pequenos defuntos que dão vida a quem esteja por baixo.
O eremita Valério desitira, por isso mesmo, da Humanidade. Porque na Ordem dos Homens, é quem está abaixo que dá vida aos cimeiros. Vampirismo. Um Planeta feito Transilvânia. Uma montanha de despojos humanos feitos Montes Cárpatos de fealdade.
O eremita Valério descobrira adjectivos atribuídos aos homens que só faziam sentido ali. Uma Montanha mais Humana. Um cume que chama a si nuvens, colhe-lhes as águas e distribui-as, de forma Altruista, encosta abaixo. Cedros e araucárias e pinheiros e carvalhos que protegem, à sua sombra, um mundo mais Ordeiro, que nunca poderia ser, pois, Imundo, a não ser que a Humanidade o enodasse com suas mãos maculadoras.
O eremita Valério tornara-se, aos olhos de quem vive em sociedade, um bicho. E de entre todas as incapacidades em sociabilizar um sintoma havia que, pela sua singularidade, era do desconhecimento do prórpio:
O eremita Valério esquecera-se de outras vocalizações que não a sua. Não concebia, por tê-las apagado, de forma indelével, da memória, outro tom, timbre, nota e ritmo de voz que não o seu próprio.
O eremita Valério reconhecia, pelo canoro linguarejar, e de entre tantos exemplares que lhe acompanhavam os lentos dias, cinco melros, três rabiruivos, seis rolas marroquinas e os dois bufos reais que disputavam os seus territórios, a quem chamava Lucas e Mateus. De um Humano, nunca. Recordava, nas pontas dos dedos, a textura da pele branca e da forma como esta quase se confundia com o rosa pálido dos auréolos do seu Grande Amor da Vida, se alguma vez o houve. À sua voz, suave, fina, translúcida, há muito que a perdera, num sussurro.
O eremita Valério ouvia-se, assim, como a um Deus de si próprio. As poucas vezes que vocalizara ideias, fora como se estas não tivessem vindo de si, mas como que surgissem, a adejar, ziquezagueando por entre raios de luz descendendo das copas. Tornaram-se, por ausência de intercalação, máximas. Leis.
E era por isso que o anacoreta Gaspar nunca seria um anacoreta.
O seu maior defeito era ser, pois, humano.

Um dia, o eremita Valério e o anacoreta Gaspar encontraram-se, em busca de viçosos espargos verdes, selvagens, dos que nascem por baixo do tojo. Esta floresta é minha / não não, esta encosta pertence-me, eis que surge, entre dois seres que se queriam eremita um, anacoreta o outro, o pior do Mundo.
A imundície de se ser humano...

Mestre Almada REVISITED

Uma geração com um Cristiano Ronaldo e um Tony Carreira a cavalo é um burro impotente.
PIM!

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Portugal Fashion

Sempre fui obstinado nestas coisas.
Na altura em que o Desperately Seeking Susan estava na moda, recusei-me a tal suplício.
Mesmo que isso significasse sacar mais gajas.
Sempre achei que The Smiths e Nick Cave e Red House Painters e Ramones eram coisas muito mais enigmáticas e portadoras de uma etiqueta onde se podia ler Sou um gajo muito interessante e se queres cá vir é disto que apanhas.
No extremo oposto desta minha convicção estava uma Madonna de 25 aninhos a promover-se como se promovem todas as gajas de 25 anos, então como agora: "Tenho esta cara de animal sexual porque julgo que percebo bué de sexo mas afinal aos 33 é que eu vou dizer Ahhhh afinal sexo é isto, que parva que eu era quando tinha 25 aninhos".
Fiz o mesmo com o Dirty Dancing, o Ghost e o Top Gun, ou seja, com Filmes de Gáija.
Não os vi.
Desperately Seeking Susan foi, mesmo assim, aquele que mais abominei, mesmo sem ver.
Até que, tantos anos volvidos, há um feriado de ressaca.
E há o Canal Hollywood.
E há uma Rosanna Arquette com seios firmes e desnudados, um John Torturro sem mácula, como sempre e... pouco mais. Uma Nova Iorque que pintou fantasias a deslumbradinhos dos 80's que, depois, foram lá desiludir-se na década posterior.
Mas a prova em como até no pior se aprende alguma coisa está num take aparentemente "inofensivo".
Mas que oferece, em rigor, um quadro bem esclarecedor do Provincianismo Português.
Aquele de que Pessoa falava.
Madonna vai num Yellow Cab e, ainda antes de poder vomitar o Cliché Supremo Keep The Change, o taxista está num monólogo: Esta cidade já teve restaurantes italianos, chineses, mas agora só se consegue comer sushi. Há modas tramadas.
Ah pois há.
Principalmente, quando se tem em conta que o filme em questão é de 1985!!!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Breve Acerca d'Ontem

21h - Lykke Li é moçoila para se ouvir enquanto se trabalha ou janta com amigos lá em casa. Uns picos de vinil não lhe ficam mal e tem electrónica qb para que se mostre a amigos. Pronto. É isto. Girinho. Daí a boca aberta durante todo o concerto. A babar. Não estava à espera daquilo. Nesse Variedades decrépito houve vida. Um ponto de luz que cintilou num Parque Mayer decadente. Lykke Li, carinha rechonchuda em corpinho franzino, virginal, deu-nos um tareão de música e dança, que é melhor que sexo medíocre. Daquele em que elas fazem um esgar de dor quando penetramos com o prepúcio para trás e a apertar a base do pénis para engrossar a glande. Fez duetos com Sarah Assbring, dos Perro del Mar, ditribuiu pandeiretas, maracas e outras coisas pela plateia e meteu-os em palco, interpretou Vampire Weekend e, pois, Lykke Li. É para isto que se vão ver concertos. Esperar o inesperável e, mesmo assim, ser surpreendido.

Interlúdio - Cigarrito e imperial Super Bock (cerveja de gaja) cá fora, tenho uma risca verde no casaco, na ruína que é o Variedades alguma coisa estava pintada de fresco, descubro que os gatos vadios concedem AINDA MAIS ar de abandono aos sítios.

22h30 - Nunca quero saber onde vão os Zita Swoon. Vou. Já me bastam as vezes que não fui, razões aparte. Arrependo-me disso como de não ter comido aquela pita que queria mas não era nada de jeito e agora é boa que dói. Acontece-nos a todos. Os Zita Swoon não. Acontecem uma vez na vida de todas as vezes que dão um concerto. E não há que enganar quando reentramos no Variedades para descobrir que, agora, o set dos músicos está montado no centro da sala. Percursões, bateria, teclas, baixo e contrabaixo, guitarras e micros para os coros formam um quadrado. Umbilicando isto, está uma torre com quatro PA's virados a norte, sul, este, oeste. A separá-los do público? Nada. E depois, há a música. Que não se define. São os Zita Swoon, ponto. É o Stef Kamil Carlens que saíu de uns dEUS geniais condenando-os a banda de teenager molhada pelo facto de ter descoberto que, afinal, há vida para além do R&B e Anastasias e Gwen Stefani. Não que o Tom Barman não tenha um laivo ou outro de genialidade. Olhó Para Onde o Vento Sopra. Só não é o Stef. Nem os Zita Swoon são outra coisa qualquer para além de ÚNICOS. Ser bom também é isso. Pintar, à Dali, uma Persistência da Memória. Ad eternum.

