sexta-feira, setembro 18, 2009
Indágora cheguei...
... e já estou de partida. Prometo que, depois de Bangkok, volto em grande. Entretanto, as férias em Milfontes, esse retorno à infância e adolescência, na casa de sempre, imutável, deram alguns frutos!
terça-feira, setembro 08, 2009
POEMA DE IR DE FÉRIAS
Tenho a vida por um fio
AZUL
rasga-me a boca um sorriso
AMARELO
grito por socorro
VERMELHO
na
VERDE
esperança de um dia tê-lo.
Agitam-se os dias em aurora boreal
policromático
TEMPO
que resta
sentado num trono
CARMIM
comanda-me esse
e o outro que passou
sou agora de um
SALMÃO
deslavado
mas terei sempre, JURO
textura de CETIM!
TOCA-ME, URSA!
AZUL
rasga-me a boca um sorriso
AMARELO
grito por socorro
VERMELHO
na
VERDE
esperança de um dia tê-lo.
Agitam-se os dias em aurora boreal
policromático
TEMPO
que resta
sentado num trono
CARMIM
comanda-me esse
e o outro que passou
sou agora de um
SALMÃO
deslavado
mas terei sempre, JURO
textura de CETIM!
TOCA-ME, URSA!
sexta-feira, setembro 04, 2009
City Cricket / Country Boy
Praça dos Restauradores.
Em frente ao posto dos CTT.
Ao lado do quiosque.
Do lado do Condes.
Do Hard Rock Café, perdão!
Por entre carros, SUV's, furgonetas, camiNHonetas, motociclos, velocípedes com motor, subsequentes buzinadelas e ronronares de motorização, falas das gentes, gritos dos infantes, música das janelas, telemóveis a tocar, zumbidos de néones, Country Boy consegue distinguir...
... um grilo!
Num mundo de cimento e alcatrão cri cri
Sargetas de águas fétidas sshh sshh cri cri
Calçadas de pastilhas derretidas ao sol e pisadas por transeuntes cloc cloc cri cri
Ruas negras de óleo de motor vrum vrum cri cri
Tampas de esgoto infecto sob os carros que passam clang clang cri cri...
... há, entre tudo isto, reduzidos círculos.
Como ilhas ao contrário num mar poluto.
Desenhados a compasso-de-cortar-calçada-portuguesa.
Onde pouca terra alimenta tímidas acácias e olaias e plátanos que urram por socorro nesse verde grito das árvores das cidades.
Mas o cinzentismo do humanus citadinus obliquos é surdo.
E o cri cri vem deste enfezado álamo curvado ao peso de maleitas múltiplas.
Apenas detectáveis por quem passa como todos deveriam passar por Lisboa.
De olhar erguido.
Country Boy aproxima-se.
Ela também.
Está em cima, na copa, no tronco, diz ela e outro que a eles se junta.
Os grilos estão sempre no chão, diz Country Boy, que aproxima a mão ligeira para que City Cricket denuncie a sua localização, silenciando-se. Fá-lo.
Agora é pessoal.
Country Boy perscruta a erva que cobre a terra, feita de minúsculos trevos, mirrados, agonizantes de fumos e pouco sol. City Cricket continua em silêncio. Ela e o outro continuam a teimar que o som vinha da copa. Mas City Boy já viu o orifício na casca da árvore, onde insere uma palha, batalha final insecto/homem que está, à partida, ganha. City Cricket salta, por fim, em pânico, e City Boy apressa-se a agarrá-lo para o recolocar naquele tão diminuto domínio de terra e ervas e árvore que nem para um grilo chega! Não adianta, já lá vai. E corre para uma morte quase certa! E tudo para que City Boy pudesse provar... nada!
Como quase tudo o que fez na vida...
Em frente ao posto dos CTT.
Ao lado do quiosque.
Do lado do Condes.
Do Hard Rock Café, perdão!
