1. Não me lembro de ter havido um ano em que os Óscares não tivessem sido enxovalhados neste mui democrático espaço da blogosfera. Não me lembro, reitero. Porque pode muito bem ter acontecido. Como quase ia acontecendo neste Ano de Nosso Senhor Jesus Pacheco Abafa-o-Cavaco Pereira Cristo de 2011!
2. Assumo padecer de masoquismo. Uma espécie muito particular mas, ainda assim, masoquismo. Do flagrante. Sempre que, num serão de zapping, apanho os "Malucos do Riso", "O Prédio do Vasco" ou o "Maré Alta", fico por ali. Não nutro por nenhuma destas séries qualquer espécie de agrado, simpatia ou sequer pena. O que me leva a ficar de olhos bem fixos no ecrã é, unicamente, a vã esperança de ver no próximo sketch alguma piada. Não mais que no sketch anterior. Piada, só. Um mínimo histórico de piada. Capaz de puxar, sei lá, um sorriso, que seja, vá. Ou uma expressão facial qualquer que não seja o mero franzir de um sobrolho.
Naturalmente, chego ao genérico final com o estômago num nó de mareante. Uma vontade de me entregar ao álcool de corpo e alma. À heroína, se tal for preciso. Desde que uma voz me sussurre ao ouvido "Se deres no cavalo a ficção humorística nacional melhorará 0,1%", eu juro que o faço. Não é possível que sejamos assim tão maus. Não é possível que, sketch após sketch, ano após ano, definhemos.
3. Numa perspectiva muito semelhante, continuo sem perceber o que leva as pessoas a continuar a assistir à cerimónia dos Óscares.
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terça-feira, março 01, 2011
quinta-feira, novembro 26, 2009
Suponho que haja um destes a cada década
Quando parece que o género está esgotado, sopra a suave e benfazeja brisa que abana a vulgaridade e nos faz acreditar que, afinal, o clássico Filme Boy Meets Girl é, porventura, intemporal. Tem-se, por Filme Boy Meets Girl, aquele em que, lá está, ELE conhece-A | ELE e ELA vivem momentos de felicidade que podem assumir as mais diversas formas | ELE e ELA zangam-se | ELE e ELA reatam | ELE e ELA vivem felizes para sempre OU ELE e ELA nunca mais se vêem. Entretanto, esboçam os espectadores uns sorrisos, ou riem, ou disfarçam uma lágrima. Não há, NUNCA, nada de novo. A não ser, como implícito no título deste devaneio, uma vez em cada década. Na de 60, o Dustin Hoffman batia, desesperado, às portas da igreja onde o amor da sua vida, que por acaso até era filha da gaja que lhe deu o sexo da sua vida (God Bless You Please, Mrs Robinson, pediram Paul Simon e o Cabelo-Ridículo Garfunkel, a altos berros, no Central Park), estava a ponto de se casar com outro qualquer, que até tinha menos nariz e mais 20 centímetros que o actor em questão. Em 1979, o mesmo pequenote acabava com o mito de que as mães é que cuidam dos filhos, até porque a Merryl Streep estava louca e não tinha condições para fazer do herdeirozinho Kramer um moçoilo feliz. Nos eighties, os Phsycadelic Furs fizeram a música para o intemporal Pretty In Pink e, nos 90 (em 2000, vá), o Almost Famous relembrou a uma geração que já definhava, de Grungísse, que o Amor era possível no tempo dos Led Zeppelin. Estes foram Primus Inter Pares. Porque, por outro lado, também houve o Oficial e Cavalheiro, o Shakespeare In Love, o Lagoa Azul, o Cidade dos Anjos, o Moulin Rouge, e os concorrentes na categoria de Absolutamente Ridículo Guarda-Costas e Titanic. Mas, por dEUZ, a lamechice viscosa, o mel barato de todos estes perigou o género. E cinema é como a música. Só há o bom e o mau! O que nos leva à presente década. E, até agora, digno de nota só há um. Porque a tal nota de que é digno não cabe num caderno inteiro. Porque o filme começa com um aviso aos mais incautos: This is a story of boy meets girl. The boy, Tom Hanson of Margate, New Jersey, grew up believing that he'd never truly be happy until the day he met "the one." This belief stemmed from early exposure to sad British pop music and a total misreading of the movie 'The Graduate'. The girl, Summer Finn of Chennicok, Michigan, did not share this belief. Since the disintegration of her parents' marriage, she'd only loved two things: The first was her long, dark hair. The second was how easily she could cut it off, and feel nothing. Tom meets Summer on January eighth. He knows, almost immediately, she is who he's been searching for. This IS a story of boy meets girl, but you should know upfront... This is NOT a love story.
E entra a Regina Spektor com o seu Us... o que, para muitos, poderá não ser tanto quanto é para mim! Só faltava que as primeiras palavras entre ambos fossem trocadas porque ele vai a ouvir o There Is A Light That Never Goes Out, dos The Smiths, no elevador. Pois! Ou que os habituais fragmentos de vida feliz em comum, com todas as pequenas idiotices, gestos, sorrisos e beijos, abraços e desencontros, encontros e desventuras, enlaces e frases que ditam viragens, não passassem por alguns flashbacks, um deles em que ela, num trabalho da escola, transcreve os Belle & Sebastian, no The Boy With The Arab Strap, com um avassalador Colour my life with the chaos of trouble. Até a corriqueira cena de sexo é substituída por uma Morning After em que ele, no trajecto para o trabalho, leva a cabo as mais variadas e perfeitas cenas de coreografia com a multidão, ao jeito de um musical barato. Até o seu emprego, de desenhador de postais de Aniversário e S. Valentim e Feliz Casamento e Pêsames quando, afinal, é arquitecto. Até quando ele lhe faz a tatuagem. Até eu, que sou avesso a estas pitchupitchuzisses, acho que, até agora, o 500 Years of Summer é o Filme Boy Meets Girl da década.
