terça-feira, março 31, 2009

Eu, que sou de Almada, sempre achei que os Barreirenses eram gajos de SORTE!

Estou que nem posso!!!

"O baterista dos Xutos & Pontapés, Kalu, partiu o pé no final da gravação do spot da Optimus no último Domingo. Como tal, a banda foi obrigada a cancelar os concertos acústicos no Barreiro e em Ílhavo, agendados para 4 e 9 de Abril respectivamente. O novo disco da banda, homónimo, é editado na próxima segunda-feira", in Diário Digital.

Queria mesmo ir ao hospital escrever no gesso, com um marcador bem grosso, CALEM-SE DE UMA VEZ POR TODAS!!!

Sim, estou a pedi-las, mas enfim...

Quanto mais trabalho com muitas mulheres juntas, mais percebo porque é que o ditado não é...

... zangam-se os COMPADRES, descobrem-se as verdades!!!

segunda-feira, março 30, 2009

O Desastre!

Comprei a Playboy para ter o n.º 1 da edição portuguesa desse objecto de culto global. Como quem fica com a primeira garrafa de Coca Cola vendida em território nacional (1979), ou o último Independente ou A Capital. São marcos.
E estou longe de ser gajo para desculpar-me com as grandes entrevistas ou artigos de fundo que, de facto, sempre teve. Cresci com a Playboy brasileira por baixo da cama.
E cedo aprendi que as grandes celebridades (do tempo em que também eu via novelas) como a Betty Faria ou a Bruna Lombardi eram, afinal, mulheres como as outras todas. Isso ajudou-me para a vida. Mas também me ajudaram as tais grandes entrevistas, na edição americana, a aprender inglês, por exemplo. E a revista, em si, a criar gosto pelo objecto Revista. Aquela que não se deita fora. Uma outra literatura. Razão pela qual é nisso que trabalho. Na pior altura, claro, mas com gosto. E amor. Sei, portanto, do que falo daqui em diante.

Esqueçam o assunto que está sobre a mesa: A Mónica Sofia é ou não digna de ser Playmate? Quaisquer opiniões serão regidas por gostos pessoais. E o(s) problema(s) com a Playboy portuguesa NÃO É ESSE!!!!

Ponto 1 - A Arte Gráfica da coisa JÁ ESTÁ FEITA. É a da Playboy, ponto. Não há lugar para grandes invenções. O que deixa claro que SERIA impossível ESTRAGAR algo que já existe. Os letterings nos títulos, por exemplo, são desastrosos e o seu efeito roça o ridículo! Há planos, como sejam o do Chocolate e o da Viagem, que são comparáveis a um qualquer produto da Impala, o que já não será bom, mas dos anos 80, que é pior.

Ponto 2 - A revisão é tão INEXISTENTE como o provará a minha desistência, à contabilização "redonda" de 26 palavras partidas de uma linha para a outra entre "l" e "h" ou "n" e "h".

Ponto 3 - Ana Anes, que é minha amiga, e Nuno Markl, que não conheço de lado nenhum, têm o dever, como cronistas, de exigir respeito pelo seu trabalho, o que nos leva ao ponto seguinte...

Ponto 4 - Conheço um sem número de pessoas no meio, de profissionalismo, qualidades e zelo inquestionáveis, que mandaram currículos. Como já vai sendo costume, nem um auto-reply a dizer Vai dar banho ao cão, que isto é para filhos, os enteados que se foxtrotem. O resultado está à vista!

Ponto 5 - Não se pense que eu me dou valor que permita a alguém achar que o acima é de ter em conta. Acho, porém, que quem trabalha na Playboy portuguesa (e estou a falar de quem toma as decisões), se tem em grande conta.

Mas num país onde qualquer administrador dava um dono de fábrica de sapatos de Guimarães qualquer, onde qualquer director de qualquer coisa dava um employee of the month de um qualquer Burguer King... as coisas são por demais óbvias!!! E perfeitamente desanimadoras.

A Playboy tuga, meus caros, é sintomática.

E não é NADA mais!

quinta-feira, março 26, 2009

Paizinho... Não Vendas o Magalhães

Poderia ser o título do novo hit de Quim Barreiros, com vista à digressão de Verão pelas aldeolas onde os avecs bíndus da Francha matam saudades do morangueiro e os seus filhos exibem a indumentária de hip hopper que se usa muito, este ano, nos subúrbios de Paríje...
Não é!

"Magalhães podem estar a ser vendidos no mercado negro.
O computador Magalhães é entregue aos alunos do primeiro ciclo em regime de propriedade plena e alguns professores já alertaram para casos em que os portáteis podem já não estar com as crianças e ter sido cedidos ou até vendidos".