Por entre carros, SUV's, furgonetas, camiNHonetas, motociclos, velocípedes com motor, subsequentes buzinadelas e ronronares de motorização, falas das gentes, gritos dos infantes, música das janelas, telemóveis a tocar, zumbidos de néones, Country Boy consegue distinguir...
... um grilo!
Num mundo de cimento e alcatrão cri cri
Sargetas de águas fétidas sshh sshh cri cri
Calçadas de pastilhas derretidas ao sol e pisadas por transeuntes cloc cloc cri cri
Ruas negras de óleo de motor vrum vrum cri cri
Tampas de esgoto infecto sob os carros que passam clang clang cri cri...
... há, entre tudo isto, reduzidos círculos.
Como ilhas ao contrário num mar poluto.
Desenhados a compasso-de-cortar-calçada-portuguesa.
Onde pouca terra alimenta tímidas acácias e olaias e plátanos que urram por socorro nesse verde grito das árvores das cidades.
Mas o cinzentismo do humanus citadinus obliquos é surdo.
E o cri cri vem deste enfezado álamo curvado ao peso de maleitas múltiplas.
Apenas detectáveis por quem passa como todos deveriam passar por Lisboa.
De olhar erguido.
Country Boy aproxima-se.
Ela também.
Está em cima, na copa, no tronco, diz ela e outro que a eles se junta.
Os grilos estão sempre no chão, diz Country Boy, que aproxima a mão ligeira para que City Cricket denuncie a sua localização, silenciando-se. Fá-lo.
Agora é pessoal.
Country Boy perscruta a erva que cobre a terra, feita de minúsculos trevos, mirrados, agonizantes de fumos e pouco sol. City Cricket continua em silêncio. Ela e o outro continuam a teimar que o som vinha da copa. Mas City Boy já viu o orifício na casca da árvore, onde insere uma palha, batalha final insecto/homem que está, à partida, ganha. City Cricket salta, por fim, em pânico, e City Boy apressa-se a agarrá-lo para o recolocar naquele tão diminuto domínio de terra e ervas e árvore que nem para um grilo chega! Não adianta, já lá vai. E corre para uma morte quase certa! E tudo para que City Boy pudesse provar... nada!
Como quase tudo o que fez na vida...
terça-feira, setembro 01, 2009
The Journey
Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei
Traze tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue! Verdadeiro, encarnado!
Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.
José de Almada Negreiros
No dia 28 de Setembro, uma sexta-feira para que conste, dIAZ vai à Bica com um grande Como Quem Não Quer a Coisa estampado na testa. E bebe comedidamente e fala, por telefone, com Cláudia, amiga e companheira e disponibilizadora de apontamentos das aulas de Relações Internacionais e confissora de ombro de choro de desamores almadenses e sorriso do tamanho do mundo e tudo e tudo de há 15 anos para cá. Que é, para que conste, também, uma vida. E que estava lá em cima, em frente ao Maria Caxuxa. A Cláudia, não a vida. E o dIAZ sobe e encontra-a, mais a Inês, que é também toda sorrisos perpétuos, e outras três amigas que lutavam, com afinco, com as palhinhas das Caipirinhas e Oskas e Ões e coisas com laranja ou limão e laranja e limão ao mesmo tempo e morangos e uma história qualquer do Ah e tal afinal já não há morangos vão ter que esperar / Mas esperar quanto tempo? Foram buscar os morangos / Não, não vai haver mais morangos / Então vamos esperar para quê ou lá o que era! Beberrica aqui, cervejola ali, Bica again, mais não sei quantas histórias e risadas e coisas e gargalhadas de faltar o ar e as miúdas estão felizes porque vão para a Tailândia dia 24 de Setembro (A Cláudia é habitué... lembro-me de uma tshirt que me trouxe com o logo do detergente Tide em caracteres Thai, ainda eu tinha abdominais e vestia o M e ficava bem). E depois vão ao Laos e ainda descem à Malásia. A Inês vai andar por lá dois meses. Ou seja, também eu estaria feliz. Ou seja, estou feliz porque ainda se fazem amizades em idade de consolidar outras. Ou, no caso de alguns, perder as que se fizeram no caminho!