E entra a Regina Spektor com o seu Us... o que, para muitos, poderá não ser tanto quanto é para mim! Só faltava que as primeiras palavras entre ambos fossem trocadas porque ele vai a ouvir o There Is A Light That Never Goes Out, dos The Smiths, no elevador. Pois! Ou que os habituais fragmentos de vida feliz em comum, com todas as pequenas idiotices, gestos, sorrisos e beijos, abraços e desencontros, encontros e desventuras, enlaces e frases que ditam viragens, não passassem por alguns flashbacks, um deles em que ela, num trabalho da escola, transcreve os Belle & Sebastian, no The Boy With The Arab Strap, com um avassalador Colour my life with the chaos of trouble. Até a corriqueira cena de sexo é substituída por uma Morning After em que ele, no trajecto para o trabalho, leva a cabo as mais variadas e perfeitas cenas de coreografia com a multidão, ao jeito de um musical barato. Até o seu emprego, de desenhador de postais de Aniversário e S. Valentim e Feliz Casamento e Pêsames quando, afinal, é arquitecto. Até quando ele lhe faz a tatuagem. Até eu, que sou avesso a estas pitchupitchuzisses, acho que, até agora, o 500 Years of Summer é o Filme Boy Meets Girl da década.
segunda-feira, março 02, 2009
Kibbutzzzzzzzzzzz
Por enquanto, ainda não consigo falar sobre isto.
Preciso de recuperar o fôlego, a conciência, as horas de sono...
... a sensação de que poderá existir Humanidade para além de Israel.
Preciso de recuperar o fôlego, a conciência, as horas de sono...
... a sensação de que poderá existir Humanidade para além de Israel.
quinta-feira, janeiro 29, 2009
Bollywood Rules!
Não que o Danny Boyle não seja gajo de explorar terrenos mais pantanosos.
Não que não tenha habituado cinéfilos a ritmos capazes de arrebatar emoções que o argumento, em si, poderia deitar por terra.
Não que A Praia (continuo a achar o DiCaprio uma Miséria Franciscana) ou o 28 Days After fossem, de longe ou de perto, um Shallow Grave ou um Trainspotting.
Há, porém, qualquer coisa no Slumdog Millionaire!
Que deixa mais que uma mera pulga atrás da orelha.
É assim um carrapato que vai inchando de sangue enquanto mirramos em febre.
Vê-se despiciendamente.
Assim que começa, pensa-se Que fixe mas, pronto, é isso.
Acaba e ocorre um Bonito, sim senhor.
Não mais.
Mas no dia a seguir, ocomete-nos.
À grande!
Primeiro durante um minuto intervalado a cada quinze.
Depois, durante quinze a cada três ou quatro.
Será da Bollywoodice pegada e assumida?
Será deste quotidiano indiano, Uttar Pradesh ou outra província qualquer, retratada como é, cheiro a merda, crime, crueldade e selvajaria incluídos?
Será da Banda sonora e seus laivos de Nitin Sawhney?
Ou será que tínhamoa apenas saudades de uma Straight Story?
Não que não tenha habituado cinéfilos a ritmos capazes de arrebatar emoções que o argumento, em si, poderia deitar por terra.
Não que A Praia (continuo a achar o DiCaprio uma Miséria Franciscana) ou o 28 Days After fossem, de longe ou de perto, um Shallow Grave ou um Trainspotting.
Há, porém, qualquer coisa no Slumdog Millionaire!
Que deixa mais que uma mera pulga atrás da orelha.
É assim um carrapato que vai inchando de sangue enquanto mirramos em febre.
Vê-se despiciendamente.
Assim que começa, pensa-se Que fixe mas, pronto, é isso.
Acaba e ocorre um Bonito, sim senhor.
Não mais.
Mas no dia a seguir, ocomete-nos.
À grande!
Primeiro durante um minuto intervalado a cada quinze.
Depois, durante quinze a cada três ou quatro.
Será da Bollywoodice pegada e assumida?
Será deste quotidiano indiano, Uttar Pradesh ou outra província qualquer, retratada como é, cheiro a merda, crime, crueldade e selvajaria incluídos?
Será da Banda sonora e seus laivos de Nitin Sawhney?
Ou será que tínhamoa apenas saudades de uma Straight Story?
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Cinematografilologia
Blood Simple (1984), Crimewave (1985, Raising Arizona (1987), Miller's Crossing (1990), Barton Fink (1991), The Hudsucker Proxy (1994), Fargo (1996), The Big Lebowski (1998), O Brother, Where Art Thou? (2000), The Man Who Wasn't There (2001), Intolerable Cruelty (2003), The Ladykillers (2004), Paris, je t'aime (2006), No Country for Old Men (2007) e, finalmente, Burn After Reading (2008).
Ou seja, de uma forma alternada, embora nada rígida, uma comédia e um drama, em 24 anos.
Um pouco como o Lynch e os seus filmes normais (The Elephant Man e The Straight Story), alternados com filmes à Lynch (Mulholand Drive e Lost Highway).
Agora, depois do Óskar, atribuído a um drama, a malta despertou para os Cohen. Ainda bem. Nunca é tarde. Mas há as comédias. E eu pensei, sinceramente, que seria impossível fazer melhor que no The Big Lebowski ou Raising Arizona.
É possível.
E a cara da Frances no parque, a olhar para todos os homens, a cara do Brad Pitt antes de levar o tiro, a cara do Clooney ao mostrar a sua “invenção” na cave, ou um Malcovitch, de martelo na mão, roupão e boxers, a caminhar, de perninhas tortas, pelo cais, valem UM QUARTO DE SÉCULO de cinema.
Mas isso sou eu, que até de César Monteiro gosto.
O que me concede conhecimento de causa para poder parafrazeá-lo:
Quero é que os críticos se fodam!!!
Ou seja, de uma forma alternada, embora nada rígida, uma comédia e um drama, em 24 anos.
Um pouco como o Lynch e os seus filmes normais (The Elephant Man e The Straight Story), alternados com filmes à Lynch (Mulholand Drive e Lost Highway).
Agora, depois do Óskar, atribuído a um drama, a malta despertou para os Cohen. Ainda bem. Nunca é tarde. Mas há as comédias. E eu pensei, sinceramente, que seria impossível fazer melhor que no The Big Lebowski ou Raising Arizona.
É possível.