PIM

quinta-feira, dezembro 04, 2008

The Movie Trivia Guide by dIAZ - 3

Reservoir Dogs (1992); Realizado e escrito por Quentin Tarantino; Com Harvey Keitel, Michael Madsen, Chris Penn, Steve Buscemi;
Tagline: Let's go to work!
Curiosidades: O título do filme nasceu devido ao dono de um clube de vídeo onde Tarantino trabalhou, que se referia sempre à película Au Revoir Les Enfants, de Louis Malle, como sendo that reservoir dogs movie; Os cigarros Red Apples, que Bruce Willis também pede, no Pulp Fiction, ao balcão do bar onde combina a derrota com Marcelus Wallace, são invenção do realizador. Tim Roth também os fuma em Four Rooms.
Classificação dIAZ: *****
A Cena: Antes do roubo, o pequeno-almoço. À mesa, Mr Brown (Tarantino), Mr Blue (Ed Bunker) e Mr White (Keitel) conversam:
Mr Brown: Okay, let me tell you what Like a Virgin is about. It's all about this cooze who's a regular fuck-machine, I'm talking morning, day, night, afternoon, dick, dick, dick, dick, dick, dick, dick, dick, dick.
Mr Blue: How many dicks is that?
Mr White: A lot.
Mr Brown: Then one day she meets this John Holmes motherfucker and it's like, whoa baby. This cat is like Charles Bronson in The Great Escape, he's digging tunnels. Now, she's getting the serious dick action and she's feeling something she ain't felt since forever. Pain. Pain. It hurts her. It shouldn't hurt her, you know her pussy should be Bubble Yum by now, but when this cat fucks her it hurts. It hurts just like it did the first time. You see the pain is reminding a fuck machine what it once was like to be a virgin. Hence, Like a Virgin.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

The Movie Trivia Guide by dIAZ - 2

Fight Club (1999); Realizado por David Fincher; Baseado no romance homónimo de Chuck Palahniuk; Com Edward Norton, Brad Pitt, Helena Bonham Carter, Meat Loaf;
Tagline: Mischief. Mayhem. Soap!
Curiosidades: Os porno frames que o Tyler Durden cola nos filmes para crianças também são introduzidos no próprio filme, em três ocasiões distintas; Antes de "nos ser apresentado", Tyler aparece 5 vezes, mas apenas durante um frame em cada ocasião, a tal mensagem subliminar: Quando o Narrador está a tirar fotocópias no emprego, quando está a falar com o médico, no Grupo de Apoio ao Cancro Testicular, quando olha Maria a andar pela rua e, finalmente, quando está no hotel, olhando para a televisão onde Tyler aparece vestido de empregado de mesa.
Classificação dIAZ: *****
A Cena: Depois da primeira "sessão" no Fight Club, Tyler (Pitt) diz ao Narrador (Norton) o que pensa sobre o que ambos viram na noite anterior:
"Man, I see in Fight Club the strongest and smartest men who've ever lived. I see all this potential, and I see squandering. An entire generation pumping gas, waiting tables, slaves with white collars. Advertising has us chasing cars and clothes, working jobs we hate so we can buy shit we don't need. We're the middle children of history man. No purpose or place. We have no Great War. No Great Depression. Our Great War's a spiritual war. Our Great Depression is our lives. We've all been raised on television to believe that one day we'll all be millionaires and movie gods and rock stars. But we won't. And we'll slowly learning that fact. And we're very, VERY PISSED OFF".

terça-feira, dezembro 02, 2008

The Movie Trivia Guide by dIAZ - 1

American Psycho (2000); Realizado por Mary Harron; Baseado no romance homónimo de Bret Easton Ellis; com Christian Bale, Josh Lucas, Reese Witherspoon, Chloë Sevigny;
Tagline: Killer Looks!
Curiosidades: Edward Norton recusou o papel de Bateman; O primeiro filme porno que Bateman está a ver é o White Angel, escrito por James Avalon, o realizador de Anal Anarchy.
Classificação dIAZ: ****
A CENA: Bateman (Bale) despe-se, vagarosamente, com vista a "fazer" duas call girls que já estão sobre a cama. Enquanto isso, disserta:
"Do you like Phil Collins? I've been a big Genesis fan ever since the release of their 1980 album, Duke. Before that, I really didn't understand any of their work. Too artsy, too intellectual. It was on Duke where Phil Collinn's presence became more apparent. I think Invisible Touch was the group's undisputed masterpiece. Sabrina, remove your dress. In terms of lyrical craftsmanship, the sheer songwriting, this album hits a new peak of professionalism. In Too Deep is the most moving pop song of the 1980's, about monogamy and commitment. Their lyrics are as positive and affirmative as anything I've heard in rock. Christy, get down on your knees so Sabrina can see your asshole. Phil Collins' solo carrer seems to be more commercial and therefore more satisfying, in a narrower way. Especially songs like In The Air Tonight and Against All Odds. Sabrina, don't just stare at it, eat it. But I also think Phil Collins works best within the confines of the group, than as a solo artist, and I stress the word artist".

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Plêisses Cómunes, em americano

Começo, pois, com um lugar-comum do piorio, que é para afastar, qual Dum Dum das letras, os mais eruditos. Xô! A seguir volto a ser o Good Ol' dIAZ, que é para afastar os outros todos.
Ele é, então, assim:
Isto de ser pai é um teste diário (assobios, apupos, vaias e tomates maduros).
Não para mim, claro, que tenho os meus objectivos bem traçados (mesmo, com tinta de roller ball [os escritorários dirão esferográfica], sobre alvo papel, caso contrário esqueço-me)...
Recuso-me a ser surpreendido por um pirralho que acha que me consegue dar a volta, levar a água ao seu moinho para moer a farinha do mesmo saco que o meu, pois.
Para isso, chamo a mim toda a exactidão dos princípios científicos pedagógicos e rigor na prática dos mesmos. Não respondo a nada que não saiba como certo. Nada do que eu diga poderá ser, um dia, mais tarde, usado contra mim neste Tribunal da Vida (mais uns assobios, ali atrás há um gajo que me ofende mas tudo bem porque ao lado desse há uma gaja, pestanuda, que grita "dava-te uma trinca ó Mariachi"). Mariachito poderá dizer aos seus filhos, sem nunca incorrer em falsidade, que o avô dIAZ era uma ode à Verdade. Assim...
dIAZ - Olha, filho... está a cair uma saraivada daquelas.
Mariachito - Quié sharaivada, pai?
dIAZ - É queda de saraiva!
Mariachito - Quié íchu, pai?
dIAZ - É granizo, filho, chuva de gelo
Mariachito - Quié ganíjus, pai?
dIAZ - É gelado que cai do céu...
Mariachito - Que shábe?
dIAZ - A morango, filho, morango...