Na segunda-feira o dIAZ chega à redacção e recebe a notícia... Vai para a Tailândia dia 22 de Setembro...
Cláudia: tuuuut... tuuuuuuuuuuut... tuuuuuuuuuuuut... Tou sim?
dIAZ - Cláudia, estou lá uns dias antes, quando chegares liga, ok?
Cláudia - Ok... conheço uns sítios do melhor em Bangkok!
dIAZ - BOUA!
Cláudia - Mas olha lá... de 150 países para ires e entre 365 dias para escolher...
dIAZ - Não é tão bom quando o Universo conspira a nosso favor?
PEDIDO DE DESCULPAS acompanhado de devida JUSTIFICAÇÃO
o dIAZ, poeta sensacionista do mORPHEU e Narciso do Egipto, vem por este meio pedir Mil e Uma DESCULPAS aos seus leitores (cerca de 2) por este longo interrégno que é, por definição, um longo intervalo entre dois reinados. Resta-me esperar que este desaparecimento de D. Sebastião não signifique, pois, que para aí venha um Felipe (Felipe II, em Espanha) armado em reformador.
Referirei apenas, e julgo que baste, que a minha inspiração está, neste momento, num nível a que nós, os verdadeiros artistas, chamamos de Badaróiano.
Para fazer mal, estou quieto.
E, tantas tantas vezes, quietinho é que se está bem.
Vejamos:
Da próxima que vos for oferecida uma sempre bem-vinda sessão de sexo oral (com happy ending, em gíria de anúncios nas centrais do 24Horas), experimentem contrariar os quase espásmódicos golpes de anca acompanhando o delicioso linguarejar em torno da glande (ou seja, fiquem mazé quietinhos) e vão ver a diferença!
PIM!
Referirei apenas, e julgo que baste, que a minha inspiração está, neste momento, num nível a que nós, os verdadeiros artistas, chamamos de Badaróiano.
Para fazer mal, estou quieto.
E, tantas tantas vezes, quietinho é que se está bem.
Vejamos:
Da próxima que vos for oferecida uma sempre bem-vinda sessão de sexo oral (com happy ending, em gíria de anúncios nas centrais do 24Horas), experimentem contrariar os quase espásmódicos golpes de anca acompanhando o delicioso linguarejar em torno da glande (ou seja, fiquem mazé quietinhos) e vão ver a diferença!
PIM!
quinta-feira, agosto 27, 2009
dIAZ MAU presents...
quarta-feira, agosto 26, 2009
Um dia destes...
... fizeram-me uma pergunta norte-americana. Daquelas que aparecem nos Facebooks e Hi5's para que os outros saibam um pouco mais sobre nós. Acho que é um exercício necessário, já que se opõe aos verdadeiros intuitos de sociabilização entre indivíduos de uma das "culturas" mais shallow deste mundo. Que se espelham na incontornável primeira pergunta quando alguém nos apresenta outro alguém: So, what do you do for a living? Não interessa a idade, se trata da higiene íntima, se depila as axilas com cera ou à gillette, se o Herman José continuaria a ter piada se os Gato Fedorento não tivessem surgido, qualquer coisa. Não. Interessa, antes de mais, de tudo o mais, saber qual a profissão. Foi a maneira mais simpática que os fellow citizens dos estates arranjaram para que possam saber, imediatamente, qual é o nível de ordenado daquele que estão a conhecer e, logo, se é ou não companhia que valha a pena integrar no círculo de amigos.
Quais os filmes da tua vida? Ups... não é fácil. Vê-se tanta coisa e tantos marcam que... é quase impossível. Há os que passam e não entram nunca. Há os que não entram num dia, por alguma razão e, anos mais tarde, PIM. Há os que nos deixaram apáticos durante os três dias seguintes ao visionamento. Há os que nos fazem comprar discos, os que nos alegram, os que nos contagiam de lamechice barata, os que nos inundam de erudição cara, sei lá!
