A vida já é suficientemente difícil... e tu tinhas que ter esses lábios?
quarta-feira, dezembro 15, 2010
segunda-feira, novembro 15, 2010
What Happened?
O que aconteceu às waffers Elba, as com recheio de morango, limão, ananás mas, principalmente, e temo que todos terão de concordar comigo nisto, as de chocolate? O que aconteceu à Maluca da Mouraria, a que se lavava por baixo na fonte do mercado, por entre a multidão a comprar alhos roxos ou pêros bravo de esmolfe e depois seguia com a sua vida, que era, basicamente, ameaçar pessoas ao acaso com uma pedra da calçada na mão? O que aconteceu aos filmes de Domingo à tarde com doces clichés que depois guardávamos para poder esfregar na cara da namorada que dizia É melhor darmos um tempo, como We can't stop the one we love from going. If, one day, it comes back, it's broken? O que aconteceu às Sloggy de algodão a cheirar a Omo? O que aconteceu à Ana Zanati? O que aconteceu ao dizer poesia aos Sábados à tarde, com um copo de vinho em frente, para uma pequena audiência realmente interessada? O que aconteceu à confiança no que se escreve, saber que todo o sentimento impresso é o suficiente e torna tudo à prova de críticas destrutivas? O que aconteceu às castanhas atiradas para a lareira num fim de tarde em que não apetece sair? O que aconteceu às tardes de feriado abraçados no sofá sem a mínima vontade de ir ver o amigos? O que aconteceu às máquinas de gelados, das de fazer um caracol sobre o cone, à porta dos cafés da Costa de Caparica? O que aconteceu às enguias do Seixal? O que aconteceu aos corvos em gaiolas à porta das tascas lisboetas, todos chamados Vicente? O que aconteceu aos The Pogues? O que aconteceu ao cheiro dos cadernos novos? O que aconteceu às maçãs que sabiam, realmente, a maçã? O que aconteceu ao acreditar que, um dia, as coisas poderão mesmo resolver-se? O que aconteceu, dIAZ? O que TE aconteceu?
terça-feira, novembro 02, 2010
Estória de EMBALhAR...
Julgo que QUASE todos os pais passam pelo suplício que é a "fase" em que as crianças adquirem o início daquilo que será, futuramente, o denominado Humor Jabardolas. Contando que este não refina, apenas apura o nível da obscenidade, optei por tomar as devidas medidas enquanto a coisa não passa do "xixi", "cocó" e "peido", ainda que, de forma obviamente incómoda, estes vocábulos sejam proferidos, na maioria das vezes, à mesa. Sabendo que, na impossibilidade de vencê-LO, mais valeria juntar-se a ELE, o dIAZ põe agora o Mariachito a nanar com um estória de encantar inventada por ele. A coisa teve tanto sucesso, texto e ilustrações, que o dIAZ decidiu partilhar convosco, meus TRÊS (3) leitores assíduos.
A Improvável Vida da Remela Joana
Pág. 1 - Gabriel acordava, todos os dias (menos ao Sábado), com muito sono. Por muito que, na noite anterior se lhe dissesse Tens que te ir deitar senão acordas com muito sono, ele pedia sempre Mais um bocadinho, inventando mil e uma desculpas para continuar a correr pela casa com as Meias de Andar Descalço.
Pág. 2 - De manhã, os lençóis da cama pareciam ter cola. Ou seria de estarem quentinhos? Gabriel virava-se para o lado esquerdo quando o pai dizia Acorda, filho e rebolava para o lado direito quando a mãe dizia Pssssst. Depois, esfregava um pouco os olhos e, ainda antes de abri-los, tirava as remelas, enrolando-as entre os dedos. Depois, deitava-as fora.
Pág. 3 - Naquela manhã, porém, Gabriel sentiu que a remela do seu olho esquerdo tinha algo de especial. Em primeiro lugar, porque era maior e mais dura que as do costume. Depois, porque o pai disse Deixa-me ver e ele só pedia isso em relação aos macacos do nariz, aos quais chamava burriés, coisa que o Gabriel achava estranha por ser o mesmo nome que tinham aqueles caracóis do mar que costumavam apanhar nas poças das rochas de Vila Nova de Milfontes e Praia do Malhão.
Pág. 4 - Gabriel e o pai olharam atentamente para a remela e acharam que esta era, na verdade, especial. Era uma bela remela. Parecia mesmo olhar para eles e sorrir, como que pedindo Por favor, não se desfaçam de mim. Guardem-me. Fiquem comigo. Eu adoro-vos. Gabriel e o pai olharam um para o outro, sorriram e disseram, quase ao mesmo tempo Vamos chamar-te Joana. A remela sorriu e aninhou-se entre os dedos do Gabriel, para dormir, porque as remelas são como as corujas, dormem de dia e à noite passeiam-se pelas pálpebras das pessoas.
Pág. 5 - Às escondidas da mãe, que normalmente tinha nojo destas coisas, guardaram a Remela Joana na caixa de um anel, sobre um pouco de algodão, para que se sentisse quentinha e confortável. Deitaram-na com muito cuidado para não a acordar e cada um deu-lhe um beijinho, dos doces, como os do Gabriel. Depois, o pai foi trabalhar e o Gabriel foi para a escolinha, que era o trabalho dele.