sexta-feira, novembro 28, 2008

Real Life

Garantiu-me que, depois, seria o mais cobiçado.
Principalmente, amigas das gajas que, a partir dali, comesse.
Não que, nessa altura, não existisse um sem-número de pequenas leitoas com vontade de chamuscar o pêlo no maçarico do dIAZ...
... mas de agora em diante seria diferente!
E foi.
Não era uma quarentona cabrona qualquer. Era mais uma cabrona duma quarentona, uma esgrimista de manejo calculado ao milímetro, como se um florete que não em riste fosse, por si só, uma derrota de digestão impossível.
Quando se tem 24 anos e é-se apanhado numa tesoura de pernas de uma mulher de 43, quem se fode é quem vem a seguir. Mesmo.
Porque, com cabra deste calibre, as primeiras entradas na arena são meros testes de resistência.
Depois, é o massacre. O gladiador fustiga o bom e inocente cristão até que a sua sede de sangue seja saciada.
Só mais tarde se ensinam as artes.
A violência, essa, jamais é aplacada.
Tripular tamanho espécimen, ainda por cima fazendo-se acompanhar de um detalhado manual de instruções, é tirar um brevet que garante o sucesso aos comandos de todos os Cessnas vindouros.
É escalar uma escarpa, explorando cada saliência, mas com a segurança de uma mão por baixo do borracho ao mínimo sinal de queda.
É montar um míssil sem controlo, sabê-lo, e ter a intrepidez de pousar os nadegueiros na ogiva, na certeza de que a explosão, quanto ocorrer, será de proporções bíblicas.
"O deboche não existe, meu caro. É uma palavra inventada pela igreja para incutir fealdade a uma das poucas coisas que nos aproxima de dEUS. Porque, se todos nós fôssemos debochados, ninguém precisava de intermediários para chegar ao gajo lá de cima".
Eu, sacristãozinho, ansiava pela hora de poder tocar, outra vez, carrilhão.
Esfregava creme gordo no apêndice em chaga, não dormia disso e, logo, não acordava.
Se o fizesse, porém, seria em pulgas pela nova palestra.
Informação sem fim em corpinho incansável, chafurdanço conversável, digo eu.
Ela não. Dizia outras coisas. Que me fascinavam.
"Mete-me dois dedos, isso. Agora procura em cima, ok, ok, aí. Estás a sentir essa parte cuja textura parece um céu da boca? Esfrega e faz força para cima. Com a outra mão, empurra-me a barriga para baixo", e eu extasiado de tantos gritos, grunhidos, gemidos, dentadas na própria mão, lívido de cãibras no antebraço, orgulhoso desse rio que molhava a cama.
Um dia, perante a minha recusa em chamar-lhe puta durante uma rapidinha num vão de escadas na Viriato, às Picoas, deixou-me um bilhete no bolso. Ainda o tenho. Estou, neste preciso momento, a transcrevê-lo. Não que não o saiba de cor. Mas estes riscos de lápis manchados dos anos dão-lhe aquele encanto com que o arquivista da Torre do Tombo folheia a 1.ª edição d'"Os Lusíadas".

"Todas as mulheres são Putas com P Maiúsculo. Não putéfias, putonas e, muito menos, prostitutas. Ser Puta é fazer, no que a sexo diz respeito, tudo o que se quer e ainda o que até ali nem se supunha, sem temer juízos. É dar prazer com um sentido de dever prazenteiro, como se a própria vida dependesse disso. É entregar-mo-nos a ponto de haver abandono do próprio corpo. É, pois, nunca misturar sexo com medo. Penso que foi nisso que se pensou quando se inventou a palavra Amor.
Todas as mulheres são Putas. Mas de um só homem. Para que viva em plenitude consigo e com os outros, segura, altiva, é determinante que seja a Puta de alguém. Quem nunca o sentiu viverá o resto da vida com esse inexorável fantasma. Ardendo durante as noites, cobiçando relações alheias, chorando mágoas de fêmea ferida e agrilhoada. Quem já o experimentou e, entretanto, o perdeu, sentirá um vazio, um gelo interior que a obrigará à eterna demanda por algo igual.
Homem que veja o fulgor da sua Puta esvair-se com os dias, por entre os seus dedos, pode ter a certeza que não deixou de o ser. Apenas já não é a SUA Puta. Sê-lo-á, à primeira oportunidade, de outro".

Nesse dia, li-o já em casa. E nunca mais a vi!

quarta-feira, novembro 26, 2008

Quando eu uso a expressão "Aqui, no Burundi da Europa"...

... estou a falar muito a sério e SEMPRE acerca de coisas concretas.
Hoje, usá-la-ei para comentar a notícia "Carlos Silvino foi poupado de 68 crimes", in tudo quanto é Jornal Gratuito para Empregar a Recibos Verdes e Ser Extinto ao Fim de Um Ano.
Pois é. Bibi, O Grande, viu serem-lhe retiradas as acusações não de dois, dez, ou mesmo 34 (metade, portanto) crimes.
Eu, que sinto na pele, de há um ano para cá, o que são os despojos humanos depois de cada pândega (ou orgia?) que é uma sessão de tribunal em Portugal, sei muito bem o porquê da escolha de tão redondo, sóbrio e frugal número.
É que, dada a Natureza dos Crimes que estão na barra, 69 daria mau aspecto.

P.S. - E já que estamos a falar de Pedofilia, escolhi a tag abaixo...

terça-feira, novembro 25, 2008

segunda-feira, novembro 24, 2008

Já há algum tempo...

... que venho sendo acusado, não parcimoniosamente, e logo aqui, que é a minha own private Praça Pública, de ilitaracia.
Porquanto sinto-me na obrigação de esclarecer determinados bandalhos com algumas considerações cuja ausência de simplicidade não poderão, nunca, tão iluminadas mentes sugerir.
I. Unt vulla autat utem nosto eros exer ipis amcommy nonulla alisl ulla alit ipis dunt auguerc iduissendio conulla commy nulluptat dolortisl digniam conulpute vendrer ipit num ing eugue enismod tat nit, consed eugue ercil incipsummy nummy nummolobor ad magnit, quat.
II. Ut velisit la feu faccums andrero consequ iscipisi blaore magniat inciliquat. Ut digna faci tinim volorer acipsum zzriusciduis alit lutat, volore moluptat adit alit nostrud modion eugiam vero exerit, volobore elesto dignim doloborper sim iusciduisl ullam, velis nullum in et loreet, quat in ulput eliquisi.
III. Re dolortie ea con ulputat. Bore duipsusto commy nonse magnim nosto commolore venim zzrit, velis aci blaore vent iril ipisismod min ullandio estis nos nisit in exercillamet vel doloreet, consed dit, quat. Illuptat, quipisi. Min henibh et wis dolent adiamet irit lum duismolore dio od eugait veliquis adio dolessit iriustrud ero odigna feu feuipis doloreet praessit am dolore con henim nonsed magnim zzrilismod te exeraeseniam illut lut augiatet, sisi ea commy nulla conulput lore venit.