In Semanário SOL

Deixemo-nos, cidadãos (e não povo, que esse é um conceito Maior, meus palhaços, e não tem a ver com quem paga impostos e veste a melhor camisa para ir votar) de preocupações com o crescendo de imigrantes ilegais e comecemos a considerar, à séria, o quão africanos e sul-americanos nos tornámos. Pena é que ainda não tenhamos o refinamento daqueles: Aquela coisa de linchar empresários que despedem ou raptar os seus filhos. Naaaaa... por hora, ainda somos aquela cambada de mariconeros que marcha pela baixa da capital, gritando... sem uma pilhagem, sem canhões de água para dispersar os meliantes, apenas gritando... palavras de ordem mui ofensivas, tipo Sócrates Patife... enquanto Eles, lá dentro daquela sala com frescos setecentistas no tecto, riem a bandeiras despregadas sem que a justiça divina intervenha, sequer, para que se engasguem e asfixiem, MORRAM com um gole do melhor whisky de malte!!!

Envergonho-me, cada vez mais!

quarta-feira, março 25, 2009

After the Party

Penso que não há lenda da música cuja estória não tenha sido escamoteada em filme, livro ou documentário.
Mas este facto só o é porque Nick Cave não se inclui no saco.
É Lenda, mas só para alguns.
Porque não é fácil, reconheço.
Eu tenho uma relação muito especial com o legado do Senhor.
E tenho-o como maior que os outros todos porque, enfim, Thom Yorke e Jarvis Cocker ainda não têm idade para estar no mesmo patamar icónico.
Haveria, no entanto, lugar à exploração da história caveiana sem sequer ser necessário romancear o que o levou aos dias de hoje com uma obra tão consistente como impossível de ignorar, se bem que numa vereda paralela (e por vezes bem afastada) à contemporaneidade do rock (ou lá o que seja).
Sucintamente, os Birthday Party vieram de Melbourne para Londres a fim de dar alguns concertos a uma audiência que ainda não assumira o desapego ao punk para estar a levar com pós-punk. O resultado foi muita fominha e heroína até que, um belo dia (ou não, tendo em conta que falamos de Londres), mais propriamente uma noite de 1983, no Electric Balroom, Cave abre com o agora mítico brado (que abre o tema Sonny's Burning) Hands Up Who Wants to Die e pouco menos de mil braços na sala obedecem, abrindo alas para a indelével imagem de um pregador da verdade, muitas vezes demoníaca, que o Australiano Mestre ainda hoje carrega em ombros.
Foi o pouco que faltava para os quatro objectos que se seguiriam e que eu considero obrigatórios na discografia de quem é, no mínimo, interessado... porque é uma qualidade humana que inviabiliza quaisquer preferências e preconceitos.
São pois From Her To Eternity (1984), The Firstborn Is Dead (1985), Kicking Against The Pricks (1985) e Your Funeral, My Trial (1986), que daqui a mais ou menos um mês estarão nas lojas, remasterizados.
É uma excelente oportunidade para se ter acesso a um oásis que brilhou, a par com outros (poucos), nesse deserto criativo que foram os 80's.
Para quem dispõe de uma mente suficientemente aberta, será óbvio que os primeiros álbuns de Nick Cave And The Bad Seeds eram, pois, semente de algo grandioso.
Os mais sensíveis não poderão evitar o arrepio na espinha produzido ora pelos incontornáveis efeitos de Blixa Bargel, ora pelas guitarras de Mick Harvey, ora pelo avassalador lirismo do piano ou Hammond de Cave, suas letras transpostas de todo um imaginário (bem) presente de E O Burro Viu O Anjo, e, claro, a sua voz, mensageira de algo Maior, como se o Apocalipse estivesse marcado para quando a agulha se erguesse do vinil preto, imagem derradeira antes do FIM!

terça-feira, março 24, 2009

Na Loja do Mestre dIAZ, há conselhos que valem oiro...