Pág. 6 - Ao abrir a porta, o pai despediu-se Bom karaté, filho. Chego a horas de jogarmos um jogo e o Gabriel respondeu Ok, pai. Trabalha bem. Fecha a porta devagar para não acordares a Joana. Parecia, pois, um dia normal. Mas ambos sabiam que tinham, agora, uma remela muito especial para cuidar com carinho.
Pág. 7 - O dia passou devagar, porque normalmente os dias em que apetece chegar a casa depressa passam mais devagar. Gabriel só pensava na Joana e na hora em que iria revê-la, dar-lhe abraços e fazer-lhe cócegas. Ao vê-lo a olhar o vazio, a educadora perguntou-lhe Em que estás a pensar? ao que ele respondeu Na minha remela que deixei em casa. Ela abriu os olhos, muito espantada, e exclamou Blééérgh.
Pág. 8 - À tarde, e como de costume, o avô dIAZ e a avó Natália foram buscar o netinho querido. Gabriel apressou-se a contar-lhes a boa nova e gritou, já no carro Ó avó e avô, eu tenho uma remela que se chama Joana e está guardada numa caixinha para eu brincar com ela quando chegar a casa. Os avós olharam para ele e disseram, os dois ao mesmo tempo Bléééérgh.
Pág. 9 - Quando a mãe chegou a casa dos avós, o Gabriel não lhe disse nada, sabendo que devia guardar segredo. Mas os avós não conseguiram fazer o mesmo e disseram Ó Marta, sabias que o Gabriel tem uma remela guardada em casa? A mãe olhou para ele, abriu muito os olhos e exclamou Bleeeeeergh.
Pág. 10 - Quando chegaram a casa, o Gabriel correu para a caixinha, abriu-a e Joana disse, enfurecida, Estava a ver que nunca mais. Estou à tua espera há uma eternidade, com a sua voz muito aguda. Gabriel disse-lhe Desculpa, amiguinha, mas eu tenho que ir para a escola e não te posso levar porque as pessoas têm muito nojo de ti. Joana olhou muito séria para o seu dono e começou a chorar. Sinto-me tão sozinha, soluçou. Gabriel fez-lhe uma festa na cabeça, mesmo por cima do seu cabelo amarelo esverdeado, e tentou confortá-la Estou certo de que o meu pai vai arranjar uma solução para isso.
Pág. 11 - Gabriel ouviu a porta da rua fechar e correu para o pai, dando-lhe um enorme e forte abraço, à homem, com palmadinhas nas costas e tudo. Pai, a Joana está muito triste porque se sente muito sozinha, disse. Foram os dois falar com ela. Assim que o pai abriu a caixinha, ouviu a triste remela a chorar, um choro muito esganiçado. Então, pequena, porque choras?, perguntou.
Pág. 12 - A Joana respondeu, muito zangada Estou muito sozinha, é horrível. O meu dono Gabriel disse que tu tinhas uma solução para isto. O pai sorriu, olhou para o filho e viu que também ele estava a ficar triste. Foi então que o pai levantou a camisola, escarafunchou o umbigo e retirou de lá uma bolinha de cotão. Tinha uns grandes olhos e um sorriso enorme. Depositou-a ao lado da Joana e o cabeludo amigo apressou-se a apresentar-se Olá! O meu nome é João Cotão. E o teu?, Remela Joana, respondeu ela, enxugando as lágrimas. Foi amor ao primeiro nojo!
Pág. 13 - Ramela Joana e João Cotão casaram e foram muito felizes. Fizeram uma bonita casa dentro da caixinha. Até tinham uma televisão com o Disney Channel, o Canal Panda e o Toy Story 3. Às vezes, de manhã, o Gabriel depositava lá outra remela. E outra. E ainda outra. Mas nunca mais houve uma que fosse tão boa e grande e dura como a Joana. O pai seguia o exemplo e, às vezes, quando chegava a casa, punha na caixinha mais uma ou outra bolinha de cotão, que era sempre da cor da camisola que vestia. Em pouco tempo, a caixinha tornou-se uma casa feliz e alegre, cheia de bolinhas de cotão a brincar e remelas a cantar e a jogar às escondidas. João e Joana foram felizes para sempre e nunca mais ninguém lhes disse Bleeeeergh. Muitos anos depois, Gabriel descobriu porque é que as pessoas tinham tanto nojo de remelas e burriés. Porque, quando se é crescido, chamamos-lhes "excreção". E isso é, realmente, um nome muito feio. Joana é muito mais bonito. Martim é beto, diz o pai.
A Improvável Vida da Remela Joana
Pág. 1 - Gabriel acordava, todos os dias (menos ao Sábado), com muito sono. Por muito que, na noite anterior se lhe dissesse Tens que te ir deitar senão acordas com muito sono, ele pedia sempre Mais um bocadinho, inventando mil e uma desculpas para continuar a correr pela casa com as Meias de Andar Descalço.
Pág. 2 - De manhã, os lençóis da cama pareciam ter cola. Ou seria de estarem quentinhos? Gabriel virava-se para o lado esquerdo quando o pai dizia Acorda, filho e rebolava para o lado direito quando a mãe dizia Pssssst. Depois, esfregava um pouco os olhos e, ainda antes de abri-los, tirava as remelas, enrolando-as entre os dedos. Depois, deitava-as fora.
Pág. 3 - Naquela manhã, porém, Gabriel sentiu que a remela do seu olho esquerdo tinha algo de especial. Em primeiro lugar, porque era maior e mais dura que as do costume. Depois, porque o pai disse Deixa-me ver e ele só pedia isso em relação aos macacos do nariz, aos quais chamava burriés, coisa que o Gabriel achava estranha por ser o mesmo nome que tinham aqueles caracóis do mar que costumavam apanhar nas poças das rochas de Vila Nova de Milfontes e Praia do Malhão.