Post Scriptum - Se vos pode servir de ajuda, olvidai nunca que a forma eunt pode ser Particípio Passado mas, também, Pretérito Imperfeito. Fica à vossa consideração se a ofensa é tácita ou por demais explícita. De qualquer forma, é... para que néscios não sejais.

Geração Épsilon

Que os putos/adolescentes/jovens de hoje estão perdidos, já todos sabemos.
Que ninguém se lembra de pensar que as gerações acima de nós pensavam o mesmo, também.
Metam-se na posição de nossos pais quando, ao fim da tarde, nos iam chamar para jantar e ouviam...
... Rebenta a Bolha! Eu estava no Coito...

Oliveira Reviravolta ou o Oliver Twist português

Oliveira, Reviravolta de seu apelido, era paupérrimo, o que nem sequer sabia querer dizer, porque nunca tinha ido à escola, quanto mais conhecer o superlativo absoluto do adjectivo pobre e, antes de ser levado para uma instituição de solidariedade social portuguesa, onde finalmente aprenderia a valorosa lição de vida O Cu Não Serve Só Pra Cagar e Tens Sorte Em Ter o Que Comer, costumava apanhar as ratazanas atropeladas na estrada, aquelas já bem secas do sol, para servirem de agasalhos ao seu boneco preferido, que também não sabia se era da colecção Action Man Neanderthal ou Action Man Mad Max.

Fim

sexta-feira, novembro 21, 2008

Quem convencionou que ser anti-semita é mau, devia ser barrado com Ácido Sulfúrico e atirado do Espichel abaixo!

"Quem é anti-semita é bera!
Quem é anti-islâmico não é tanto".
by dIAZ, num qualquer jantar.

INTRO
À excepção da palestina, onde a crise está instalada porque os yehudim construíram um muro de comprimento idêntico à distância que separa Sagres de Valença do Minho, o mundo muçulmano não está a sofrer com a crise global. Principalmente, no que toca ao Crédito à Habitação. A justificação é simples.

PARTE 1

O Ocidente foi edificado sobre alicerces católicos. O que é um problema. Porque ao contrário dos Cristãos, de cujo Manual de Instruções é o Novo Testamento, os católicos foram desenvolvendo uma civilização crente nos dogmas, regras, manuais de conduta e temor a dEUS que o Velho Testamento (VT) encerra. Ora, para quem não sabe, o VT é a tradução do latim (Pentateuco, que por sua vez foi a tradução da Septuaginta grega) da Torá, os cincos primeiros livros do Tanakh (ou Hamisha Humshei Torah, "as cinco partes da Torá"). É, pois, a "Lei de Moisés" (Torat Moshê), que difere pouco do Talmud (Torá oral) apenas por ser, lá está, escrita. Isto explica muita coisa. Alguns exemplos: Quando o católico se confessa está, de facto, a cumprir a antiga tradição do Bode Expiatório, que consistia em "transferir" os pecados cometidos durante todo o ano, através de uma oração, para cima de um bode que, aquando do Yom Kipur, era largado no deserto, levando-os (aos pecados e más acções) com ele. O católico inveja o colega do trabalho, come que nem um alarve (estes estão incluídos nos 7 mortais), fode a cunhada, enraba a filha de 3 meses (estes não) e, ao Domingo, papa a hóstia, confessa-se, faz a penitência que lhe foi administrada e... tudo fica bem quando eu, católico convicto, estou bem.

PARTE 2

É pois curioso que, algures no Talmud, o judeu seja permitido usurar o não-judeu em proveito próprio. Isto permitiu-lhes inventar, há muitos séculos, e tornar seu ganha-pão através dos tempos, o que lhes valeu muita antipatia, os juros. E nós, por lastimoso prurido cultural em apontar os defeitos (muitos, tantos) de uma religião que, afinal, acabou por condenar meio mundo (bem mais que APENAS 6 milhões) à perda total de dignidade, queixamo-nos agora de "estar à rasca" e culpamos (quando culpamos), entidades que, afinal, só estão a usar, em proveito próprio, uma invenção muito antiga. Se hoje se provar que a pasteurização do leite é causa directa do cancro da mama, os burros culparão a Mimosa. Os inteligentes apontarão o dedo ao Louis Pasteur. Só que esse... está morto. E não poderia pagar pelo mal que trouxe ao mundo.

CONCLUSÃO
Prisioneiros (ou libertários?) do seu próprio preconceito para com os judeus (que, ao menos, é assumido e não hipócrita como o dos católicos, que usam expressões como "O Júlio é um semítico" e "Estás a judiar com o Jervásio), os países que se regem pela sharia (lei islâmica) proíbem a prática de riba (usura). E a manifestação mais visível disso é que nenhuma empresa pode fazer dinheiro alugando dinheiro. Não há juros, hipotecas e, muito menos, penhoras.

CONCLUSÃO MESMO
De cada vez que os media "informarem", pela 1.324.591.ª vez, que se estão a comemorar não sei quantos anos sobre o Holocausto... ... perguntem-se, munidos de todo o espírito crítico, porque é que ninguém sabe que, afinal, os muçulmanos, esses malvados mafarricos, têm o Humanismo como lei!

quinta-feira, novembro 20, 2008

NUNCA, mas NUNCA mais MESMO, digam que JÁ VIRAM DE TUDO...

...o dIAZ está cá para vos mostrar que NÃO!

Quer dizer... agora SIM!

Da Humildade em 2 actos

Acto 1.
Qualidade indispensável para o sucesso na vida.
Vi poucas coisas tão merecidas como a derrota de Portugal frente ao Brasil. Curiosamente, deixei de ligar à Selecção Nacional desde que Cristiano Ronaldo foi eleito o D. Sebastião da coisa. Mais uma vez, a diferença reside entre quem é madeirense e ainda não percebeu que, se não jogasse à bola, ainda andava ajoelhado, sobre a brita da Calheta, em frente à braguilha de alemães que sabem que a Madeira é um paraíso da pedofilia... e quem nasceu na Cova da Piedade, começou a jogar n'Os Pastilhas e, lenta e humildemente, traçou o seu caminho... não é, Figo?

Acto 2.