Desde o seu último álbum, é favor entregarem uma faca a cada um dos The Killers, a ver se eles fazem jus ao nome, e partam para outra.
Quem pode ser esta!

segunda-feira, março 23, 2009

Stockholm, 2009 Again

Não lhes concedo genialidade.
Porque há muito por onde escolher, dentro desta linha sonora.
Embora nem tenha a certeza que essa possa ser estabelecida com exactidão.
Ainda assim, é injusto que tivessem ficado na história recente, com floreados MTVianos, por aqui e aqui.
Muito porque, ao contrário de tanto que por aí há (e, curiosamente - ou não, produz legiões de cegos seguidores), os Peter Björn and John não permitem que, ouvindo um ou outro tema, se chegue à essência da coisa.
Aliás, nenhum disco (e já lá vão CINCO) consegue ser desvendado à primeira.
Agarra porque há sempre uma faixa mais lalala cha la la, mas há que ter curiosidade e ouvido mole para que, da próxima, não passemos directamente para esse tema... deixar, pois, a coisa correr.
Aí, caríssimos, começam as surpresas.
Há sempre um pling, um fong, um blén bléng ou um pi da da du que desperta os sentidos para além do imediatismo.
E, quando assim é, vale sempre a pena.
O Writer's Block deu-lhes, já depois do álbum homónimo (2002) e um curioso Falling Out (2005), a tal projecção que não foi para além do lalala cha la la, de que falava acima, em relação ao Young Folks...
Depois, veio um dos mais sanguinários golpes que uma música pode sofrer... ser parte de um anúncio de televisão (aliás, já choro pela Santogold e as suas Trident de melancia)...
Foi, assim, mais que natural que poucos dessem conta do Seaside Rock do ano passado. Talvez fosse experimentalista demais, talvez poucos estejam, nos tempos que correm, virados para álbuns instrumentais, talvez ninguém tenha paciência para contos populares suecos... em sueco!?
Eu cá... estou contente porque está aí o Living Things.
Não é assim uma alegria de gritar a plenos pulmões, de bradar a tudo e todos, de querer partilhar a todo o custo... essa, nunca me enganou, é a encapuçada de outra coisa que, se não é antónima, lá perto anda...
Esta é uma daquelas joys bem maneirinha, proporcionadita, de estampar um sorriso que mais indaga que promete.
Partilho, porém.
Porque é bonito.

quinta-feira, março 19, 2009

Terceiro Mundo

Mariachito: Feliz dia do Pai, pai!
dIAZ: Muito obrigado, filho...
Mariachito: Tenho uma p'enda para ti, qués vêre, queres?
dIAZ (desembrulhando a coisa): Óóóóóó... um cinzeiro a dizer "Não fumes que eu não gosto", muito bonito, ó Dias!!!
Mariachito: Gostaste, pai?
dIAZ: Sim, filho, adorei, muito obrigado.
Mariachito: Atão agora é Dia do Filho, tá bem?
dIAZ: Sim, tá bem...
Mariachito: Onde tá a minha p'enda?

E é por isto que não vou logo para o trabalho. O dia sorri e demanda um café na praia. Só eu, a malta na apanha da cadelinha (conquilha, condelipa), os joggers e as canastas de robalos de mar, lulas e besugos. Só depois me porei ao caminho, arriba acima, nacional abaixo, via rápida a direito, aaaaaahhhhh, este vento na cara... Ops... Uma fila de carros com o pirilampo azul sobre o tejadilho, parada nas portagens da ponte? Ignoro-os e, como sempre, avanço pelo traço até ficar, junto aos portageiros, entre duas filas. Tiro o multibanco e oiço, ao meu lado, um jovem de bóina preta que, no lugar do pendura de uma carrinha branca com o tal pirilampo no tejadilho, transporta PSP's de colete anti-bala rodeando uma família cigana:
Jovem de Boina Preta Eximiamente Barbeado Mas Nem Por Isso Com Melhor Ar: É melhor meter aí para a direita, Sr. Civil!
dIAZ: Mas esta portagem é pagamento exclusivo ViaCard!!!
E eis que há um senhor, grisalho, que escala e salta sobre os bancos, vindo dos lugares traseiros, grunhindo, qual Dorso Prateado do pelotão, e senta-se onde estava o Jovem de Boina Preta Eximiamente Barbeado Mas Nem Por Isso Com Melhor Ar, que entretanto foi para trás. Fica em silêncio.
dIAZ (respeitosamente): Peço desculpa, mas não posso passar aí pela frente para pagar na outra portagem?
Velhote com Óculos Escuros à Kraftwerk Que Acentuam o Ar de Frequentador da Tasca do Zé Mau a Jogar à Bisca dos 9 Até Ser Horas De Ir Pra Casa Exigir O Jantar Àquela Puta: Não, não pode que isto é uma coluna militar, espera aí como todos os outros Civis.
dIAZ: Coluna militar? Mas o senhor não é PSP?
Velhote com Óculos Escuros à Kraftwerk Que Acentuam o Ar de Frequentador da Tasca do Zé Mau a Jogar à Bisca dos 9 Até Ser Horas De Ir Pra Casa Exigir O Jantar Àquela Puta: Tá calado, pá! Maizó caralho!
dIAZ (mete Vespa no descanso e sai para ir à janela do cabrão com mais ar aciganado que os outros que transportava): Ooooooollláááááá! Vai-me dar um tiro, é? Veja lá!
Velhote com Óculos Escuros à Kraftwerk Que Acentuam o Ar de Frequentador da Tasca do Zé Mau a Jogar à Bisca dos 9 Até Ser Horas De Ir Pra Casa Exigir O Jantar Àquela Puta: Mas tás-me a provocar, é?
dIAZ: Não, estou a exigir o respeito para com quem lhe vê tirado da Segurança Social para pagar o teu ordenado e o rendimento mínimo dos que vão aí dentro. A mim, deves-me reverência, e só não te peço para te ajoelhares porque não confio na sanidade mental de bófias com armas.
Ele tira a arma do coldre, coloca-a em cima do tabliê e sai de peito inchado. Cá fora, o dIAZ para-o com o cartão de jornalista em frente aos óculos escuros à Kraftwerk e encena o telefonema Tou, manda uma equipa de reportagem à Praça das Portagens da Ponte, que temos abertura pró Jornal da Noite... De dentro da carrinha, a ciganada agita-se e um dos aciganados mas com farda grita Ó Brás, larga lá o rapaz e vamos embora, quéssa merda já tá a chamar a atenção.
Velhote com Óculos Escuros à Kraftwerk Que Acentuam o Ar de Frequentador da Tasca do Zé Mau a Jogar à Bisca dos 9 Até Ser Horas De Ir Pra Casa Exigir O Jantar Àquela Puta: (levanta os óculos escuros à Kraftwerk): Filho da puta!
dIAZ: Para ti, meu cabrão, é Senhor Patrão!
A Portageira, Uma Velha Conhecida Que Já Nem Me Pergunta Se Quero Recibo (quando lhe estendo o cartão, visivelmente nervoso): Hoje não pagas, meu filho, e se lhe tivesses cuspido na cara não pagavas amanhã!