Pág. 4 - Gabriel e o pai olharam atentamente para a remela e acharam que esta era, na verdade, especial. Era uma bela remela. Parecia mesmo olhar para eles e sorrir, como que pedindo Por favor, não se desfaçam de mim. Guardem-me. Fiquem comigo. Eu adoro-vos. Gabriel e o pai olharam um para o outro, sorriram e disseram, quase ao mesmo tempo Vamos chamar-te Joana. A remela sorriu e aninhou-se entre os dedos do Gabriel, para dormir, porque as remelas são como as corujas, dormem de dia e à noite passeiam-se pelas pálpebras das pessoas.
Pág. 5 - Às escondidas da mãe, que normalmente tinha nojo destas coisas, guardaram a Remela Joana na caixa de um anel, sobre um pouco de algodão, para que se sentisse quentinha e confortável. Deitaram-na com muito cuidado para não a acordar e cada um deu-lhe um beijinho, dos doces, como os do Gabriel. Depois, o pai foi trabalhar e o Gabriel foi para a escolinha, que era o trabalho dele.
Pág. 6 - Ao abrir a porta, o pai despediu-se Bom karaté, filho. Chego a horas de jogarmos um jogo e o Gabriel respondeu Ok, pai. Trabalha bem. Fecha a porta devagar para não acordares a Joana. Parecia, pois, um dia normal. Mas ambos sabiam que tinham, agora, uma remela muito especial para cuidar com carinho.
Pág. 7 - O dia passou devagar, porque normalmente os dias em que apetece chegar a casa depressa passam mais devagar. Gabriel só pensava na Joana e na hora em que iria revê-la, dar-lhe abraços e fazer-lhe cócegas. Ao vê-lo a olhar o vazio, a educadora perguntou-lhe Em que estás a pensar? ao que ele respondeu Na minha remela que deixei em casa. Ela abriu os olhos, muito espantada, e exclamou Blééérgh.
Pág. 8 - À tarde, e como de costume, o avô dIAZ e a avó Natália foram buscar o netinho querido. Gabriel apressou-se a contar-lhes a boa nova e gritou, já no carro Ó avó e avô, eu tenho uma remela que se chama Joana e está guardada numa caixinha para eu brincar com ela quando chegar a casa. Os avós olharam para ele e disseram, os dois ao mesmo tempo Bléééérgh.
Pág. 9 - Quando a mãe chegou a casa dos avós, o Gabriel não lhe disse nada, sabendo que devia guardar segredo. Mas os avós não conseguiram fazer o mesmo e disseram Ó Marta, sabias que o Gabriel tem uma remela guardada em casa? A mãe olhou para ele, abriu muito os olhos e exclamou Bleeeeeergh.
Pág. 10 - Quando chegaram a casa, o Gabriel correu para a caixinha, abriu-a e Joana disse, enfurecida, Estava a ver que nunca mais. Estou à tua espera há uma eternidade, com a sua voz muito aguda. Gabriel disse-lhe Desculpa, amiguinha, mas eu tenho que ir para a escola e não te posso levar porque as pessoas têm muito nojo de ti. Joana olhou muito séria para o seu dono e começou a chorar. Sinto-me tão sozinha, soluçou. Gabriel fez-lhe uma festa na cabeça, mesmo por cima do seu cabelo amarelo esverdeado, e tentou confortá-la Estou certo de que o meu pai vai arranjar uma solução para isso.
Pág. 11 - Gabriel ouviu a porta da rua fechar e correu para o pai, dando-lhe um enorme e forte abraço, à homem, com palmadinhas nas costas e tudo. Pai, a Joana está muito triste porque se sente muito sozinha, disse. Foram os dois falar com ela. Assim que o pai abriu a caixinha, ouviu a triste remela a chorar, um choro muito esganiçado. Então, pequena, porque choras?, perguntou.
Pág. 12 - A Joana respondeu, muito zangada Estou muito sozinha, é horrível. O meu dono Gabriel disse que tu tinhas uma solução para isto. O pai sorriu, olhou para o filho e viu que também ele estava a ficar triste. Foi então que o pai levantou a camisola, escarafunchou o umbigo e retirou de lá uma bolinha de cotão. Tinha uns grandes olhos e um sorriso enorme. Depositou-a ao lado da Joana e o cabeludo amigo apressou-se a apresentar-se Olá! O meu nome é João Cotão. E o teu?, Remela Joana, respondeu ela, enxugando as lágrimas. Foi amor ao primeiro nojo!
Pág. 13 - Ramela Joana e João Cotão casaram e foram muito felizes. Fizeram uma bonita casa dentro da caixinha. Até tinham uma televisão com o Disney Channel, o Canal Panda e o Toy Story 3. Às vezes, de manhã, o Gabriel depositava lá outra remela. E outra. E ainda outra. Mas nunca mais houve uma que fosse tão boa e grande e dura como a Joana. O pai seguia o exemplo e, às vezes, quando chegava a casa, punha na caixinha mais uma ou outra bolinha de cotão, que era sempre da cor da camisola que vestia. Em pouco tempo, a caixinha tornou-se uma casa feliz e alegre, cheia de bolinhas de cotão a brincar e remelas a cantar e a jogar às escondidas. João e Joana foram felizes para sempre e nunca mais ninguém lhes disse Bleeeeergh. Muitos anos depois, Gabriel descobriu porque é que as pessoas tinham tanto nojo de remelas e burriés. Porque, quando se é crescido, chamamos-lhes "excreção". E isso é, realmente, um nome muito feio. Joana é muito mais bonito. Martim é beto, diz o pai.
sexta-feira, outubro 29, 2010
A pedido de VÁRIOS gourmands e imbuído de um espírito de PURO ALTRUÍSMO...