Sou tão, mas tão bom, sou tão O Maior.
Inventei O Estereótipo. Assim, com duas maiúsculas. O Estereótipo dos estereótipos. O Estereótipo Supremo... Outra prova da minha Superioridade Intelectual, indiscutível e à prova de quaisquer opiniões em contrário, que de imediato refutarei e impugnarei, é o facto de ter usado, como veículo para exemplificação do mesmo, um gajo que não dá notícias há séculos, só para ele ver como é que Elas mordem. Por Elas entenda-se Ferroadas de Genialidade! Ora vejam:
O único técnico informático que conheci que não usava sapatos de vela foi o Eduardo Antunes, porque era especialista em Macs!

quarta-feira, novembro 19, 2008

Põe tua mão...

... no centro do fulgor
que te bloqueia
põe tua mão e sente-me esta dor
à mão de semear
ventos
Colhes-me tu,
tempestade
e que doce é ir
de vento em popa.

Cinematografilologia

Quando o Peter Jackson alugou o Heima, dos Sigur Rós, disse: Vou ali fistfuck myself e já venho!

segunda-feira, novembro 17, 2008

Estou a LISCONTar os minutos...

NovAlcantara é um projecto que tem causado o seu celeuma. Penso que as razões principais são duas:
1. A obra está entregue à LISCONT e não foi a concurso público.
2. O terminal de contentores de Alcântara será ampliado, passando a receber (muito) mais do dobro daqueles que já existem.

Em termos mediáticos, a coisa tem sido badalada pela razão n.º 2. O que é triste. Ao contrário do que aconteceria se a grande questão fosse a razão n.º 1, a Administração do Porto de Lisboa viu-se obrigada a organizar uma exposição na Gare Marítima de Alcântara para esclarecer o lisboeta residente e, assim, apaziguar alguns ânimos. No entanto, eis que um estudo previu que 99,3% das pessoas não visitariam o certame. Bem pensado. Distribuíram-se, então, alguns panfletos, com o mesmo intuito, nos principais terminais de transportes públicos de acesso à capital, entre eles, claro, alguns localizados na Margem Sul. De redacção sofrível e paginação picassiana, tal documento contém valorosas justificações do projecto, dúbias explicações da celebração do contrato e um erro grosseiro...
...a última parte é consagrado às perguntas que, por certo, alguém fez e às quais é, pois, necessário responder. As duas últimas serão transcritas com exactidão. As respostas, contudo, serão da minha autoria. Porque quando há questões tão reveladoras de preconceito, imbecil sob qualquer forma, a resposta tem que ser dada como se dirigidas a crianças de 2 anos fossem. E se eu fosse TODA a população da margem sul, faria-o com violência. Infelizmente, volto a afirmar, o problema de Portugal não é ter uma Amália na Voz. É não ter um Tarzan Taborda nos braços.
Penúltima Pergunta: Porque não se aproveita o Porto de Setúbal?
Resposta dIAZ: O Porto de Setúbal está inserido na Arrábida e na foz do Sado onde, por acaso, até existe uma colónia de golfinhos com tendência a aumentar. Em Alcântara, os únicos lesados serão as baratas gigantes das docas, as tainhas e as pessoas que gostam de Salsa.
Última Pergunta: Porque não se colocam os contentores na Trafaria?
Resposta dIAZ: A Trafaria é uma aldeia piscatória. Não muito bonita, convenhamos. Mas é.

Conclusão dIAZ como resposta às inacreditáveis questões colocadas por lisboetas preocupados com a aparência da sua cidade (e ainda está para se provar que sejam, na sua maioria, lisboetas): Eu moro na Margem Sul. É uma opção. Vós viveis em Lisboa. Também é. A maioria dirá que optou por isso porque a qualidade de vida é indiscutível (hã?), há centralização de serviços e mais mobilidade (muito embora 75% dos Lisboetas não usem os Transportes Públicos e prefiram os engarrafamentos). Pois bem... ASSUMAM, de uma vez por todas, que moram numa cidade. Há poluição, tráfego, pessoas de mau-humor, atropelamentos, serviços, autocarros, metro, navios e, claro, CONTENTORES. Pensassem ANTES de comprar a casa. Estamos a falar da CAPITAL de Portugal.
Já olharam BEM para o Porto de Barcelona?

Calem-se e MAMEM!

É BEM-FEITO!

quinta-feira, novembro 13, 2008

Zé dIAZ

Desconfio que amor de filho seja isto.
A mesma coisa que amor de pai.
Ao qual fui introduzido há apenas dois anos.
Mas que já deu para perceber.
Orgulho.
Incondicional.
É bonito não haver, afinal, nenhuma diferença.
É bonito, pronto.
Zé dIAZ nasceu em Santa Luzia há muitos, muitos anos.
O dobro dos meus.
Porque só agora, aos trinta e tal, percebo, com entendimento de causa, o quão difícil deve ter sido.
Um mouro de trabalho, quatro, cinco, seis meses sem me ver.
Eu a dizer as primeiras palavras, eu a dar os primeiros passos, eu a crescer.
Zé dIAZ, telefonemas por satélite aqui, avarias no navio ali, licenças de marear em Amesterdão e no Bangladesh, a mourejar carregos da dispensa para a cozinha, Providenciando pão para a mesa.
O melhor que, na altura, havia.
Fui criado em berço de ouro.
E, embora não lhe visse o bigode durante tantos meses da minha vida, não me lembro da vida sem ele.
Ganhámos, pois, esta estranha cumplicidade de amigos que dizem sem pensar e aventam sem medos porque, no fim, está tudo bem.
Vamos para velhos.
A ordem natural das coisas.
Já o vi, ainda novo, amedrontado por uma operação.
Já lhe ouvi delírios febris perigosamente próximos da hemodiálise para a vida.
Vejo-o, agora, curvado sob o peso dos anos, a mendigar favores a médicos que, a terem algum humanismo, seriam calceteiros.
Mas vejo-o.
E, para o seu neto, nada mais desejo do que um pouco do que eu sempre tive.
Nos dias de hoje, porém, não o posso garantir.
Talvez escreva algo para mim, o puto, aos 30 e tal.
Chegar-me-ia?

Gatos de Aroma Agradável (Muito Porque Ainda Éramos Novos)

Não consigo ver o Gato Fedorento sem que me lembre, SEMPRE, de uma cassete de VHS (e por pouco não BETA), perdida no espaço e tempo, onde eu e o meu irmão Luca encenávamos uma série de sketches, ora usando o robe da minha mãe, ora recorrendo ao papagaio e ao Terry, já zarolho e meio morto.
Adeus à modéstia, aquilo era FRANCAMENTE bom.
Eu fazia, nesse dia, 18 anos.
Mano Novo compareceu MUITO mais cedo, para podermos fazer TODO um programa que, à hora da festarola (que metia sempre o famoso Arroz à Valenciana da Ti Natália), seria exibido aos convivas e comensais.
Desconfio que, não tendo dado a vida outra volta, seríamos outros.
Ele, indiscutivelmente, um RAP.
Eu, um Zé Diogo ou um Dória.
Ambos diferentes.
Mas irmãos, claro.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Estava com algum receio de ser obrigado a escrever este post...