Lembrei-me que, por essas e outras razões, poderia não conseguir nunca enumerar um Top Ten, nem Twenty, talvez nem One Hundred mas, neste caso, só por questões de ordenamento por grau de preferência. O Amarcord do Fellini ficaria antes ou depois do Feios, Porcos e Maus do Scolla (ou Brutti Sporchi e Cattivi porque gosto MESMO deste título em italiano)? O Pulp Fiction em 34.ª posição ou essa pertenceria ao Trainspotting porque o Tempo de Ciganos o faria andar uma posição? E se o Gato Preto, Gato Branco estaria algures por aí, que lugar da lista seria reservado para o Underground, o La Haine, o Delicatessen, o Homem Elefante, A Laranja Mecânica ou o Goodbye Lenine? E os documentários... contam? E os diálogos dentro dos filmes, como o Amor à Queima-Roupa, com argumento de Quentin Tarantino mas cuja realização coube a um rookie qualquer?
E muita coisa se prova quando, por exemplo, hoje, AINDA mal das costas e, logo, de carro para Lisboa, oiço a RADAR a anunciar um grande tema dos Chemical e penso Uau, isto só pode ser um bom sinal mas, afinal, e bem a propósito, era o The Pills Won't Help You Now!!! Olha, obrigadinho, sim? Se calhar mudo mesmo para o Voltaren, já agora estouro com o estômago também e a música continua they're probably poisoning your body Ui, está cada vez melhor!
Decido, então, e por mera piada, ir ao youtube para ver que filmes estariam relacionados com este tema. SURPRESA: Este e este. E penso logo Ok, se não me lembrei destes dois, é melhor desistir mesmo da tal dIAZ's List Of Best Moovies Ever, sob risco de fugir à minha própria verdade!
E se há coisa que não quero é isso! Isso e esta PUTA desta Espondilose ou lá o que seja!
Quais os filmes da tua vida? Ups... não é fácil. Vê-se tanta coisa e tantos marcam que... é quase impossível. Há os que passam e não entram nunca. Há os que não entram num dia, por alguma razão e, anos mais tarde, PIM. Há os que nos deixaram apáticos durante os três dias seguintes ao visionamento. Há os que nos fazem comprar discos, os que nos alegram, os que nos contagiam de lamechice barata, os que nos inundam de erudição cara, sei lá!
Lembrei-me que, por essas e outras razões, poderia não conseguir nunca enumerar um Top Ten, nem Twenty, talvez nem One Hundred mas, neste caso, só por questões de ordenamento por grau de preferência. O Amarcord do Fellini ficaria antes ou depois do Feios, Porcos e Maus do Scolla (ou Brutti Sporchi e Cattivi porque gosto MESMO deste título em italiano)? O Pulp Fiction em 34.ª posição ou essa pertenceria ao Trainspotting porque o Tempo de Ciganos o faria andar uma posição? E se o Gato Preto, Gato Branco estaria algures por aí, que lugar da lista seria reservado para o Underground, o La Haine, o Delicatessen, o Homem Elefante, A Laranja Mecânica ou o Goodbye Lenine? E os documentários... contam? E os diálogos dentro dos filmes, como o Amor à Queima-Roupa, com argumento de Quentin Tarantino mas cuja realização coube a um rookie qualquer?
E muita coisa se prova quando, por exemplo, hoje, AINDA mal das costas e, logo, de carro para Lisboa, oiço a RADAR a anunciar um grande tema dos Chemical e penso Uau, isto só pode ser um bom sinal mas, afinal, e bem a propósito, era o The Pills Won't Help You Now!!! Olha, obrigadinho, sim? Se calhar mudo mesmo para o Voltaren, já agora estouro com o estômago também e a música continua they're probably poisoning your body Ui, está cada vez melhor!
Decido, então, e por mera piada, ir ao youtube para ver que filmes estariam relacionados com este tema. SURPRESA: Este e este. E penso logo Ok, se não me lembrei destes dois, é melhor desistir mesmo da tal dIAZ's List Of Best Moovies Ever, sob risco de fugir à minha própria verdade!