... o dIAZ vai revelar, agora e abaixo, um segredo mui bem guardado. Que faz, há mais de dez (10) anos, as delícias de alguns pRiViLeGiAdOs convivas...
Dificuldade - Média
Tempo de Preparação - 30min.
Tempo de Execução - 2h (mínimo)
Serve - 6 pessoas
Pairing de Vinhos - Tintos encorpados, de preferência com Alicante Bouschet a pelo menos 30% (ligeiramente frio) ou Brancos Fortes com estágio em madeira (fresco).
LISTA DE COMPRAS
Poderá pensar-se que é preciosismo, mas uma ida ao Martim Moniz é de ABSOLUTA importância. Escolha de entre os supermercados Popat Store (C.C. Mouraria, Loja 251-252), Hua Ta Li (Rua Fernandes da Fonseca, 16) e Coentrolis (Poço do Borratém, n.º 23 e 24) ou dirija-se aos três se cada um deles não tiver TODOS os ingredientes: 1 Barra de creme de coco | 1 Embalagem de caril Tikka elaborado na Popat Store | 1 Saquinho de cardamomo | 1 Saquinho de cominhos | 1 Saquinho de folhas de caril | 1 Saquinho de malaguetas frescas mistas (verdes e vermelhas) | 1 500gr de Arroz Basmati da última colheita (quanto mais novo, mais perfumado) | 2 Cebolas roxas firmes | 1 Cabeça de alhos roxos | 1 Embalagem de ghee (manteiga clarificada) | 3 Ramos de coentros COM RAIZ | 1 Raiz de gengibre fresco.
Os ingredientes adicionais passíveis de ser comprados em qualquer outro lugar são: 1 Frango e 1/2 (de preferência, galinha) cortado em pedaços médios | 1 Limão | 1 Litro de leite meio gordo | 1 Pimento
Sal, Pimenta Preta e um pau de canela.
O Caril
1. Temperar o frango numa tigela alta, de um dia para o outro, como sal, limão e uma colher de sopa de pó de caril. Tapar com um pano.
2. Refogar, num tacho alto (preferencialmente, de alumínio) duas colheres de sopa de ghee com as cebolas picadas, dois dentes de alho esmagados, duas ou três malaguetas mistas picadas com as sementes, pimenta preta moída no momento, algumas tiras de gengibre fresco, o pau de canela e deixar ferver um pouco.
3. Juntar o frango com o pimento cortado em pedaços médios e mexer para que todo o frango fique ligeiramente cozinhado.
4. Juntar mais uma ou duas colheres de pó de caril, mexa mais uma vez e junte o leite até que cubra cerca de 3/4 do frango. Tempere com sal, tape e deixe a cozinhar durante uma hora com o lume no mínimo.
5. Destape, mexa, e deixe por mais 30 minutos, para que o molho reduza.
6. Prove, rectifique de sal e pó de caril e junte o creme de coco. Quando este derretar, mexa outra vez e aguarde 15 minutos.
7. Desligue o lume e pique coentros frescos (raiz incluída) por cima.
NOTA: Esta receita deve ser elaborada SEMPRE com o lume no mínimo.
O Arroz
1. Aqueça uma generosa porção de água (esqueça as medidas portuguesas das duas chávenas de água para cada chávena de arroz) numa panela de inox com sal, duas sementes de cardamomo, uma colher de sobremesa de cominhos e duas folhas de caril. Tape.
2. Quando ferver, juntar duas canecas de arroz basmati (não lave o arroz) mexa e, a partir do momento que volte a ferver, conte 7 minutos.
3. Retire o arroz e escorra-o num passador.
4. Coloque-o numa travessa com dois cubinhos de ghee, espere que esta derreta e mexa.
Dificuldade - Média
Tempo de Preparação - 30min.
Tempo de Execução - 2h (mínimo)
Serve - 6 pessoas
Pairing de Vinhos - Tintos encorpados, de preferência com Alicante Bouschet a pelo menos 30% (ligeiramente frio) ou Brancos Fortes com estágio em madeira (fresco).
LISTA DE COMPRAS
Poderá pensar-se que é preciosismo, mas uma ida ao Martim Moniz é de ABSOLUTA importância. Escolha de entre os supermercados Popat Store (C.C. Mouraria, Loja 251-252), Hua Ta Li (Rua Fernandes da Fonseca, 16) e Coentrolis (Poço do Borratém, n.º 23 e 24) ou dirija-se aos três se cada um deles não tiver TODOS os ingredientes: 1 Barra de creme de coco | 1 Embalagem de caril Tikka elaborado na Popat Store | 1 Saquinho de cardamomo | 1 Saquinho de cominhos | 1 Saquinho de folhas de caril | 1 Saquinho de malaguetas frescas mistas (verdes e vermelhas) | 1 500gr de Arroz Basmati da última colheita (quanto mais novo, mais perfumado) | 2 Cebolas roxas firmes | 1 Cabeça de alhos roxos | 1 Embalagem de ghee (manteiga clarificada) | 3 Ramos de coentros COM RAIZ | 1 Raiz de gengibre fresco.
