Não lhes concedo genialidade.
Porque há muito por onde escolher, dentro desta linha sonora.
Embora nem tenha a certeza que essa possa ser estabelecida com exactidão.
Ainda assim, é injusto que tivessem ficado na história recente, com floreados MTVianos, por
aqui e
aqui.
Muito porque, ao contrário de tanto que por aí há (e, curiosamente - ou não, produz legiões de cegos seguidores), os Peter Björn and John não permitem que, ouvindo um ou outro tema, se chegue à essência da coisa.
Aliás, nenhum disco (e já lá vão CINCO) consegue ser desvendado à primeira.
Agarra porque há sempre uma faixa mais
lalala cha la la, mas há que ter curiosidade e ouvido mole para que, da próxima, não passemos directamente para esse tema... deixar, pois, a coisa correr.
Aí, caríssimos, começam as surpresas.
Há sempre um
pling, um
fong, um
blén bléng ou um
pi da da du que desperta os sentidos para além do imediatismo.
E, quando assim é, vale sempre a pena.
O
Writer's Block deu-lhes, já depois do álbum homónimo (2002) e um curioso
Falling Out (2005), a tal projecção que não foi para além do
lalala cha la la, de que falava acima, em relação ao
Young Folks...
Depois, veio um dos mais sanguinários golpes que uma música pode sofrer... ser parte de um anúncio de televisão (aliás, já choro pela Santogold e as
suas Trident de melancia)...
Foi, assim, mais que natural que poucos dessem conta do
Seaside Rock do ano passado. Talvez fosse experimentalista demais, talvez poucos estejam, nos tempos que correm, virados para álbuns instrumentais, talvez ninguém tenha paciência para contos populares suecos... em sueco!?
Eu cá... estou contente porque está aí o
Living Things.
Não é assim uma alegria de gritar a plenos pulmões, de bradar a tudo e todos, de querer partilhar a todo o custo... essa, nunca me enganou, é a encapuçada de outra coisa que, se não é antónima, lá perto anda...
Esta é uma daquelas
joys bem maneirinha, proporcionadita, de estampar um sorriso que mais indaga que promete.
Partilho, porém.
Porque é
bonito.