...mas tem de ser!
Não que não tenha tido, ontem, A noite.
Não que não me continuem a encher as medidas até à beira do transbordamento.
Não que não ocorra, ainda, o arrepio e aquele nó na garganta que, a ser contrariado, dói.
Não que não os identifique com um grito reivindicativo de coisas que cá sei.
É isso que são, ainda, para mim, os Sigur Rós.
Mas tenho a tara da música ferida de minimalismo.
E é ela que me sufoca quando, assistindo a um concerto tão perfeito como o de ontem, ainda me dá saudades de quando os meninos apostavam menos em parafernália e mais em substância. Quando a tarola e o bombo de chão estavam mais altos que tudo o resto, quando, à impossibilidade de terem secção de cordas ou metais na digressão, não os incluíam nos álbuns, quando as pessoas não gostavam de Sigur Rós e não atiravam gorros para o palco nem gritavam we looooove you! Quando eles eram putos, islandeses MESMO, comendo tubarão podre, trazendo na sonoridade toda a vaga esperança que há na desolação de uma terra onde não há árvores.
Tenho saudades de ver um concerto simples.
Que traga, nessa simplicidade, toda a grandeza da Música quando é um acto Maior!

segunda-feira, novembro 10, 2008

Um Post 4 Estações de Vivaldi dIAZ

Verão (Larghissimo) - "Paulo Guilherme, filho de Paulo Teixeira Pinto, antigo patrão do BCP, morreu no Passado dia 1 de Novembro, vítima de um possível AVC. O Jovem tinha 22 anos", in Destak de 3.11.08.

Outono (Moderato) - "McDonald's... Momentos mais saborosos".

Inverno (Vivace) - "Benvindo ao Mundo Coca-Cola".

Primavera (Adagio) - "A margarina é uma gordura boa".

Ainda a Música

Consigo perceber o sucesso de Amy Winehouse.
Não consigo perceber o fenómeno Amy Winehouse.
É claro que uma tremenda ressaca de Soul ou Gospel contemporâneo verga o mais resistente junco à primeira brisa de ritmos Motown. Daí até comparar a menina a uma Nina Simone...
A esses eruditos da Soul, mais uns quantos, metam o dedo no cu, continuem a vibrar com o "balanço" de Jamiroquai e a negligenciar... Jamie Lidell. Dou a minha Vespa a quem o oiça, pela primeira vez, e o imagine BRANCO!!!
E, na total ignorância que é fazer tudo o supra citado, batam na boca a cada auscultação de Dusty Springfield, Marvin Gaye, Curtis Mayefield, The Commodores, Otis Redding, Al Green ou The Delfonics.
É, basicamente, a mesma coisa que dizer já provei boas pizzas sem nunca ter visto o Vesúvio a partir de Nápoles!

dIAZ, seu Velho!!!

Sei-o porque, embora pacificado pela música, da BOA, estive quase para me levantar e desatar à punhada!
Mesmo agora, de ímpetos refreados, continuo sem perceber como é possível alguém comprar um bilhete para Joan As Police Woman e passar, literalmente, todo o Real Life, pelo qual eu daria o total valor do bilhete, numa amena cavaqueira tal que ainda houve direito a guinchinhos.
Deve ser da idade!

sexta-feira, novembro 07, 2008

Pride (In The Name Of Love) - Apontamentos de Moda by dIAZ, The Fashion Expert

Para além de ser (desculpem-me os meus grandes Amigos, de longa, média, e curta data), a minha melhor companhia, exibo o meu filho com orgulho exacerbado. Ontem, não foi excepção. Só para ir à farmácia, vesti-(o)-se com as jeans rough wash, justinhas, de algodão orgânico, ténis Adidas Gazelle iguais aos do Mark Renton no Trainspotting, t-shirt dos Ramones (a clássica), casaco de traçar, tipo marinheiro em saída de licença para beber uns copos na Red Light Street, colecção Jean-Paul Gaultier Inverno 86/87 e, a coroar a coisa, e o próprio, um gorro tapa-orelhas a la Sigur Rós, mas com o preciosismo de um crachá com a lata de Campbell Soup da serigrafia de Warhol. Como é rapaz, o acessório de moda que leva na mão não é nenhuma malinha das lojecas de 2 metros quadrados dos Centros Comerciais, mas sim uma réplica perfeita da Vespa igual à do pai, modelo 125 g.t.r. Eu não podia estar mais babado. Pelo menos, até ao momento em que olha para mim, sorri, larga-me a mão e dirige-se, com toda a calma do mundo, a um idoso que, numa mão, segura uma bengala e, na outra, um saco tipo os do IKEA (dos azuis) para poder levar todos os medicamentos. Puxa-lhe as calças, como noviço a corda do carrilhão. O homem olha para baixo. "Olá... és velhote"?

quinta-feira, novembro 06, 2008

JOVEM! Queres novidades? Coisas em primeira mão?

Estás no sítio certo!!!
Desde hoje, disponível aqui.
A vós, confraters de indíscutível bom gosto, vemo-nos Terça, dia 11.
Os outros podem ficar em casa, a ver o Momento da Verdade...

Seriados Generation

Não sei se foi do Galáctica, do V, a Batalha Final, do Twin Peaks ou mesmo do Duarte & C.ª, sei que tenho uma coisa com séries de televisão. Mas preciso do ritual de vêr os episódios no seu devido lugar. Aquela coisa de Hé pá, estou aqui feito parvo no casamento da minha filha e esqueci-me que o Family Guy começava às 15h35 ou ich, ganda bronca, ó Rita Redshoes, isto está a ser muito bom, afinal as tuas fartas sobrancelhas não prenunciavam um vasto matagal e não fiz "ptchiú" nem uma vez, mas está quase a começar o My Name Is Earl.
Padeço desta condição a um tal grau que... diz-me que série vês e dir-te-ei quem és.
Olha aquele... está confuso, prestes a saír do armário, a muito poucos dias de entaramelar prepúcio alheio na cárie do pré-molar... anda a fazer o download da 4.ª série da Anatomia de Gray.
Ui, aquela faz ponto cruz e diz não querido, hoje não, estou enjoada das gauffres com chocolate, conhece o Friends de trás pá frente.
Este aqui acha que o estreito de Bering é o espaço entre a vulva e o ânus... vê o Donas de Casa Desesperadas com a namorada. Que depois vê o Kelly, a Colegial com o outro.
Esta é uma gaja minimamente inteligente. Vê sempre o Weeds e tem pena que tenha acabado o Californication logo a seguir.
Com o tempo, porém, um gajo torna-se selectivo. Nunca fui gajo de Ficheiros Secretos, por exemplo. O fenómeno 24 passou-me tão ao lado como a carreira do Kiefer Sutherland passou a léguas de qualquer forma de talento. Tinham os argumentos do Zé Gato mais credibilidade que os EUA a serem alvos de atentados terroristas TODOS OS DIAS!!!
E é, pois, à palavra TALENTO que eu queria chegar. E se fosse realizador de cinema, por exemplo, saberia onde encontrá-lo com exactidão relojoeira. Porque um gajo que entra na melhor série de sempre, Six Feet Under, com um papel daqueles, e consegue pouco depois formular a personagem mais assexuada, glaciar e inteligente de sempre é, meu dEUS, grande! Tão grande como o fenómeno Dexter Morgan. Mas não aqui, em Portugal, claro. Não faz mal. Dexter não é para todos.