quarta-feira, março 18, 2009

Estes Brunos Damas que me perseguirão até final dos meus dias...

O recém-admitido na firma vem por trás do meu lugar e, numa derradeira tentativa de haurir simpatias, observando o artigo que eu estou a finalizar, já em Quark, larga um Aaaahhhhh, Nice, França! Nice tem esse nome porque havia lá uma portuguesa que lavava escadas que se chamava Eunice e era muito gira. Fez-se silêncio... daqueles mesmo MUITO incómodos. E dou por mim a ter saudades do tempo em que se faziam psicotécnicos!

Quando conheci Sergei, o montenegrino...

... tomei-o apenas como um Bom Homem.
Seguíamos por uma Belgrado intransitável como qualquer capital europeia que a NATO não decidira bombardear durante 90 noites seguidas, dentro desse tanque-de-guerra-em-tempos-de-Paz que era aquele Volvo gigantesco e antigo, mas que se destacava de entre os Zastavas, Yugos e outras coisas que andavam a motor de Fiat 127.
Eu olhava, pela janela, esta exótica forma de estar nos Balcãs, sob 40ºC, este orgulho sérvio que, para mim, sempre se explicará, também, pela beleza das mulheres, estas margens de rio Sava que se une, em denso arvoredo, ao majestoso Danúbio, estes prédios que sobraram desse início de Séc. XX, quando esta cidade rivalizava com Paris em ditames da moda, estes estranhos aglomerados de tubos, puxados a motor ou a cavalo, transportando famílias ciganas numa ambiência Kusturicana só aqui possível, este cheiro a pimentos assados que entra pela janela, esta cacofonia de tubas e trombones e trompetes e saxos e clarinetes que passa em todas as estações FM...
Sergei ia relatando esse maldito período da sua vida em que, por ser licenciado, foi nomeado sargento ao comandando de um pelotão que serviu, na pior altura, em Vukovar. Deram-lhe toda a espécie de drogas para que encorajasse os seus 60 homens a atirar sobre tudo o que mexesse e se parecesse com Croatas ou Muçulmanos, ele recolheu todos na floresta e racionou os psicotrópicos para que, apesar de tudo, não fosse disparado um só tiro. Conseguiu-o, durante um ano. Depois disso, é para mim uma incógnita. E, por aqui, cedo se percebe que há assuntos que não se abordam.
E foram esses silêncios, esporádicos, que me fizeram perceber que tinha, à minha frente, não o designer gráfico Sergei, mas o Serdar Janko Vukotiç, ele próprio, o único e último homem do Montenegro clássico, orgulhosamente resistente...