E a cara da Frances no parque, a olhar para todos os homens, a cara do Brad Pitt antes de levar o tiro, a cara do Clooney ao mostrar a sua “invenção” na cave, ou um Malcovitch, de martelo na mão, roupão e boxers, a caminhar, de perninhas tortas, pelo cais, valem UM QUARTO DE SÉCULO de cinema.
Mas isso sou eu, que até de César Monteiro gosto.
O que me concede conhecimento de causa para poder parafrazeá-lo:
Quero é que os críticos se fodam!!!
quarta-feira, novembro 19, 2008
quarta-feira, agosto 20, 2008
Cinema para Totós
Quando, à data de estreia do filme, as críticas são discrepantes, opto pelo meu lado de enólogo principiante.
Deixo-o, portanto, estagiar em cuba, barrica e garrafa, tudo nos seus tempos certos, mas não por forma a que o assento se forme.
Quando chega o grande dia do seu consumo, há todo um ritual.
Retiro o dvd da caixa com o vagar que permita aos fenóis voláteis darem-me todos os aromas antes de envolver os mais recônditos lugares da língua no seu suco, engolir, abrir a boca e respirar pelo nariz.
É, na verdade, bem simples.
E foi assim que, só agora, de uma assentada, bebi o Sweeney Todd e o Departed.
Dois pontos a reter:
1. Odeio Musicais. Mesmo. Quase tanto como as cartas das Finanças que me têm aparecido, neste último ano, lá em casa.
2. Amo, de morte, filmes de organizações criminosas. Nada destas coisas de gangs de putos pretos contra putos brancos que têm a mania que são pretos mas nem um nem outro sabem o que é África. Nada dessas homossexualidades latentes. Máfia MESMO, Sicília, Nápoles, Nova Iorque irlandesa, Nova Iorque italiana e coisas desse estilo. Como o Scorsese tão bem sempre fez.
É, assim, estranho, que eu tenha chegado às conclusões que se seguem.
Ou não?
1.a) Tim Burton continua igual a si próprio. Talvez melhor que nos últimos tomos. Uma Londres especialmente cinzenta (ou seja, AINDA MAIS cinzenta que o que JÁ É) lavada em música dirigida como se de uma ópera clássica que se pretende imortal se tratasse, letras e rimas a la Nightmare Before Christmas e, claro, um Depp igual a si próprio, ou seja, excelente. Dêem-lhe um papel de urso pardo com alzheimer e desempenhá-lo-á na perfeição.
2.a) Scorsese está pior. A não ser que não tenha sido ele a escolher os actores. É que já niguém aguenta NENHUM Baldwin, o Leonardo DiCaprio continua muito bem a fazer, como sempre, de... Leonardo DiCaprio (é o Vergílio Castelo americano), e o Matt Damon é aquilo que se vê... Nem o Jack Nicholson consegue elevar o nível da coisa. Está isoladíssimo no prato da balança. Um pormenor precioso é o da cena romântica com a psiquiatra, que está com a "roupinha de trazer por casa" e, quando a despe, tem cuecas pretas e soutien púrpura. Noutro filme, envergaria peças da última colecção da Woman's Secret o que, como toda a gente sabe, ninguém usa por baixo de um fato-de-treino do bazar chinês para andar a encaixotar coisas.
Ou então, conheci as mulheres erradas.
Deixo-o, portanto, estagiar em cuba, barrica e garrafa, tudo nos seus tempos certos, mas não por forma a que o assento se forme.
Quando chega o grande dia do seu consumo, há todo um ritual.
Retiro o dvd da caixa com o vagar que permita aos fenóis voláteis darem-me todos os aromas antes de envolver os mais recônditos lugares da língua no seu suco, engolir, abrir a boca e respirar pelo nariz.
É, na verdade, bem simples.
E foi assim que, só agora, de uma assentada, bebi o Sweeney Todd e o Departed.
Dois pontos a reter:
1. Odeio Musicais. Mesmo. Quase tanto como as cartas das Finanças que me têm aparecido, neste último ano, lá em casa.
2. Amo, de morte, filmes de organizações criminosas. Nada destas coisas de gangs de putos pretos contra putos brancos que têm a mania que são pretos mas nem um nem outro sabem o que é África. Nada dessas homossexualidades latentes. Máfia MESMO, Sicília, Nápoles, Nova Iorque irlandesa, Nova Iorque italiana e coisas desse estilo. Como o Scorsese tão bem sempre fez.
É, assim, estranho, que eu tenha chegado às conclusões que se seguem.
Ou não?
1.a) Tim Burton continua igual a si próprio. Talvez melhor que nos últimos tomos. Uma Londres especialmente cinzenta (ou seja, AINDA MAIS cinzenta que o que JÁ É) lavada em música dirigida como se de uma ópera clássica que se pretende imortal se tratasse, letras e rimas a la Nightmare Before Christmas e, claro, um Depp igual a si próprio, ou seja, excelente. Dêem-lhe um papel de urso pardo com alzheimer e desempenhá-lo-á na perfeição.
2.a) Scorsese está pior. A não ser que não tenha sido ele a escolher os actores. É que já niguém aguenta NENHUM Baldwin, o Leonardo DiCaprio continua muito bem a fazer, como sempre, de... Leonardo DiCaprio (é o Vergílio Castelo americano), e o Matt Damon é aquilo que se vê... Nem o Jack Nicholson consegue elevar o nível da coisa. Está isoladíssimo no prato da balança. Um pormenor precioso é o da cena romântica com a psiquiatra, que está com a "roupinha de trazer por casa" e, quando a despe, tem cuecas pretas e soutien púrpura. Noutro filme, envergaria peças da última colecção da Woman's Secret o que, como toda a gente sabe, ninguém usa por baixo de um fato-de-treino do bazar chinês para andar a encaixotar coisas.
Ou então, conheci as mulheres erradas.
quarta-feira, abril 16, 2008
Da Escócia com Amor
1.
Não é possível que os Belle And Sebastian, antes da saída da Isobel, fossem aquilo tudo.
Não é possível que música tão normal e carregadinha de clichés fosse tão boa.
Não é possível que a voz de Stuart Murdoch, tão frágil que nos deixa, suspensos, à espera do momento em que vai ruir, encaminhe os sentidos por aqueles meandros.