terça-feira, novembro 04, 2008

1º Juízo Criminal de Almada, 3 de Novembro de 2008 ou uma Interpretação + Simples da Justiça Tuga

Sentado, nos fundos da sala, a desenhar no caderno, nem sabia que era suposto levantarmo-nos quando o juiz entra.
Pensei que, estando a malta à espera do menino há 45 minutos, deveria ser ele a apresentar um pedido de desculpas. Não. Nesta coisa de tribunais, a Educação dada pelos papás fica em casa. Regem-se antes pelo Direito Romano. E toda a gente sabe que, em Roma, não havia roupa interior, comia-se e vomitava-se para recipientes próprios e, acima de tudo, praticava-se a pedofilia nos mais altos estratos sociais, recorrendo a efebos, crianças raptadas de províncias conquistadas. Terei sido claro, para começar?
Toca um telemóvel. O meu. Boa, dIAZ! O gajo vai embicar contigo! Chama-me...
Mas, afinal, é porque sou a única testemunha de acusação.
Sento-me e traço a perna. Sou imediatamente aconselhado, pela indivídua que liga os micros, a não fazê-lo. Ah, afinal, sempre há etiqueta por aqui. Só me apetece perguntar ao juiz se ele está atrasado porque foi ao dentista pela ADSE que os meus 155,21€ mensais (sem direito a uma mísera baixa médica) pagam. Sou imediatamente aconselhado, por mim mesmo, a não fazê-lo.
Os arguidos, dois putos que me roubaram o carro em 2005, estão atrás de mim.
Juiz, um puto novo mas careca - O Sr. Nuno Rosa sabe porque está aqui?
dIAZ - Sr. Nuno DIAS. Já fiz dois pedidos para mudarem o meu apelido no processo mas parece que continuam a optar por uma interpretação livre da minha assinatura!
Juiz, um puto novo mas careca - Bem, podia ser pior. Então vou passar a palavra aqui ao procurador.
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - O Sr. Rosa podia então dizer-nos o que se passou?
dIAZ - (Claro que sim, minha tulipa) Fui acordado por um agente da GNR, cerca das 4am, informando-me que a minha viatura tinha sido encontrada. Nem sabia que tinha sido furtada. Pediu-me para acompanhá-lo à esquadra e estavam lá estes dois senhores algemados.
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - Mas sabe, ao menos, se foram eles que furtaram a sua viatura?
dIAZ - (Ena, esta merda parece um concurso de televisão e este meu, por acaso, até dá ares de Teresa Guilherme) Depreendo que, tendo sido detidos...
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - E sabe precisar em que dia foi isso?
dIAZ - (Mas este man tá tolo? Uma cena que se passou em 2005? Olha, filho, acho que era de noite que, curiosamente, nesse dia, ocorreu, não sei se por aí vais lá) Não, não sei!
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - Não tenho mais nada a perguntar.
dIAZ - (Óóóó... isto estava tão bom).
Juiz, um puto novo mas careca - Bem, Sr Rosa, tendo em conta que, dos 36 queixosos, só o Sr. mantém a queixa, está disposto a retirá-la?
dIAZ - (Ui, kaganda espectáculo, "as cadeias estão cheias e isto de trabalhar, embora mediante uma remuneração astronómica, é chato, por isso vamos lá ver se acabamos com esta merda", pecebi eu que queria ele dizer) Eu nem sequer apresentei queixa, na altura. A GNR é que achou por bem juntar o meu auto ao processo. Agredi um dos rapazes na esquadra e não fiquei feliz comigo por isso. Para além disso, já fui puto. E sei como é.
Juiz, um puto novo mas careca - E roubava carros?
dIAZ - (OOOOLLLLÁÁÁÁ, tu queres ver?) Por acaso não, mas se é relevante, tenho uma elevada dívida fiscal, o que me torna, também, um criminoso. Temo, porém, que as Finanças não vão ser tão tolerantes como eu estou a ser (já que ordenados como o teu, meu pulha, precisam ser garantidos).
Juiz, um puto novo mas careca - Ah Ah Ah Ah, sim senhor. Então os arguidos levantem-se e peçam desculpa ao Sr. Rosa que, se quiser, pode ir-se embora.

Pouco depois, já lá fora, os putos interpelam-me outra vez.
1 Puto - 'Brigadão, man!
dIAZ - Nada. Desculpa lá o pontapé na boca da outra vez.
Outro puto - 'Se bem.
dIAZ - Só uma coisa. Vê lá se roubam como deve de ser, man! Fiat Uno's, pá? 'Da-se! Roubem BMW e Volvos, que a esses faz menos transtorno. E se faz, é porque os gajos são estúpidos e deviam ter comprado um Yaris em vez de andarem endividados. Roubem estes fdp dos juízes e advogados, por exemplo! Eu não tenho lata. Se vocês têm, façam-no como deve de ser! Façam a revolução!
1 Puto - Não, não, agora 'tamos atinadinhos, orientámo-nos!
dIAZ - Panilas do c...!

quinta-feira, outubro 30, 2008

Cuidado com o que desejas...

Sou urbanodependente.
Ainda não alcancei aquela paz, aquela plenitude emocional que nos garante as devidas defesas de toda a carga negativa de uma cidade.
Não sentir necessidade de um centro onde se desenrolam as actividades mais desumanas e desumanizadoras é, pois, ser-se Maior!
Eu, como pequeno que sou (ainda), sinto-me vazio de estímulos quando passo muito tempo sem tornar a Lisboa.
Exijo-me, contudo, um retorno diário à paz interior.
À esteva, pinheiro manso, alecrim aos molhos e molhos de coentros roubados à vizinha.
Um dia, retornarei ao campo.
De vez.
Quando conseguir, por exemplo, não ficar completamente chocado por ter de assistir, enquanto espero pelo autocarro, à senhora que mata a galinha para o almoço.

