sexta-feira, março 06, 2009

Al Mada

Ir ao barbeiro é um dever tão penoso como assistir aos Sinos de Corneville representado plos velhinhos do Asilo da Mendicidade. Apesar disto o senhor Barbosa pedia a barba bem escanhoada porque depois do jantar ia ao Asilo da Mendicidade ouvir os velhinhos cantar os Sinos de Corneville e que o Presidente da República também ia.


O génio de Almada Negreiros nunca esteve sujeito a quaisquer unidades de medida. E não vai ser agora...
Ora vejamos: Ah, O Manifesto Anti-Dantas é Bom/Menos Mau/Assim-assim.
Eu: Olha, filho, faz-te o toque rectal com um eucalipto, sim?
Ou: Mas que exímia capacidade de ironia, que chama de inteligência mais óbvia.
Eu: Hé pá chupa-te com ganas de moçoila do Poço do Borratém em atender o próximo, tá bem?

O perfume penetrante da sua alma raffiné não passava através do quimono de crepe da China. O seu ar não era de modéstia, tinha era uma maneira parada de se existir pra fora.


Mestre Almada era uma Supernova numa Via Láctea UHT Ultra-Pasteurizada.
E foi um Buraco Negro de Estrela Maior Que Tudo quando nos deixou.
E deixou-nos tanto! Repare-se que, de pintura, sei tanto quanto o Metro de Lisboa sabe de História de Portugal, a avaliar pelo que sofreu, às suas mãos, a Baixa Pombalina. De artes plásticas cure quem quiser. Eu refiro-me, apenas, ao que Almada escrevia. E, no que a isso toca, não tem, por enquanto, pai.

Tudo nela tinha um limite de grande saldo ou de abatimentos por motivo de obras. A não ser os olhos que tinham uma cintilação meridional de beira-mar com dramas de marujos daqui a alguns anos, a sua boca e o seu nariz e toda a sua proporção tinham uma bitola resumida que nem dá direito a reforma.


Exigiu, por exemplo, uma Pátria que o merecesse.
Tinha razão.
Hoje, a maior parte de nós tem a Pátria que merece.
Não o Almada.
Nem eu!

7 comentários:

Master Of The Wind disse...

Fogo Diaz,

Primeiro a margem do rio, depois as pessoas, o governo, o país!!!! Daqui a pouco não existe mundo à tua altura.

Inconstante disse...

essa insatisfação, não consigo compreender...

Zorze disse...

Por acaso a brochura do meu trabalho abre com um texto lindíssimo sobre a criança e a cor aos olhos do Almada!

1entre1000's disse...

senão fossem as 3 ultimas frases deste post, teria este post direito a um lugar no meu TOP 5 deste blog... mas o final arruinou-o... lamentavelmente senhor das letras!... (empurrar o cabelo pra traz da orelha, baixar a cabeça - sair da sala)

rosa disse...

ao ver a foto... lembrei-me dos petiscos do NANA, conheces?

El Mariachi disse...

ahahahah por acaso não! ÓpÁ!!!! Ensina o dIAZ, vá!

rosa disse...

tas a ver a rotunda com o reservatorio de água lá ao fundo?

viras à direita em u e depois à esquerda, desces e pimbas! nana's place, pestiscos à lá gardére!

há de tudo!