2.
Não é possível que Todd Solondz seja aquilo tudo.
Não é possível que estórias de vidas tão banais, comuns e normais possam dar filmes daqueles.
Não é possível que, muito antes de Capote, Philip Seymour Hoffman tenha tido aquele desempenho, sem que ninguém tenha reparado, em Happiness.
Não é possível que Storytelling, com 90 minutos de cenas censuradas nos estates e Palindromes, com o fantástico "I know. I believe you because pedophiles love children" sejam de um humor tão inteligente.
3.
Não é possível que, finalmente, um filme como Juno tenha sido devidamente acolhido pelo público.
Não é possível que todos o tenham entendido, mesmo que nada haja para entender.
Não é possível que uma temática tão comum, cujos intervenientes são alvo de preconceito social, sirva para fazer desmoronar uma série de preconceitos sociais.
Não é possível, a partir disto, reinventar a ternura.
4.
Não é possível que dois realizadores, obviamente inteligentes, decididos em fazer da normalidade um espectáculo de entretenimento, tenham escolhido os Belle And Sebastian para Banda Sonora Musical.
5.
Ou é?
Não é possível que os Belle And Sebastian, antes da saída da Isobel, fossem aquilo tudo.
Não é possível que música tão normal e carregadinha de clichés fosse tão boa.
Não é possível que a voz de Stuart Murdoch, tão frágil que nos deixa, suspensos, à espera do momento em que vai ruir, encaminhe os sentidos por aqueles meandros.
2.
Não é possível que Todd Solondz seja aquilo tudo.
Não é possível que estórias de vidas tão banais, comuns e normais possam dar filmes daqueles.
Não é possível que, muito antes de Capote, Philip Seymour Hoffman tenha tido aquele desempenho, sem que ninguém tenha reparado, em Happiness.
Não é possível que Storytelling, com 90 minutos de cenas censuradas nos estates e Palindromes, com o fantástico "I know. I believe you because pedophiles love children" sejam de um humor tão inteligente.
3.
Não é possível que, finalmente, um filme como Juno tenha sido devidamente acolhido pelo público.
Não é possível que todos o tenham entendido, mesmo que nada haja para entender.
Não é possível que uma temática tão comum, cujos intervenientes são alvo de preconceito social, sirva para fazer desmoronar uma série de preconceitos sociais.
Não é possível, a partir disto, reinventar a ternura.
4.
Não é possível que dois realizadores, obviamente inteligentes, decididos em fazer da normalidade um espectáculo de entretenimento, tenham escolhido os Belle And Sebastian para Banda Sonora Musical.
5.
Ou é?
segunda-feira, março 31, 2008
De Como Aquilo Ganhou...
Ele há muita gente que anda a exclamar "O No Country For Old Men não merecia o Oscar", mas fazem-no imbuídos do espírito errado. É porque "É muito parado", (por si só, uma exclamação adorável), ou é porque "acaba daquela maneira". Não! O No Country For Old Men não merecia ter sido posto no mesmo patamar do Titanic ou Lista de Schindler, ponto! É vulgarizá-lo. Se é para interpretá-lo de um ponto de vista mais vulgaróide, temos não o Melhor Actor Secundário de 2007, mas sim o melhor serial killer de sempre! Não expressa amargura ou contentamento, arrependimento ou sadismo. É um Bardem inexpressivo, que does his job com um invulgar sentido de dever e rectidão que daí resulta. É, como o Lou Ellen terá dito a certa altura, o Ultimate Bad Ass, uma imagem que nos chega com a maravilhosa resposta à pergunta "How dangerous is he?": "Compared to what, the Bubonic Plague?", vinda de um Woody do mais redneck possível.
A única análise possível é... os Coen são MESTRES. Mas são-no há muito, não é d'agora! Até porque este é o Fargo II. A depressão em que mergulhámos aquando dos grandes cenários a branco, neve neve neve e mais neve numa América imensa em tamanho mas tão pequena em valores, inteligências, brilho, interesse, dá-se agora pela mão do deserto.
No fim de tudo, hverá, talvez, uma conclusão a tirar.
Desafio qualquer um a identificar aquilo no tempo.
É nos 80, sabemos a dada altura, mas poderia ser nos 50, 60, sei lá.
O Cu de Judas, meus amigos, onde as gentes são brutas, grunhas, rambórias e patêgas, não é num sítio qualquer. É ali. Onde quer que se procure! Viver ali, bem no meio daquela paisagem, seria, num qualquer lugar do mundo, eremitagem!
Nos Estates... é regredir à Idade Média!
A única análise possível é... os Coen são MESTRES. Mas são-no há muito, não é d'agora! Até porque este é o Fargo II. A depressão em que mergulhámos aquando dos grandes cenários a branco, neve neve neve e mais neve numa América imensa em tamanho mas tão pequena em valores, inteligências, brilho, interesse, dá-se agora pela mão do deserto.
No fim de tudo, hverá, talvez, uma conclusão a tirar.
Desafio qualquer um a identificar aquilo no tempo.
É nos 80, sabemos a dada altura, mas poderia ser nos 50, 60, sei lá.
O Cu de Judas, meus amigos, onde as gentes são brutas, grunhas, rambórias e patêgas, não é num sítio qualquer. É ali. Onde quer que se procure! Viver ali, bem no meio daquela paisagem, seria, num qualquer lugar do mundo, eremitagem!
Nos Estates... é regredir à Idade Média!
quinta-feira, março 20, 2008
Cinema As It Should Be
quarta-feira, março 12, 2008
Ó dIAZ, pá... Só sabes dizer mal e mánãsêquê!
É bom, não há dúvida...
Mas antes que os Lambe Oscar deste meu Portugal venham praí armados em eruditos cohenianos, não se esqueçam de assumir a desconsideração por obras maiores da Golden Cohen Age. Que não é esta. Caso contrário, a Frances McDorman só agora teria desposado o miúdo. Não! Tinha olho, a chavala!
Bem... só quem não o tinha poderia passar por cima disto, disto, disto e disto, mas eu já não digo nada!
Vou antes deixar aqui isto para poder clicar quando me apetecer...