Os ingredientes adicionais passíveis de ser comprados em qualquer outro lugar são: 1 Frango e 1/2 (de preferência, galinha) cortado em pedaços médios | 1 Limão | 1 Litro de leite meio gordo | 1 Pimento
Sal, Pimenta Preta e um pau de canela.
O Caril
1. Temperar o frango numa tigela alta, de um dia para o outro, como sal, limão e uma colher de sopa de pó de caril. Tapar com um pano.
2. Refogar, num tacho alto (preferencialmente, de alumínio) duas colheres de sopa de ghee com as cebolas picadas, dois dentes de alho esmagados, duas ou três malaguetas mistas picadas com as sementes, pimenta preta moída no momento, algumas tiras de gengibre fresco, o pau de canela e deixar ferver um pouco.
3. Juntar o frango com o pimento cortado em pedaços médios e mexer para que todo o frango fique ligeiramente cozinhado.
4. Juntar mais uma ou duas colheres de pó de caril, mexa mais uma vez e junte o leite até que cubra cerca de 3/4 do frango. Tempere com sal, tape e deixe a cozinhar durante uma hora com o lume no mínimo.
5. Destape, mexa, e deixe por mais 30 minutos, para que o molho reduza.
6. Prove, rectifique de sal e pó de caril e junte o creme de coco. Quando este derretar, mexa outra vez e aguarde 15 minutos.
7. Desligue o lume e pique coentros frescos (raiz incluída) por cima.
NOTA: Esta receita deve ser elaborada SEMPRE com o lume no mínimo.
O Arroz
1. Aqueça uma generosa porção de água (esqueça as medidas portuguesas das duas chávenas de água para cada chávena de arroz) numa panela de inox com sal, duas sementes de cardamomo, uma colher de sobremesa de cominhos e duas folhas de caril. Tape.
2. Quando ferver, juntar duas canecas de arroz basmati (não lave o arroz) mexa e, a partir do momento que volte a ferver, conte 7 minutos.
3. Retire o arroz e escorra-o num passador.
4. Coloque-o numa travessa com dois cubinhos de ghee, espere que esta derreta e mexa.
quinta-feira, outubro 28, 2010
Diz quem acha que sabe...
... que eu não gosto dos Estados Unidos da América. Generalizando os Estados Unidos da América. Não eu, mas os que acham que eu não gosto dos Estados Unidos da América, claro.
Ao não gostar dos Estados Unidos da América, estava inviabilizada a hipótese de apreciar condignamente Yellowstone, o Grand Canyon, o Alaska, um ou outro troço da Route 66 e mulheres com silicone nas mamas aos 16 anos de idade. É ridículo. Até porque mesmo que estes não se encontrassem em território roubado, comprado ou conquistado de forma indecente pelos Estados Unidos da América, continuariam a existir (à excepção das loiras com mamas de borracha, claro). Lá porque se usaram técnicas como a distribuição de cobertores contaminados com varíola às tribos índias para adquirir terras, não quer dizer que a paisagem fique mais feia. Fica, isso sim, com menos índios. Mas, como dEUS é grande e não dorme, o feitiço virou-se contra o feiticeiro por forma a que hajam, hoje, tantos africanos, hispânicos, caribenhos e outros exóticos quanto não permitam ao país vir, tão cedo, a tornar-se uma nação. Mas esses são, ao contrário do que nos possam fazer crer, os bonzinhos. Os vermes odiosos são os rednecks e os texanos. Até prova em contrário, não são necessariamente viscosos ou verdes mas, ainda assim, são asquerosos e repelentes. Precisamente porque veneram um país que, para cúmulo da ingratidão, nem um serviço de saúde lhes concede. Hasteiam bandeiras e votam, imagine-se! Bem... são rednecks e texanos. Compreende-se. O que não compreendo é um português que ainda consiga dizer que os Estados Unidos são um bom lugar para se viver. Porque um belo lugar para se viver até eu acredito que seja. Como o é Montemor o Novo, por exemplo. E que, por acaso, até nem tem rednecks ou texanos. Pelo menos da última vez que lá fui.
Ao contrário do que se pode pensar, eu até sou das pessoas mais compreensivas para com os Estados Unidos da América. Com todo o paternalismo possível. Porque sei que isto de ter apenas 250 anos de existência (como Estados Unidos da América) é, de facto, muito pouco tempo. Não dá, sequer, para perceberem que raio de coisa é que os une. Os Estados Unidos da América são, portanto, um fedelho. Mas, como todos sabemos, podemos aprender muito com as crianças. E eu acho que, por exemplo, daquele imberbe sistema governamental norte-americano até Portugal poderia tirar umas lições. Começando por constatar que um Democrata nunca será Republicano e um Republicano dificilmente poderá ser Democrata!