E se há coisa que não quero é isso! Isso e esta PUTA desta Espondilose ou lá o que seja!
terça-feira, agosto 25, 2009
PAIN THE HORROR PAIN THE HORROR PAIN x INFINITO!
Num momento, o dIAZ está na praia.
A correr atrás de Mariachito e Tiaggen Dazz, primo-irmão daquele. A olhar para o biquini engraçado e que assenta bem. A encher de beijos o afilhado Daniel que chega para espalhar charme e sorrisos. A fumar depois do mergulho, virado para os primeiros raios de sol, que passam de tímidos a intensos num ápice.
No outro, o dIAZ está deitado na areia.
A dor é excruciante. Não me consigo mexer. As pessoas dizem que ouviram um estalo enorme. Eu não. Apenas tudo branco. Os olhos cheios de lágrimas. Nem um dedo consigo mexer, naquele momento. Nada. Penso em tudo o que tenho e poderei deixar de ter. Brincar com o meu filho, mandá-lo ao ar, andar de bicicleta, jogar à bola às Quartas depois do trabalho, andar na Gioconda. Mariachito quer dar beijinhos no dói-dói do pai. Acha que é uma borbulha ali, na omoplata. Digo-lhe que sim. Mas choro. É tudo o que consigo fazer. Isso e reparar se sinto as pernas, os dedos dos pés.
No dia seguinte, o dIAZ vai ao massagista.
Recomendado por muitos. O lugar? Não sei. Algures na Trafaria. Quinta da Corvina. Antigo Bairro da Pentelheira. Uma estrada de terra batida digna de uma prova de rally qualquer que eu conheceria se fosse apreciador. Que desemboca num ermo onde uma única casa se avista. É essa. Patos, galinhas, gatos e cães por todo o lado. Entro, por entre calendários da Nossa Senhora de Fátima e chouriços pendurados. O homem foi massagista do Belenenses. Mas em 1947. Tem 83 anos, sei mais tarde. Já foi operado às cataratas. Isso não o impede de me puxar por uma perna até que as lágrimas me voltem a saltar, em bica. Saio torto. Estou pior. Mas conheci mais um Portugal que, estando a 15 minutos de Lisboa, me pareceu, a todo o momento, Carrazeda de Montenegro.
A correr atrás de Mariachito e Tiaggen Dazz, primo-irmão daquele. A olhar para o biquini engraçado e que assenta bem. A encher de beijos o afilhado Daniel que chega para espalhar charme e sorrisos. A fumar depois do mergulho, virado para os primeiros raios de sol, que passam de tímidos a intensos num ápice.
No outro, o dIAZ está deitado na areia.
A dor é excruciante. Não me consigo mexer. As pessoas dizem que ouviram um estalo enorme. Eu não. Apenas tudo branco. Os olhos cheios de lágrimas. Nem um dedo consigo mexer, naquele momento. Nada. Penso em tudo o que tenho e poderei deixar de ter. Brincar com o meu filho, mandá-lo ao ar, andar de bicicleta, jogar à bola às Quartas depois do trabalho, andar na Gioconda. Mariachito quer dar beijinhos no dói-dói do pai. Acha que é uma borbulha ali, na omoplata. Digo-lhe que sim. Mas choro. É tudo o que consigo fazer. Isso e reparar se sinto as pernas, os dedos dos pés.
No dia seguinte, o dIAZ vai ao massagista.