Mas antes que os Lambe Oscar deste meu Portugal venham praí armados em eruditos cohenianos, não se esqueçam de assumir a desconsideração por obras maiores da Golden Cohen Age. Que não é esta. Caso contrário, a Frances McDorman só agora teria desposado o miúdo. Não! Tinha olho, a chavala!
Bem... só quem não o tinha poderia passar por cima disto, disto, disto e disto, mas eu já não digo nada!
Vou antes deixar aqui isto para poder clicar quando me apetecer...
domingo, novembro 18, 2007
Every Good Has An Evil
quinta-feira, novembro 15, 2007
E a propósito da cena mais sensual de sempre em ecrã, El Marichi dIAZ Productions Presents...
A personagem mais irritante e sacana de sempre.
O Detective que encontra a branca no sofá do Monty, no 25th Hour, a Spike Lee joint, com aquela pronunciazinha enervante dos bairros decrépitos da decrépita NY!
Tal pode ser visto aqui, aqui e aqui!
Mas pode dar o mote para mais, porque o filme é bom, MUITO BOM, principalmente se pensarmos que se trata do primeiro a retratar a cidade pós-11 de Setembro, com uma sequência inicial bem elucidativa e um grande momento de coragem, dado o período que se atravessava!
Para quem gosta de Cinema, e não de "ver filmes", o que não será bem a mesma coisa, (e desculpe-me quem discorde... passando, assim, a integrar automaticamente o segundo grupo), repare-se:
A Música é do Terence Blanchard.
A Direcção de Fotografia é do "tuga" Rodrigo Prieto.
A Produção é do Tobey Maguire. Sim, esse mesmo. O Homem Aranha, lá está, para quem gosta de "ver filmes", mas o eterno James Lear no Wonder Boys, tão desconhecido quanto amado por quem GOSTA DE CINEMA À SÉRIA.
O Detective que encontra a branca no sofá do Monty, no 25th Hour, a Spike Lee joint, com aquela pronunciazinha enervante dos bairros decrépitos da decrépita NY!
Tal pode ser visto aqui, aqui e aqui!
Mas pode dar o mote para mais, porque o filme é bom, MUITO BOM, principalmente se pensarmos que se trata do primeiro a retratar a cidade pós-11 de Setembro, com uma sequência inicial bem elucidativa e um grande momento de coragem, dado o período que se atravessava!
Para quem gosta de Cinema, e não de "ver filmes", o que não será bem a mesma coisa, (e desculpe-me quem discorde... passando, assim, a integrar automaticamente o segundo grupo), repare-se:
A Música é do Terence Blanchard.
A Direcção de Fotografia é do "tuga" Rodrigo Prieto.
A Produção é do Tobey Maguire. Sim, esse mesmo. O Homem Aranha, lá está, para quem gosta de "ver filmes", mas o eterno James Lear no Wonder Boys, tão desconhecido quanto amado por quem GOSTA DE CINEMA À SÉRIA.
sexta-feira, outubro 26, 2007
DocCharneca 07
A correria à Culturgest, as filas para tirar bilhete, quase nunca para o filme que queríamos REALMENTE ver, a falta de estacionamento, rezar para conseguir sessão tardia, quando o bilhete dá direito ao estacionamento do Edifício CGD, "vamos pelo Campo Pequeno", "Não, estúpido, vamos pela Av. Roma, estacionamos ao lado da Igreja e andamos aquele bocado a pé", "Chamaste-me estúpido? À noite levas sopa, porca", "Não faz mal, estou com o período". Calma!
Jovem: gostas REALMENTE de cinema documental ou andas um ano à espera do DocLisboa? Ou uma, ou outra! Ou gostas de ver documentários e papas uns quantos que sacas da net, outros que passam na 2: e os poucos que estão no Blockbuster ou, pelo contrário, papas tudo de uma vez no DocLisboa e ficas o resto do ano a digerir e a indagar se não terás estado um mês da tua vida a assistir a desfiles de moda e barbas modelo Devendra Banhart.
Quando te sentires aborrecido com a pseudo-intelectualidade, vem ao DocCharneca, pá! Pode não haver gajas boas de All Star, écharpes negligé chic e metade da clientela do cabeleirero Facto, mas há minis e minuíns!
Na sessão de hoje:
Chock Doctrine, do Cuarón
Sharkwater, de Rob Stewart
Shine a Light, do Scorcese
Joe Strummer: the Future Is Unwritten, de Julien Temple
How To Cook Your Life, de Doris Dorrie
Jovem: gostas REALMENTE de cinema documental ou andas um ano à espera do DocLisboa? Ou uma, ou outra! Ou gostas de ver documentários e papas uns quantos que sacas da net, outros que passam na 2: e os poucos que estão no Blockbuster ou, pelo contrário, papas tudo de uma vez no DocLisboa e ficas o resto do ano a digerir e a indagar se não terás estado um mês da tua vida a assistir a desfiles de moda e barbas modelo Devendra Banhart.
Quando te sentires aborrecido com a pseudo-intelectualidade, vem ao DocCharneca, pá! Pode não haver gajas boas de All Star, écharpes negligé chic e metade da clientela do cabeleirero Facto, mas há minis e minuíns!
Na sessão de hoje:
Chock Doctrine, do Cuarón
Sharkwater, de Rob Stewart
Shine a Light, do Scorcese
Joe Strummer: the Future Is Unwritten, de Julien Temple
How To Cook Your Life, de Doris Dorrie
quinta-feira, setembro 13, 2007
Mais Um Grande Momento de CINEMA
Brick Top olha, por trás dos seus óculos de fundo de garrafa, para todos os que tentavam carregar um corpo para fora da sala. Sentado na poltrona, ignora os sucessivos "Who the fuck are you?" e prefere aconselhar a divisão do cadáver em seis bocados que deverão constituir refeição a uns quantos bacorinhos. Por fim, acede:
Do you know what Nemesis means? A righteous infliction of retribution manifested by an appropriate agent. Personified in this case by a horrible cunt... me!
quarta-feira, agosto 01, 2007
Hoje acordei com uma auto-estima do Kamandro ou As Trintonas são umas Nostálgicas Incuráveis!