Ao não gostar dos Estados Unidos da América, estava inviabilizada a hipótese de apreciar condignamente Yellowstone, o Grand Canyon, o Alaska, um ou outro troço da Route 66 e mulheres com silicone nas mamas aos 16 anos de idade. É ridículo. Até porque mesmo que estes não se encontrassem em território roubado, comprado ou conquistado de forma indecente pelos Estados Unidos da América, continuariam a existir (à excepção das loiras com mamas de borracha, claro). Lá porque se usaram técnicas como a distribuição de cobertores contaminados com varíola às tribos índias para adquirir terras, não quer dizer que a paisagem fique mais feia. Fica, isso sim, com menos índios. Mas, como dEUS é grande e não dorme, o feitiço virou-se contra o feiticeiro por forma a que hajam, hoje, tantos africanos, hispânicos, caribenhos e outros exóticos quanto não permitam ao país vir, tão cedo, a tornar-se uma nação. Mas esses são, ao contrário do que nos possam fazer crer, os bonzinhos. Os vermes odiosos são os rednecks e os texanos. Até prova em contrário, não são necessariamente viscosos ou verdes mas, ainda assim, são asquerosos e repelentes. Precisamente porque veneram um país que, para cúmulo da ingratidão, nem um serviço de saúde lhes concede. Hasteiam bandeiras e votam, imagine-se! Bem... são rednecks e texanos. Compreende-se. O que não compreendo é um português que ainda consiga dizer que os Estados Unidos são um bom lugar para se viver. Porque um belo lugar para se viver até eu acredito que seja. Como o é Montemor o Novo, por exemplo. E que, por acaso, até nem tem rednecks ou texanos. Pelo menos da última vez que lá fui.
Ao contrário do que se pode pensar, eu até sou das pessoas mais compreensivas para com os Estados Unidos da América. Com todo o paternalismo possível. Porque sei que isto de ter apenas 250 anos de existência (como Estados Unidos da América) é, de facto, muito pouco tempo. Não dá, sequer, para perceberem que raio de coisa é que os une. Os Estados Unidos da América são, portanto, um fedelho. Mas, como todos sabemos, podemos aprender muito com as crianças. E eu acho que, por exemplo, daquele imberbe sistema governamental norte-americano até Portugal poderia tirar umas lições. Começando por constatar que um Democrata nunca será Republicano e um Republicano dificilmente poderá ser Democrata!
terça-feira, setembro 21, 2010
...
fazer as pazes com o mundo quando vejo os teus pêlos, loiros, na contraluz que traça raios por entre os buracos do estore, querer ir buscar a máquina fotográfica para que tenha um pouco disto quando bem me apeteça, não o fazer para que não te acorde e possa ter o teu hálito quente, húmido, apetecível de língua até à garganta, tenho uma erecção de rebentar, porra, só para mim, o hálito e não a erecção, pensar se isto também será assim com as estrelas de cinema, se também reparam, se os pêlos incomodam, se se raspam para que a picha pareça maior, se acham que, embora um pouco descaídas, as mamas da Julianne Moore ou da Jessica Alba são na mesma bonitas, apetecíveis, se têm vontade de lamber a prega da barriga, se o mundo pára por minutos quando todos os minutos contam, "se isto é um sonho não me acordem", como tantas vezes se lhes ouviu em filmes chatos e, porém, talvez nunca o tenham sentido, talvez sim, talvez deva fazer umas torradas com doce de tomate da minha mãe, talvez lhe deva meter umas nozes, talvez não deva ir mijar para prolongar esta erecção, que fica ainda maior quando me deito para o lado esquerdo, como agora, talvez o Cavaco se recandidate, filho da puta, talvez ela deva pintar as unhas dos pés de verde outra vez, não se lhes vê uma veia, foda-se são lindos, queria tanto poder metê-lo e ficar assim, imóvel, horas e horas a fio, falar de como foi o almoço, de como os semáforos da Avenida da Liberdade ficam todos vermelhos desde que se apanhe um, de como tenho a certeza que o vizinho de cima é bófia porque lhe vi as camisas azuis no estendal e, de vez em quando, muito de vez em quando, gemer, até que ela tenha a certeza de que sou eu, eu e mais ninguém, e todos falam de como doem as quedas mas o pior é, estando deitado, cair por terra...
sexta-feira, setembro 17, 2010
quinta-feira, setembro 16, 2010
Estereotipar para Esclarecer ou Limitar para Não Chocar? Mas quem é que está aqui para agradar? Arrumem-se, pá!
O dIAZ foi muito bem educado. Como tal, nunca teve cá MERDAS!
E o paradoxo acima, fica avisado quem o entendeu como tal, só poderia ser detectado por um Beto. Que é a antítese do que a mesma deveria supor.