Recomendado por muitos. O lugar? Não sei. Algures na Trafaria. Quinta da Corvina. Antigo Bairro da Pentelheira. Uma estrada de terra batida digna de uma prova de rally qualquer que eu conheceria se fosse apreciador. Que desemboca num ermo onde uma única casa se avista. É essa. Patos, galinhas, gatos e cães por todo o lado. Entro, por entre calendários da Nossa Senhora de Fátima e chouriços pendurados. O homem foi massagista do Belenenses. Mas em 1947. Tem 83 anos, sei mais tarde. Já foi operado às cataratas. Isso não o impede de me puxar por uma perna até que as lágrimas me voltem a saltar, em bica. Saio torto. Estou pior. Mas conheci mais um Portugal que, estando a 15 minutos de Lisboa, me pareceu, a todo o momento, Carrazeda de Montenegro.
sexta-feira, agosto 21, 2009
"dúia láik dágs"? - Brad Pitt as Mickey O'Neil, to Tommy (Stephen Graham), in Snatch
Mariachito ama cães.
Lembro-me de ter levado Oscar Tobias J&B Adolfo dIAZ, com as tripas de fora depois de uma dentadinha de carinho do rotweiller lá da rua, ao hospital veterinário e dizer-lhe, no caminho, Não morras meu ganda cabrão, o Gabriel está quase a nascer e quero vê-lo a brincar contigo, ouviste? Ele gemia, mas cumpriu. E Gabriel desfrutou da sua companhia, dias e dias a fio, até já articular, na perfeição, que aquela primeira estrela a aparecer no céu era o Óscar com a bola na boca, à espera que ele a tirasse e mandasse para longe...
Não há melhor despertar para Mariachito que uma dose (cuidadosamente racionada) de desenhos-animados a beber iogurte líquido de frutos silvestres, a comer um croissant do LIDL com manteiga Milhafre, vestir a muda que o pai escolheu (se for a t-shirt dos Ramones... é o delírio), dizer-me Bolas pai, essa roupa fica-te bem e, logo a seguir, descer para a rua em direcção ao café onde o Duque, um pitbull salvo das lutas nos areais da Trafaria, espera-o já de barrigana para o ar, lambendo-se em delícia antecipada.
Hoje, o costume. Eu a beber café e ele sentado ao lado do bicho, passando-lhe a mão na peitaça com a displicência de quem o faz rotineiramente. Passamos para o outro lado da rua, onde costuma estar o resto da canzoada em passeio matinal, uns pela trela, outros não, e ei-lo: o retriever de ar aparvalhado que, todos os dias, e assim que o vê, corre em sua direcção para se sentar, muito direito, pose de cão de exposição, à sua frente. Mariachito acha que ele é a sua vassoura electrónica, porque de cada vez que lhe passa a mão pela cabeça, o bicho abana o rabo, varrendo as folhas do passeio. Normalmente, é esta a única interacção destes dois. Mas hoje, extraordinariamente, a atenção do animal dirige-se para algo que se move por entre as roseiras do canteiro. Num salto, afugenta um pardal, ainda juvenil, que terá caído do ninho nos plátanos acima ou tentava ensaiar os primeiros voos. Mau timming. Já não vou a tempo de evitar que o loirinho lhe ponha a pata em cima com a violência suficiente para que, quando eu o pouse na palma da mão, já tenha iniciado aquele característico e gradual pender de pescoço. Gabriel, faz uma festa ao pardalito. O puto estica o indicador. Olha, pai, está a fechar os olhos! Penso rápido Vai dormir, filho. Ele continua a passar o dedito pela cabeça da cria Posso dar-lhe o beijinho da boa noite?
Deixo-o junto da palmeira e afastamo-nos...
Ó pai! Tu estás a enganar-me... ele não foi dormir, foi para as estrelinhas, ter com o Óscar!
Lembro-me de ter levado Oscar Tobias J&B Adolfo dIAZ, com as tripas de fora depois de uma dentadinha de carinho do rotweiller lá da rua, ao hospital veterinário e dizer-lhe, no caminho, Não morras meu ganda cabrão, o Gabriel está quase a nascer e quero vê-lo a brincar contigo, ouviste? Ele gemia, mas cumpriu. E Gabriel desfrutou da sua companhia, dias e dias a fio, até já articular, na perfeição, que aquela primeira estrela a aparecer no céu era o Óscar com a bola na boca, à espera que ele a tirasse e mandasse para longe...