Desde que apareceu por aí um filme chamado "Terapia de Amor" (Prime), já me ligaram praí uma sete (7) ex-namoradas a dizer: "A tua pila é tão bonita que só me apetecia tricotar-lhe um gorrinho", como se eu não tivesse visto a/o trailer (papo tudo o que é trailer à 5ª, pra ver o qu'anda por aí), ou como se as restantes vinte e três (23) saudosas não me tivessem já elucidado da seguinte forma: "No outro dia vi o Terapia do Amor e há lá uma cena em que a Uma Thurman diz à Merryl Streep: Ele tem uma pila tão linda que só me apetece tricotar-lhe um gorrinho, e lembrei-me logo da tua"!
Eu sou um gajo à antiga. Prefiro as pessoas sinceras e directas às que transportam para a vida as falas dos filmes que vêem!!!
Por isso respondi-lhes a todas: "hé pá olha... This could be the start of a beautiful friendship, tázavêr?"
Eu sou um gajo à antiga. Prefiro as pessoas sinceras e directas às que transportam para a vida as falas dos filmes que vêem!!!
Por isso respondi-lhes a todas: "hé pá olha... This could be the start of a beautiful friendship, tázavêr?"
segunda-feira, julho 30, 2007
Ando a escrever sobre a Escócia e veio-me à memória aquela que conhecia antes de lá ir...
Uma estação de comboios. Uma Escócia tal como a imaginamos. Extensa, verde, sem árvores. O comboio parte e deixa um grupo de "maltrapilhos".
Sick Boy - So... What are we here for?
Tommy - For a walk.
Sick Boy - What?
Tommy - A walk
Spud - But where?
Tommy aponta para a planície
Tommy - There
Sick Boy - Are you serious?
Atravessam os carris e andam um pouco até à planície.
Tommy - Well, what are you waiting for?
Spud - I don't know, Tommy. I don't know if it's... normal.
Tommy - But it's the great outdoors.
Sick Boy - It's really nice, Tommy. Can we go home now?
Tommy - It's fresh air.
Sick Boy - Look, Tommy, we know you're getting a hard time off Lizzy, but there's no need to take it out on us.
Tommy - Doesn't it make you feel proud to be Scottish?
Renton - I hate being Scottish. We're the lowest of the fucking low, the scum of the earth, the most wretched, servile, miserable, pathetic trash that was ever shat into civilization. Some people hate the English, but I don't. They're just wankers. We can't even pick a decent culture to be colonized by. We are ruled by effete arseholes. It's a shite state of affairs and all the fresh air in the world will not make any fucken difference.
Voz Off - At or around this time, we made a healthy, informed, democratic decision to get back on drugs as soon as possible. It took about twelve hours.
Desta feita, não há foto pra ninguém. Porque quem, a esta altura, ainda não percebeu do que falo, é porque perdeu o Filme de Uma Geração! Mas estão sempre a tempo...
Sick Boy - So... What are we here for?
Tommy - For a walk.
Sick Boy - What?
Tommy - A walk
Spud - But where?
Tommy aponta para a planície
Tommy - There
Sick Boy - Are you serious?
Atravessam os carris e andam um pouco até à planície.
Tommy - Well, what are you waiting for?
Spud - I don't know, Tommy. I don't know if it's... normal.
Tommy - But it's the great outdoors.
Sick Boy - It's really nice, Tommy. Can we go home now?
Tommy - It's fresh air.
Sick Boy - Look, Tommy, we know you're getting a hard time off Lizzy, but there's no need to take it out on us.
Tommy - Doesn't it make you feel proud to be Scottish?
Renton - I hate being Scottish. We're the lowest of the fucking low, the scum of the earth, the most wretched, servile, miserable, pathetic trash that was ever shat into civilization. Some people hate the English, but I don't. They're just wankers. We can't even pick a decent culture to be colonized by. We are ruled by effete arseholes. It's a shite state of affairs and all the fresh air in the world will not make any fucken difference.
Voz Off - At or around this time, we made a healthy, informed, democratic decision to get back on drugs as soon as possible. It took about twelve hours.
Desta feita, não há foto pra ninguém. Porque quem, a esta altura, ainda não percebeu do que falo, é porque perdeu o Filme de Uma Geração! Mas estão sempre a tempo...
sexta-feira, junho 22, 2007
Eu era tão novinho. E ele também!
Quando eu e o Mathieu Kassovitz andávamos pela casa dos 20 anos, ele fez um filme, eu não.
Decorria o mui intenso e frutífero ano de 1995. Eu era faculdade, Parreira, Marchante, Fred, Marco, João de Purtmã, Tita, de Vespa com Leanito, de Golf com a Marijuanita, a pé com toda a gente até ao Lagarto e ao Jardim da Ribeira fumá-las até o cérebro fazer tilt... um betinho!
O Mathieu já andava pelos bairros periféricos de Parijdafrânsha a filmar o quotidiano. Realizou La Haine. Isto é a Trailer, isto um clip de autor anónimo, tuga, por sinal, isto outro do género, isto o início, isto uma das melhores partes, com o DJ Cut Killer numa performance. Muita gente pensa ter sido este o primeiro. Foi. Longa-metragem, foi... Já tinha algumas curtas. Como esta e esta, mais fraquita (foi a primeira, ainda na escolinha, tem desculpa, pá), para além do Métisse, para o qual não arranjei clip. Este é um spot de 97 mas que também merece que se lhe dê uma olhadela. Depois dirigiu uma outra longa, onde o próprio faz o papel principal, que passou ao lado da crítica e seus Rabinos. Tão bom e intenso como o primeiro mas tristemente olvidado como íconico que, de facto, é, de tal forma que nem consegui encontrar uma merda de um trailer ou um clipezito que o valha!!! Há esta imagem e não digam que vão daqui. Acabou (até à data), o périplo com o inexplicavelmente MAU Crimes do Rio Púrpura, que nem linko por vergonha, e o Gothika, ao qual nem sei como hei-de me referir!!!
Toda a gente lhe conhece a cara. Era o garçon que procurava as fotos por baixo das Photo Booth no Fabuloso Destino de uma Miúda de Olhos Pretos e Dedos Finos. Ao som do senhor que, talvez sem muita pena minha, lhe deu melhor no Adeus, Lenine!
