sábado, janeiro 29, 2011

o fUtUrO aNd aLL tHaT gOeS...

Levei a vida toda a ver o semblante do meu pai encrespar-se em mares picados, batidos a vento Sudoeste, de cada vez que um amigo, dos bons, dos que se atravessaram nos momentos mais determinantes da sua vida, tinha um problema de saúde. Em nome do bom ambiente da casa, uma jóia que só os homens parecem considerar [sim, esta tinha de ser], disfarçava-o a todo o custo. Mas eu acabava sempre a emboscá-lo em expressões distantes, sentado na poltrona como se fora no alto do Cabo Espichel, horizonte diante. De quando em vez, às escondidas, uma lágrima. 
Achei sempre que era uma coisa de velhos. Que esse dia estaria tão distante de mim como os Portugueses da responsabilidade no acto de votar [sim, esta também]. Que a tenra idade afastaria, dos que me são mais próximos, qualquer maleita. Não foi assim. Mas acredito, convictamente, que Sabino, o Grande Embaixador do Oeste em Lisboa, companheirão de todos os dias durante tantos anos e nos anos que se seguiram, vai safar-se desta com a mesma calma e descontracção com que o Serge sacava dum Gitanes... E não estou sozinho!


2 comentários:

Pedro Lourenço disse...

E chega aquela fase da vida em que já não é só aos "velhos" que os amigos vão sendo ceifados... O primeiro dá que pensar, os seguintes só dão mais lágrimas de pesar e a certeza de que a vida tem de ser bem aproveitada!

Belo post!

Marijuanita ;-) disse...

Que lindo ;-)