Não há melhor despertar para Mariachito que uma dose (cuidadosamente racionada) de desenhos-animados a beber iogurte líquido de frutos silvestres, a comer um croissant do LIDL com manteiga Milhafre, vestir a muda que o pai escolheu (se for a t-shirt dos Ramones... é o delírio), dizer-me Bolas pai, essa roupa fica-te bem e, logo a seguir, descer para a rua em direcção ao café onde o Duque, um pitbull salvo das lutas nos areais da Trafaria, espera-o já de barrigana para o ar, lambendo-se em delícia antecipada.
Hoje, o costume. Eu a beber café e ele sentado ao lado do bicho, passando-lhe a mão na peitaça com a displicência de quem o faz rotineiramente. Passamos para o outro lado da rua, onde costuma estar o resto da canzoada em passeio matinal, uns pela trela, outros não, e ei-lo: o retriever de ar aparvalhado que, todos os dias, e assim que o vê, corre em sua direcção para se sentar, muito direito, pose de cão de exposição, à sua frente. Mariachito acha que ele é a sua vassoura electrónica, porque de cada vez que lhe passa a mão pela cabeça, o bicho abana o rabo, varrendo as folhas do passeio. Normalmente, é esta a única interacção destes dois. Mas hoje, extraordinariamente, a atenção do animal dirige-se para algo que se move por entre as roseiras do canteiro. Num salto, afugenta um pardal, ainda juvenil, que terá caído do ninho nos plátanos acima ou tentava ensaiar os primeiros voos. Mau timming. Já não vou a tempo de evitar que o loirinho lhe ponha a pata em cima com a violência suficiente para que, quando eu o pouse na palma da mão, já tenha iniciado aquele característico e gradual pender de pescoço. Gabriel, faz uma festa ao pardalito. O puto estica o indicador. Olha, pai, está a fechar os olhos! Penso rápido Vai dormir, filho. Ele continua a passar o dedito pela cabeça da cria Posso dar-lhe o beijinho da boa noite?
Deixo-o junto da palmeira e afastamo-nos...
Ó pai! Tu estás a enganar-me... ele não foi dormir, foi para as estrelinhas, ter com o Óscar!
quarta-feira, agosto 19, 2009
WE'RE ALL THE FUCKEN SAME... For God's Sake ADMIT IT!
Parte 1
A Colega de Trabalho
Queres ir almoçar comigo ao Colombo, diz ela com um leve sorriso, não sei o que brilha mais, se os lábios se os dentes que aparecem, timidamente, por trás dessa moldura rococó. Preciso de ir ao Colombo e preciso de companhia e as pestanas, longas, negras, batem quando pisca os olhos e fazem flap flap ou flanf flanf ou plim plim sei lá, estou confuso.
Mas vou!
E paramos em frente à loja da INTIMISSIMI e dá-me um arrepio. E ela sussura, ou julgo eu, porque quando ela fala parece-me que geme e quando está zangada parece-me gritar Estou-me a vir, cabrão, ou Não pares agora, por aí, uma coisa assim. É aqui, preciso que me ajudes a escolher uma coisa e não sei se me sinta o amigo gay ou um nerd de colarinho apertado (sim, eu sei, agora é fashion) a ajudar um ceguinho a atravessar a passadeira embora esteja com vontade de ser o bully que dá sapas ao monglóide da rua, perco a força nas perninhas, ai merda, dIAZ, já foste!
Mas entro!
Então, fica-me bem? e os seios que saltam da copa abaixo e a celulite que não há em duas nádegas da Vincianas, com o brilho do mármore, e uma púbis que, a existir, se veria por baixo do tecido transparente e os pés que de menina que nunca andou descalça. hé pá, fica mais ou menos e o suor que pinga, e o calor do provador e esta Chiquita que era para a sobremesa e me esqueci de tirar do bolso se calhar esse soutien fica melhor com os boxers ou então com aquelas brancas que fazem lembrar as meínhas de renda que as meninas levavam para a Feira de São Mateus. Ela replica Ou Venda das Raparigas. Eu também Tás comprada!