Quando o dIAZ era mui novinho, se queria x ou y, sendo que x é igual a He Man e y é igual a Skeletor, tirava boas notas. Se, poucos anos mais tarde, queria ir acampar para a Lagoa de Albufeira com os amigos, lavava (com visível esmero) a loiça durante a semana e aspirava a casa no fim da mesma. Já adolescente, se em Agosto a maralha alugava uma casa em Albufeira, tentadoramente próxima da célebre Rua da Oura e suas kámones solícitas ou arribava, qual aterradora horda almadense metendo em sentido os demais campistas, na Ilha do Pessegueiro... Junho e Julho eram passados numa carpintaria (onde descobriu mil e uma utilidades para uma simples lixadeira eléctrica e suas não-sei-quantas rotações por segundo) ou mesmo nas mal-afamadas obras (onde descobriu, entre tantas coisas, algumas sobre as quais curará um pouco abaixo), dinheiro rápido e fácil. O hábito faz o monge, tira o hábito diz a freira, o dIAZ prosseguiu com esta filosofia de vida, bem simplista, encorajado pela família. A coisa não era assim tão engraçada na altura mas, agora, tira-lhes Mariachi o sombrero. Era o Bairro Alto a acenar com mil tentações e o dIAZ estava, todos os dias, depois do liceu, à porta do Atelier Escala, Maquetas de Arquitectura Lda, à Mouraria, onde aprendeu tanto e mais que muito. By the time a faculdade clamava por maiores gastos, o dIAZ atendia telefones e acartava placas anti-incêndio para que, hoje, a sua primeira namorada a sério possa trabalhar em perfeita segurança no edifício da Vodafone, no Parque das Nações, então um mero vislumbre do que seria a Expo 98 que nem chegou a visitar, entretido que estava com o Captain Kirk e o Incógnito. O currículo prossegue mas não num registo que interesse para aqui. Porque às profissões seguintes não lhes pega o estigma. Pelo menos, não tanto como às obras. O obril, como se lhe refere quem está imbuído do preconceito que, pois, criou um estereótipo. Não há portuguesa respeitável que não sofra por antecipação ao ver que se aproxima, perigosamente, de um andaimo. Qualquer escandinava instruída soltaria, no mínimo, um sorriso ao escutar um sonoro Tens cara de Modelo mas o teu rabo é um Continente. Assim como qualquer sopeira portuguesa se sente na obrigação de lançar um olhar reprovador ao ouvir um minimalista Ó jóia anda cá ao ourives, um mais-que-batido Ainda dizem que as flores não andam ou um mais refinado Com esse rabo deves evacuar bombons! O problema é que as mesmas mulheres são capazes de, logo a seguir, comer o namorado. O que, à primeira vista, até é aceitável. Se ele não tiver calçados uns sapatos-de-vela sem meias!!! Aí, passa a ser anti-higiénico! O que faz delas, e para não escrever algo mais ofensivo, umas porcas. E gente que não se incomoda com odores alheios, dificilmente cuida dos seus! E tudo por uma questão de status. A mulher portuguesa sonha com bíceps e abdominais definidos, fantasia com o garboso moço que lhe pintou a casa, lembra-se mais da publicidade da Hora da Coca-Cola Light do que do último papel do Tony Ramos em novelas... Mas opta pela (falsa) segurança. Pelo gajo que, vê-se logo, engordará como um barrasco mas ganha para o carro, pelo gajo que, vê-se logo, passará todos os fins-de-semana nas putas mas ganha para o colégio dos putos e para a vivenda na Aroeira, pelo gajo que, vê-se logo, tem tanta sensibilidade para as mulheres como um coveiro para a dor alheia, mas dificilmente contrairá dívidas à DGCI ou à Segurança Social. E depois? Depois é vê-las, no banco do passageiro do BMW X6, um ar tão triste como o de qualquer rafeiro da União Zoófila, a ler a Cosmopolitan com o título na capa "75% dos homens não sabem encontrar o Ponto G". Pois não. Mas os gajos d'O obril sabem. Vão lá direitinhos. Chamam-lhe é Céu da Boca do Cão.
E o paradoxo acima, fica avisado quem o entendeu como tal, só poderia ser detectado por um Beto. Que é a antítese do que a mesma deveria supor.
Quando o dIAZ era mui novinho, se queria x ou y, sendo que x é igual a He Man e y é igual a Skeletor, tirava boas notas. Se, poucos anos mais tarde, queria ir acampar para a Lagoa de Albufeira com os amigos, lavava (com visível esmero) a loiça durante a semana e aspirava a casa no fim da mesma. Já adolescente, se em Agosto a maralha alugava uma casa em Albufeira, tentadoramente próxima da célebre Rua da Oura e suas kámones solícitas ou arribava, qual aterradora horda almadense metendo em sentido os demais campistas, na Ilha do Pessegueiro... Junho e Julho eram passados numa carpintaria (onde descobriu mil e uma utilidades para uma simples lixadeira eléctrica e suas não-sei-quantas rotações por segundo) ou mesmo nas mal-afamadas obras (onde descobriu, entre tantas coisas, algumas sobre as quais curará um pouco abaixo), dinheiro rápido e fácil. O hábito faz o monge, tira o hábito diz a freira, o dIAZ prosseguiu com esta filosofia de vida, bem simplista, encorajado pela família. A coisa não era assim tão engraçada na altura mas, agora, tira-lhes Mariachi o sombrero. Era o Bairro Alto a acenar com mil tentações e o dIAZ estava, todos os dias, depois do liceu, à porta do Atelier Escala, Maquetas de Arquitectura Lda, à Mouraria, onde aprendeu tanto e mais que muito. By the time a faculdade clamava por maiores gastos, o dIAZ atendia telefones e acartava placas anti-incêndio para que, hoje, a sua primeira namorada a sério possa trabalhar em perfeita segurança no edifício da Vodafone, no Parque das Nações, então um mero vislumbre do que seria a Expo 98 que nem chegou a visitar, entretido que estava com o Captain Kirk e o Incógnito. O currículo prossegue mas não num registo que interesse para aqui. Porque às profissões seguintes não lhes pega o estigma. Pelo menos, não tanto como às obras. O obril, como se lhe refere quem está imbuído do preconceito que, pois, criou um estereótipo. Não há portuguesa respeitável que não sofra por antecipação ao ver que se aproxima, perigosamente, de um andaimo. Qualquer escandinava instruída soltaria, no mínimo, um sorriso ao escutar um sonoro Tens cara de Modelo mas o teu rabo é um Continente. Assim como qualquer sopeira portuguesa se sente na obrigação de lançar um olhar reprovador ao ouvir um minimalista Ó jóia anda cá ao ourives, um mais-que-batido Ainda dizem que as flores não andam ou um mais refinado Com esse rabo deves evacuar bombons! O problema é que as mesmas mulheres são capazes de, logo a seguir, comer o namorado. O que, à primeira vista, até é aceitável. Se ele não tiver calçados uns sapatos-de-vela sem meias!!! Aí, passa a ser anti-higiénico! O que faz delas, e para não escrever algo mais ofensivo, umas porcas. E gente que não se incomoda com odores alheios, dificilmente cuida dos seus! E tudo por uma questão de status. A mulher portuguesa sonha com bíceps e abdominais definidos, fantasia com o garboso moço que lhe pintou a casa, lembra-se mais da publicidade da Hora da Coca-Cola Light do que do último papel do Tony Ramos em novelas... Mas opta pela (falsa) segurança. Pelo gajo que, vê-se logo, engordará como um barrasco mas ganha para o carro, pelo gajo que, vê-se logo, passará todos os fins-de-semana nas putas mas ganha para o colégio dos putos e para a vivenda na Aroeira, pelo gajo que, vê-se logo, tem tanta sensibilidade para as mulheres como um coveiro para a dor alheia, mas dificilmente contrairá dívidas à DGCI ou à Segurança Social. E depois? Depois é vê-las, no banco do passageiro do BMW X6, um ar tão triste como o de qualquer rafeiro da União Zoófila, a ler a Cosmopolitan com o título na capa "75% dos homens não sabem encontrar o Ponto G". Pois não. Mas os gajos d'O obril sabem. Vão lá direitinhos. Chamam-lhe é Céu da Boca do Cão.