A obra, poucos a desbravaram. É pena! Perde o Cinema, ganham os pseudo-tudo que abrem a goela e acham fantástico qualquer coisa que o Woody Allen defeque!

Este post não tem um fim informativo. É o desespero em ver devolvidos os dois filmes que eram o orgulho da minha colecção de VHS, compradinhos com muito sacrificiozinho na Assírio e Alvim do King (eram caros pá dedéu): La Haine e Assassin(s). Por favor. Eu não vou ficar chateado!!!
Decorria o mui intenso e frutífero ano de 1995. Eu era faculdade, Parreira, Marchante, Fred, Marco, João de Purtmã, Tita, de Vespa com Leanito, de Golf com a Marijuanita, a pé com toda a gente até ao Lagarto e ao Jardim da Ribeira fumá-las até o cérebro fazer tilt... um betinho!
O Mathieu já andava pelos bairros periféricos de Parijdafrânsha a filmar o quotidiano. Realizou La Haine. Isto é a Trailer, isto um clip de autor anónimo, tuga, por sinal, isto outro do género, isto o início, isto uma das melhores partes, com o DJ Cut Killer numa performance. Muita gente pensa ter sido este o primeiro. Foi. Longa-metragem, foi... Já tinha algumas curtas. Como esta e esta, mais fraquita (foi a primeira, ainda na escolinha, tem desculpa, pá), para além do Métisse, para o qual não arranjei clip. Este é um spot de 97 mas que também merece que se lhe dê uma olhadela. Depois dirigiu uma outra longa, onde o próprio faz o papel principal, que passou ao lado da crítica e seus Rabinos. Tão bom e intenso como o primeiro mas tristemente olvidado como íconico que, de facto, é, de tal forma que nem consegui encontrar uma merda de um trailer ou um clipezito que o valha!!! Há esta imagem e não digam que vão daqui. Acabou (até à data), o périplo com o inexplicavelmente MAU Crimes do Rio Púrpura, que nem linko por vergonha, e o Gothika, ao qual nem sei como hei-de me referir!!!
Toda a gente lhe conhece a cara. Era o garçon que procurava as fotos por baixo das Photo Booth no Fabuloso Destino de uma Miúda de Olhos Pretos e Dedos Finos. Ao som do senhor que, talvez sem muita pena minha, lhe deu melhor no Adeus, Lenine!
A obra, poucos a desbravaram. É pena! Perde o Cinema, ganham os pseudo-tudo que abrem a goela e acham fantástico qualquer coisa que o Woody Allen defeque!

Este post não tem um fim informativo. É o desespero em ver devolvidos os dois filmes que eram o orgulho da minha colecção de VHS, compradinhos com muito sacrificiozinho na Assírio e Alvim do King (eram caros pá dedéu): La Haine e Assassin(s). Por favor. Eu não vou ficar chateado!!!
quinta-feira, maio 31, 2007
Tornar
O Quentin Tarantino é, a par de outros que para aqui não interessam, o típico nerd em criança que, precisamente por ser nerd em criança, veio a ser quem é. Talvez seja importante referir já aqui que, ao que a esta pequena dissertação concerne, um nerd é um (demasiado) interessado pelo mundo das artes, tudo o que o rodeia e, muito particularmente, os pequenos submundos que nem chegam a criar órbitas em torno do que se convencionou chamar Arte, particularmente no Cinema e Banda Desenhada (comics ou graphic novels, já que os EUA não têm Banda-Desenhada, conceito MAIOR da 9ª Arte que se aplica apenas à Europa e particularmente França e Bélgica. Meter o Asterix e o Capitão América no mesmo saco é tão ridículo como fazê-lo, em cinema, com o Almodóvar e o Ang Lee). Quando o Quentin Tarantino chega a adulto, recorre ao que constituiu o seu imaginário em petiz e aplica-o da forma que se lhe conhece. Sem pudores nem pruridos. Daí os Kill Bill, que só aqueles que não se deram ao trabalho de analizar a coisa do ponto de vista do seu processo criativo, não estão a ver o Puto Tarantino afundado numa cadeira cossada de uma sala de cinema decrépita numa chinatown qualquer fixando na tela o Bruce Lee, monges de Shaolin e ajustes de contas entre cartéis de Hong Kong ou coisas muito piores, com dobragens amadoras e raports dignos de um TV Rural! Os "Artistas" portugueses nunca o fariam. Ninguém pode "andar com os artistas" correndo o risco de, numa noite de copos, confessar que via o Cantiflas, o Bud Spencer e o Terence Hill, os Gente Gira ou mesmo os Bruce Lee. Já um "eu e o Tozé, quando éramos mais piquenos, experimentámos, e foi bom", não faz tanta mossa, mas isto é apenas um pormenor.
Tudo isto para chegarmos ao Pulp Fiction... A efectivação da adoração do realizador pelo que era a cultura Pulp dos Comic, explicada no início da película. Dick Tracy, Capitão América, Tarzan ou o Fantasma, propositadamente impressos em papel de má qualidade, leitura de casa de banho para um país sem a revista Maria. Tudo isto posto em filme. Com a Banda Sonora perfeita. Os actores perfeitos para desempenharem papéis perfeitos. O próprio Tarantino como Jimmy, que vê a sua casa invadida por Vincent, Julius e um corpo, tudo resolvido por The Wolf, que compensa o incómodo com uma mobília em carvalho "Are you an oak-man, Jimmy"? A ridicularização da violência. O relógio de pulso no cu de todo um clã e que quase ia custando uma sodomização ao último rightful owner, não fosse o "Winnie Minnie Miny Moe" calhar ao Marcellus Wallace! Muito provavelmente, a obra prima do miúdo, se relegarmos para segundo plano o Reservoir Dogs, o True Romance que seu apenas tem o argumento (topa-se a léguas com este Gary Oldman ou estes dois, como só eles imortalizariam a cena - dúvidas em relação ao Christopher Walken? Clique aqui!), ou o The Man From Hollywood do Quatro Quartos e a sua readaptação tarantinesca daquela curta do Hitchcock em que a malta tem que acender um zippo 10 vezes seguidas com o dedo por baixo de um cotelo! Para os mais distraídos mas que "ah, não, eu adoro cinema, vou logo a correr ver o último do Woody", atentem, para a próxima, nos 7 minutos e 38 segundos SEM CORTES! Teatro Filmado!