sexta-feira, outubro 24, 2008

Petição anti-Petição on-line BAIRRO ALTO

Exm.º Sr. Presidente da Câmara de Lisboa,
É com muito agrado que acolho a medida que visa encerrar os estabelecimentos de diversão nocturna no Bairro Alto às 02h.
Percebo a sua revolta.
Explico a minha.
No Tempo do Bairro Alto (Fins de 80/todos os 90), também havia descontentamento dos moradores. Não poucas vezes levei, eu e os meus amigos, com baldes de água. Que caíam das janelas, num silêncio traiçoeiro, sempre no inverno ou aquando da feitura da última ganza. O que, parecendo que não, é chato! Porque ainda nos esperava toda uma rua do Alecrim, o Barco das 6h45 e o autocarro em Cacilhas.
Nesses tempos, de cada vez que o Bairro ameaçava "morrer" na sua essência, o que acabou por ocorrer nos últimos cinco anos, melhorava, só para chatear.
Foram as Docas, que serviram de íman à bimbalhada. Durante os três anos que se seguiram, o Bairro foi, na verdade, aquilo a que hoje aspira. Um sítio único. A inveja das outras capitais Europeias, mergulhadas num marasmo mainstream. O Bairro tinha o Captain Kirk, por dEUS.
Depois, a Expo. Eles vinham de Santa Comba Dão, das periferias de Paris em autocarros com a bandeira nacional no vidro traseiro. Vinham, também, do Lumiar. Engarrafamentos de gente faminta de Daniela Mercury na Praça Sony. O Bairro, esse, brilhava. Um chá e roupa usada na Outra Face da Lua, enquanto a noite caía. Depois, logo se veria.
Pouco tempo depois, o Lux. Foi o princípio do fim. Porque o Lux também morreu. E o Bairro tornou-se "o que há". Nada de pior podia ter acontecido. Ou sim. Talvez o facto de, inacreditavelmente, os frequentadores do bairro de hoje acharem que ainda é cool. Só duas coisas podem justificar este tipo de pensamento:
1 - Ignorância. Porque desconhecem, por esta Europa fora, o que é REALMENTE cool.
2 - Ignorância. Não conheceram o Bairro quando este era, REALMENTE, Primus Inter Pares.
E foi esta gente que assassinou um dos melhores sítios do mundo. Arribaram às resmas, novos, universitários. Conheci-os aos magotes. Elas nem sabiam que, aqui, já se fazia depilação. Vinham de Amarante e Fafe, deslumbravam-se com um ambiente que, contudo, já definhava, e usavam o dinheiro que os pais desviaram das suas fábricas de calçado e artigos têxtil para ROUBAREM as casas aos Lisboetas AUTÊNTICOS (sim, os sacanas que mandavam baldes de água pelas janelas). Esqueceram-se que, contudo, todos envelhecemos. E essa gente que era munta cool e julgava os outros pelos penteados e indumentária tornaram-se pantufas, fizeram filhos e, agora, o ruído dos bares e das gentes "faz-lhes confusão". E vai de fazer petições atrás de petições.
Conseguiram.
Bem feito!
A todos os que estragaram o Bairro, os meus parabéns.
A todos os que me chamaram ISTO E AQUILO por não suportar ver, nestes últimos anos, a parada de saloios que tanto poderiam estar ali como na Day After viseense, ergo-vos os copos.
Mas de plástico, claro.
E só até às 2 da manhã.
Com o devido respeito, FODAM-SE!

quarta-feira, outubro 22, 2008

oLd bAsTaRd

Sou do tempo em que tudo era melhor!
Assim, sem mais rodeios e indisponível para aceitar o contrário...
A prova disso é ser possível sentir saudades do Tolan.
Esse mamarracho que era o farol dos cacilheiros, o prenúncio da chegada a Lisboa, a vista de tantos casais enamorados (ou não, porque a tusa é que interessa - homenagem a Dinis Machado), sentados no Cais do Sodré, de olhos postos nele (Tolan) e mãos nas braguilhas mútuas, de ímpetos reprodutivos quase tão intensos como os das ratazanas que saltavam entre rochas sem nunca escorregar no verde manto que as cobria (às rochas).
Tolan jazia, de proa orgulhosamente invertida (era, portanto, o Nalot), entre o Cais das Colunas e a antiga rampa de acesso aos ferrys, náufrago de um tempo em que se soubera o porquê de tal desventura. No meu tempo, poucos eram os que o poderiam atestar. Tolan era, simpesmente. Estava ali. Era mais lisboeta que os Beirões que chegavam, às resmas, ao Campo das Cebolas, via Resende, e saltavam directamente para trás de um balcão de café para servir bifanas e jaquinzinhos de ontem com dedos de enchada e unhas negras. Muito mais lisboeta que os universitários que foram chegando e ficando nos bairros antigos de casas recuperadas, interiores irreconhecíveis, nem o lava-loiça de mármore ou o calendário da Nossa Senhora de Fátima sobraram, quanto mais o cheiro a peixe frito entranhado na cortina do postigo. Estes, nunca viram Tolan. Sabem lá o que é Lisboa!
Tolan era a cidade. E todos nós. Era Portugal! Uma velha que se sentava à mesa do café às 9h, pedia um garoto e ficava até às 16h??? Imediatamente alcunhada de Tolan. Alguém que, depois de uma semana de prisão de ventre, ia à casa de banho e dava as suas 14 puxadelas de autoclismo como inúteis? É porque deixara, encalhado, um Tolan!
Com ele se foi tanto folclore. Uma talhada da nossa cultura, arrancada à bruta. A dor da perda, Tolan. Encalhar, esse teu mal, fez tão bem a Portugal. Que era outro, nesse tempo. Melhor, pois. PÓING!

These Are The Days

Mariachito estava de castigo. Na escola, batera no mâninu duj ócus.
Sentado, no canto do quarto, impedido de levantar-se, fitava, como é seu costume, desde muito pequeno (não agora, que já tem dois anos e três meses), o infinito. De súbito, lá deve ter ocorrido uma das suas fabulosas ideias, sempre mirabulantes, geniais, de um refinamento que me deixa parvo, de se safar desta. Normalmente, resulta. Esta vez não seria excepção. Começa por mãe, pai, mãe, pai, mãe, pai, mãe, pai, mãe, pai, mãe, pai e, ao ver que está a ser ignorado, Nuno e Marta... é o desarme. Ele sabe-o! Vou.
Mariachito: Pai, tenhu namuáda, na 'cóla.
dIAZ: Ai sim? E como se chama?
Mariachito: Chama Vitó'ia, da Vitó'ia Vitó'ia acabou a histó'ia. É linda.
dIAZ: Ai sim? E como é que ela é?
Mariachito: Tem ujóios bancos e vêdes e cabêuos.
dIAZ: E o que fazem vocês, dão beijinhos?
Mariachito: Não não, pai.
dIAZ: Porquê, filho?
Mariachito: É pigôjo.

segunda-feira, outubro 20, 2008

All The Joy's Gone

Quando o Outono avança, inexorável monstro castanho, lamacento, viscoco, babão...
... a minha alegria escorrega-me entre os dedos.
Esconde-se como se vão escondendo os pés no feminino.
É um Planeta impiedoso, este.
Não deveria haver temperatura que as obrigasse a cobri-los.
Que nos impedisse de, num dia cinzento e frio, pensar que o mundo é, afinal, bonito, só de olhar para dez pequenos, alinhados e perfeitos dedos de pé de mulher.