terça-feira, setembro 14, 2010
Eras
Seguravas-me com o intrínseco medo de me deixar fugir.
Beijavas-me com a sofreguidão dos filmes a preto e branco.
Amavas-me com a sensualidade de uma debutante em busca de um papel em Hollywood.
Dizias Amo-te com a voz que te vinha das entranhas.
Conversavas com a outra, uma colher de mel na faringe, amaciando cada palavra.
Sorrias-me com o brilho de uma criança perante um brinquedo novo.
Brilhavas como um diamante que eu próprio lapidei.
Ensombras agora os dias com o negro manto que cobre, a galope, a encosta da montanha.
Vai chover!
domingo, setembro 05, 2010
Uma Inferência de Final de Estio
Tem-se das pessoas que não fazem sexo há muito tempo uma ideia que radica num estereótipo. Que corresponde a um outro plano de... fome. Fominha, vá. Fomeca, pronto! Olham para um potencial parceiro sexual como um sem-abrigo para uma montra de frangos assados (ou, melhor, um pacote daquele vinho de temperar bifanas) e, uma vez atingido o seu objectivo, é a loucura... enchem o pobre coitado que se deu ao trabalho de chupões, arranhões, marcas de dentes nos sítios mais improváveis e, tal é o chavascal, fazem com que o já arrependido moçoilo tenha, na manhã seguinte, uma folha A4 na porta de entrada escrita pelo vizinho do lado: Para a próxima que fizer a matança do porco aí em casa, eu compro-lhe um quilo de rojões"...
Para mim, porém, a coisa compara-se mais ao que observo na praia. Mais propriamente, as pessoas que vão à praia com a mesma frequência com que o Cavaco Silva demonstra inteligência! Bastam 30 segundos para identificá-los. E não estou a falar da marca da t-shirt! É que tudo lhes faz confusão. Principalmente, a areia. A areia nos pés, a areia na roupa, a areia nas mãos. É, na verdade, um incómodo, a areia na praia. Esse estranho fenómeno da Natureza. Depois, há o mar... levantam os braços, suspendem a respiração ainda as ondas batem na cintura, mergulham (quando o fazem) com aquele porte de peru que esteve sempre no aviário e por um golpe de fortuna se viu em plena liberdade num tremoçal verdejante...
Há, pois, quem olhe para a senhora que JULGAM não ter sexo há muito tempo e diga Ui, aquilo é que deve ser um espectáculo. Eu também... olho e digo Ui, aquilo é que deve ser um espectáculo tão deplorável como qualquer uma das camisas do Toni Carreira! Eu e esses, contudo, concordamos numa coisa! Topam-se, realmente, à distância... mas por razões MUITO diferentes!
Para mim, porém, a coisa compara-se mais ao que observo na praia. Mais propriamente, as pessoas que vão à praia com a mesma frequência com que o Cavaco Silva demonstra inteligência! Bastam 30 segundos para identificá-los. E não estou a falar da marca da t-shirt! É que tudo lhes faz confusão. Principalmente, a areia. A areia nos pés, a areia na roupa, a areia nas mãos. É, na verdade, um incómodo, a areia na praia. Esse estranho fenómeno da Natureza. Depois, há o mar... levantam os braços, suspendem a respiração ainda as ondas batem na cintura, mergulham (quando o fazem) com aquele porte de peru que esteve sempre no aviário e por um golpe de fortuna se viu em plena liberdade num tremoçal verdejante...
Há, pois, quem olhe para a senhora que JULGAM não ter sexo há muito tempo e diga Ui, aquilo é que deve ser um espectáculo. Eu também... olho e digo Ui, aquilo é que deve ser um espectáculo tão deplorável como qualquer uma das camisas do Toni Carreira! Eu e esses, contudo, concordamos numa coisa! Topam-se, realmente, à distância... mas por razões MUITO diferentes!
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