PARTE 2
O Colega de Faculdade que Agora é Grande Amigo
Queres ir almoçar comigo ao Colombo, diz ele com aquele ar bonacheirão de quem já está a pensar na sandosha de leitão com um copito de vinho branco geladinho e um café na zona central para fumadores Preciso de ir ao Colombo.
E vou
E paramos à porta do AKI e percorre-me logo o arrepio de quem sabe que percorrerá corredores e corredores de material que poderia transformar a minha casa de velhos em algo que invejasse a colecção da AREA.
Mas entro.
Achas que esta máquina de rebites é alguma coisa de jeito? e eu só oiço velhos a dizer que a aparfusadora não aparafusa nada, e os empreiteiros a dizer que o cimento-cola não cola... ou não cimenta, ou lá o que é!
E então? Achas que aqui há polish? Ou isso é ali no Continente? Eu, assumindo o cliché que está prestes a sair-me, dobro as sobrancelhas e digo, pausadamente, para não denotar alguma irritação Não queres que te vá ajudar a escolher uma lingerizinha, também?
A Colega de Trabalho
Queres ir almoçar comigo ao Colombo, diz ela com um leve sorriso, não sei o que brilha mais, se os lábios se os dentes que aparecem, timidamente, por trás dessa moldura rococó. Preciso de ir ao Colombo e preciso de companhia e as pestanas, longas, negras, batem quando pisca os olhos e fazem flap flap ou flanf flanf ou plim plim sei lá, estou confuso.
Mas vou!
E paramos em frente à loja da INTIMISSIMI e dá-me um arrepio. E ela sussura, ou julgo eu, porque quando ela fala parece-me que geme e quando está zangada parece-me gritar Estou-me a vir, cabrão, ou Não pares agora, por aí, uma coisa assim. É aqui, preciso que me ajudes a escolher uma coisa e não sei se me sinta o amigo gay ou um nerd de colarinho apertado (sim, eu sei, agora é fashion) a ajudar um ceguinho a atravessar a passadeira embora esteja com vontade de ser o bully que dá sapas ao monglóide da rua, perco a força nas perninhas, ai merda, dIAZ, já foste!
Mas entro!
Então, fica-me bem? e os seios que saltam da copa abaixo e a celulite que não há em duas nádegas da Vincianas, com o brilho do mármore, e uma púbis que, a existir, se veria por baixo do tecido transparente e os pés que de menina que nunca andou descalça. hé pá, fica mais ou menos e o suor que pinga, e o calor do provador e esta Chiquita que era para a sobremesa e me esqueci de tirar do bolso se calhar esse soutien fica melhor com os boxers ou então com aquelas brancas que fazem lembrar as meínhas de renda que as meninas levavam para a Feira de São Mateus. Ela replica Ou Venda das Raparigas. Eu também Tás comprada!
PARTE 2
O Colega de Faculdade que Agora é Grande Amigo
Queres ir almoçar comigo ao Colombo, diz ele com aquele ar bonacheirão de quem já está a pensar na sandosha de leitão com um copito de vinho branco geladinho e um café na zona central para fumadores Preciso de ir ao Colombo.
E vou
E paramos à porta do AKI e percorre-me logo o arrepio de quem sabe que percorrerá corredores e corredores de material que poderia transformar a minha casa de velhos em algo que invejasse a colecção da AREA.
Mas entro.
Achas que esta máquina de rebites é alguma coisa de jeito? e eu só oiço velhos a dizer que a aparfusadora não aparafusa nada, e os empreiteiros a dizer que o cimento-cola não cola... ou não cimenta, ou lá o que é!
E então? Achas que aqui há polish? Ou isso é ali no Continente? Eu, assumindo o cliché que está prestes a sair-me, dobro as sobrancelhas e digo, pausadamente, para não denotar alguma irritação Não queres que te vá ajudar a escolher uma lingerizinha, também?
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