sexta-feira, novembro 28, 2008

Real Life

Garantiu-me que, depois, seria o mais cobiçado.
Principalmente, amigas das gajas que, a partir dali, comesse.
Não que, nessa altura, não existisse um sem-número de pequenas leitoas com vontade de chamuscar o pêlo no maçarico do dIAZ...
... mas de agora em diante seria diferente!
E foi.
Não era uma quarentona cabrona qualquer. Era mais uma cabrona duma quarentona, uma esgrimista de manejo calculado ao milímetro, como se um florete que não em riste fosse, por si só, uma derrota de digestão impossível.
Quando se tem 24 anos e é-se apanhado numa tesoura de pernas de uma mulher de 43, quem se fode é quem vem a seguir. Mesmo.
Porque, com cabra deste calibre, as primeiras entradas na arena são meros testes de resistência.
Depois, é o massacre. O gladiador fustiga o bom e inocente cristão até que a sua sede de sangue seja saciada.
Só mais tarde se ensinam as artes.
A violência, essa, jamais é aplacada.
Tripular tamanho espécimen, ainda por cima fazendo-se acompanhar de um detalhado manual de instruções, é tirar um brevet que garante o sucesso aos comandos de todos os Cessnas vindouros.
É escalar uma escarpa, explorando cada saliência, mas com a segurança de uma mão por baixo do borracho ao mínimo sinal de queda.
É montar um míssil sem controlo, sabê-lo, e ter a intrepidez de pousar os nadegueiros na ogiva, na certeza de que a explosão, quanto ocorrer, será de proporções bíblicas.
"O deboche não existe, meu caro. É uma palavra inventada pela igreja para incutir fealdade a uma das poucas coisas que nos aproxima de dEUS. Porque, se todos nós fôssemos debochados, ninguém precisava de intermediários para chegar ao gajo lá de cima".
Eu, sacristãozinho, ansiava pela hora de poder tocar, outra vez, carrilhão.
Esfregava creme gordo no apêndice em chaga, não dormia disso e, logo, não acordava.
Se o fizesse, porém, seria em pulgas pela nova palestra.
Informação sem fim em corpinho incansável, chafurdanço conversável, digo eu.
Ela não. Dizia outras coisas. Que me fascinavam.
"Mete-me dois dedos, isso. Agora procura em cima, ok, ok, aí. Estás a sentir essa parte cuja textura parece um céu da boca? Esfrega e faz força para cima. Com a outra mão, empurra-me a barriga para baixo", e eu extasiado de tantos gritos, grunhidos, gemidos, dentadas na própria mão, lívido de cãibras no antebraço, orgulhoso desse rio que molhava a cama.
Um dia, perante a minha recusa em chamar-lhe puta durante uma rapidinha num vão de escadas na Viriato, às Picoas, deixou-me um bilhete no bolso. Ainda o tenho. Estou, neste preciso momento, a transcrevê-lo. Não que não o saiba de cor. Mas estes riscos de lápis manchados dos anos dão-lhe aquele encanto com que o arquivista da Torre do Tombo folheia a 1.ª edição d'"Os Lusíadas".

"Todas as mulheres são Putas com P Maiúsculo. Não putéfias, putonas e, muito menos, prostitutas. Ser Puta é fazer, no que a sexo diz respeito, tudo o que se quer e ainda o que até ali nem se supunha, sem temer juízos. É dar prazer com um sentido de dever prazenteiro, como se a própria vida dependesse disso. É entregar-mo-nos a ponto de haver abandono do próprio corpo. É, pois, nunca misturar sexo com medo. Penso que foi nisso que se pensou quando se inventou a palavra Amor.
Todas as mulheres são Putas. Mas de um só homem. Para que viva em plenitude consigo e com os outros, segura, altiva, é determinante que seja a Puta de alguém. Quem nunca o sentiu viverá o resto da vida com esse inexorável fantasma. Ardendo durante as noites, cobiçando relações alheias, chorando mágoas de fêmea ferida e agrilhoada. Quem já o experimentou e, entretanto, o perdeu, sentirá um vazio, um gelo interior que a obrigará à eterna demanda por algo igual.
Homem que veja o fulgor da sua Puta esvair-se com os dias, por entre os seus dedos, pode ter a certeza que não deixou de o ser. Apenas já não é a SUA Puta. Sê-lo-á, à primeira oportunidade, de outro".

Nesse dia, li-o já em casa. E nunca mais a vi!

7 comentários:

rosa disse...

a foto é que deixou perplexa. se calhar é essa a ideia.

Master Of The Wind disse...

1º Essa tua amiga era sem dúvida uma puta. Não que seja um púdico, mas ela generalizar um modo de pensar e de identificar as outras mulheres pelo modo de agir dela é um grande exagero.

2º Nunca ninguém é de ninguém... existe um sentimento de partilha e de respeito que nos leva a respeitar e ficar com quem amamos. Essa pessoa jamais será uma puta.

Master Of The Wind disse...

3º O que se faz na cama com alguém, com mais ou menos pudor, jamais fará com que a outra pessoa seja uma puta. Apenas são duas pessoas a amarem-se. Como mais ou menos criatividade. E mesmo que não exista amor... serão apenas duas pessoas a desfrutar um momento de prazer. Daí a mulher ser "puta", vai uma grande diferença.

rosa disse...

eu penso que a ideia é com aspas, a dificulade de muitos homems e mulheres, realço também os gaijos, de livrarem-se dos preconceitos e libertarem-se ao sexo puro e duro, à partilha, à procura do prazer.

como dizia o woody allen, sexo só é bom quando é porcalhote.

o que existe entre um casal, seja hetero ou homo, não interessa, desde que seja bom para ambos.



aí há dias, nao que venha muito ao caso, uma sujeita, entradota, do café onde tomo o pequeno almoço, aquando da votaçao para casamentos homo, dizia:
-eu não me importo, desde que não façam aquelas porcarias à nossa frente.

(ia-me vomitando toda.)

1entre1000's disse...

Berrrrrrnárrrrrrdôoooooooooooo!
Bernardo, venha à sua mãe depressa!
Chegue-se aqui que vamos ter uma conversa importante que determinará em larga escala a sua felicidade enquanto homem!
Leia o Sr. das letras! LEIA! E veja se a sua mãe não tem razão, qdo lhe digo que essas suas amigas e conquistas magrelas de cabelo escorrido que não usam a boca e as mãos para o que de facto esses orgãos são válidos, não levam o menino a lado nenhum!

1entre1000's disse...

rosa sobes na minha escada da consideração a 3 degraus de cada vez!!

Zorze disse...

Não poderia estar mais de acordo com essa tua amiga quarentona: sem dúvida, uma lição de vida!