Pois bem, depois dos trambulhões e cambalhotas (devo ter visto o Jackie Brown em mau dia e tenho, confesso, um odiozinho ao De Niro que tem origem no facto de me parecer que ele "faz" sempre de De Niro), aí vem o GRINDHOUSE. Tal como no From Dusk To Dawn, uma parte do Robert Rodriguez, a outra do Senhor. Uma coisa à séria. À semelhança do Pulp Fiction, readaptar à tela, desta feita, os grindhouses, cinemas rascas com sessões contínuas de filmes rascas, de muito baixo orçamento, sexo explícito, actores dignos de serem jardineiros na Câmara Municipal do Pinhal Novo, violência pela violência, Tarantino no seu melhor!!! E o melhor do Tarantino é, digamos, o melhor!

Lembram-se do que fez o homem pelo Travolta, de quem já NINGUÉM se lembrava? Vamos lá ver o que será ele capaz de fazer pelo Kurt Russel, agora que o John Carpenter já não faz filmes!
Tudo isto para chegarmos ao Pulp Fiction... A efectivação da adoração do realizador pelo que era a cultura Pulp dos Comic, explicada no início da película. Dick Tracy, Capitão América, Tarzan ou o Fantasma, propositadamente impressos em papel de má qualidade, leitura de casa de banho para um país sem a revista Maria. Tudo isto posto em filme. Com a Banda Sonora perfeita. Os actores perfeitos para desempenharem papéis perfeitos. O próprio Tarantino como Jimmy, que vê a sua casa invadida por Vincent, Julius e um corpo, tudo resolvido por The Wolf, que compensa o incómodo com uma mobília em carvalho "Are you an oak-man, Jimmy"? A ridicularização da violência. O relógio de pulso no cu de todo um clã e que quase ia custando uma sodomização ao último rightful owner, não fosse o "Winnie Minnie Miny Moe" calhar ao Marcellus Wallace! Muito provavelmente, a obra prima do miúdo, se relegarmos para segundo plano o Reservoir Dogs, o True Romance que seu apenas tem o argumento (topa-se a léguas com este Gary Oldman ou estes dois, como só eles imortalizariam a cena - dúvidas em relação ao Christopher Walken? Clique aqui!), ou o The Man From Hollywood do Quatro Quartos e a sua readaptação tarantinesca daquela curta do Hitchcock em que a malta tem que acender um zippo 10 vezes seguidas com o dedo por baixo de um cotelo! Para os mais distraídos mas que "ah, não, eu adoro cinema, vou logo a correr ver o último do Woody", atentem, para a próxima, nos 7 minutos e 38 segundos SEM CORTES! Teatro Filmado!
Pois bem, depois dos trambulhões e cambalhotas (devo ter visto o Jackie Brown em mau dia e tenho, confesso, um odiozinho ao De Niro que tem origem no facto de me parecer que ele "faz" sempre de De Niro), aí vem o GRINDHOUSE. Tal como no From Dusk To Dawn, uma parte do Robert Rodriguez, a outra do Senhor. Uma coisa à séria. À semelhança do Pulp Fiction, readaptar à tela, desta feita, os grindhouses, cinemas rascas com sessões contínuas de filmes rascas, de muito baixo orçamento, sexo explícito, actores dignos de serem jardineiros na Câmara Municipal do Pinhal Novo, violência pela violência, Tarantino no seu melhor!!! E o melhor do Tarantino é, digamos, o melhor!

Lembram-se do que fez o homem pelo Travolta, de quem já NINGUÉM se lembrava? Vamos lá ver o que será ele capaz de fazer pelo Kurt Russel, agora que o John Carpenter já não faz filmes!
segunda-feira, abril 16, 2007
Outros Lugares que Sabem Bem
Cuentan que hace mucho, mucho tiempo en el reino subterráneo, donde no existen la mentira ni el dolor vivía una princesa que soñaba con el mundo de los humanos. Soñaba con el cielo azul, la brisa suave y el brillante sol. Un día, burlando toda vigilancia, la princesa escapó. Una vez en el exterior la luz del sol la cegó y borró de su memoria cualquier indicio del pasado. La princesa olvidó quien era, de donde venía... Su cuerpo sufrió frío, enfermedad y dolor. Y al correr de los años...
...murió.
Sin embargo su padre el rey, sabía que el alma de la princesa regresaría, quizá en otro cuerpo, en otro tiempo y en otro lugar, y el la esperaría hasta su último aliento.
Hasta que el mundo dejara de girar.
O Labirinto do Fauno está disponível, versão pirata, em qualquer mercado municipal, Feira dos Ciganos ou Mac de um amigo que tenha uma talega de megas à borla para descarregar da net. Melhor ainda: sem aquela seca do "você nunca roubaria uma mala, um carro, etc, etc, etc), que nem sequer dá para fazer fast forward.
Um continho de fadas para adultos (os contos de fadas "normais" não se passam durante o pós-Guerra Civil de Espanha), porque já precisávamos de uma injecçãozinha de sensibilidade pela espinal-medula abaixo!
...murió.
Sin embargo su padre el rey, sabía que el alma de la princesa regresaría, quizá en otro cuerpo, en otro tiempo y en otro lugar, y el la esperaría hasta su último aliento.
Hasta que el mundo dejara de girar.
O Labirinto do Fauno está disponível, versão pirata, em qualquer mercado municipal, Feira dos Ciganos ou Mac de um amigo que tenha uma talega de megas à borla para descarregar da net. Melhor ainda: sem aquela seca do "você nunca roubaria uma mala, um carro, etc, etc, etc), que nem sequer dá para fazer fast forward.
Um continho de fadas para adultos (os contos de fadas "normais" não se passam durante o pós-Guerra Civil de Espanha), porque já precisávamos de uma injecçãozinha de sensibilidade pela espinal-medula abaixo!
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