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quarta-feira, agosto 19, 2009

WE'RE ALL THE FUCKEN SAME... For God's Sake ADMIT IT!

Parte 1
A Colega de Trabalho


Queres ir almoçar comigo ao Colombo, diz ela com um leve sorriso, não sei o que brilha mais, se os lábios se os dentes que aparecem, timidamente, por trás dessa moldura rococó. Preciso de ir ao Colombo e preciso de companhia e as pestanas, longas, negras, batem quando pisca os olhos e fazem flap flap ou flanf flanf ou plim plim sei lá, estou confuso.
Mas vou!
E paramos em frente à loja da INTIMISSIMI e dá-me um arrepio. E ela sussura, ou julgo eu, porque quando ela fala parece-me que geme e quando está zangada parece-me gritar Estou-me a vir, cabrão, ou Não pares agora, por aí, uma coisa assim. É aqui, preciso que me ajudes a escolher uma coisa e não sei se me sinta o amigo gay ou um nerd de colarinho apertado (sim, eu sei, agora é fashion) a ajudar um ceguinho a atravessar a passadeira embora esteja com vontade de ser o bully que dá sapas ao monglóide da rua, perco a força nas perninhas, ai merda, dIAZ, já foste!
Mas entro!
Então, fica-me bem? e os seios que saltam da copa abaixo e a celulite que não há em duas nádegas da Vincianas, com o brilho do mármore, e uma púbis que, a existir, se veria por baixo do tecido transparente e os pés que de menina que nunca andou descalça. hé pá, fica mais ou menos e o suor que pinga, e o calor do provador e esta Chiquita que era para a sobremesa e me esqueci de tirar do bolso se calhar esse soutien fica melhor com os boxers ou então com aquelas brancas que fazem lembrar as meínhas de renda que as meninas levavam para a Feira de São Mateus. Ela replica Ou Venda das Raparigas. Eu também Tás comprada!

PARTE 2
O Colega de Faculdade que Agora é Grande Amigo


Queres ir almoçar comigo ao Colombo
, diz ele com aquele ar bonacheirão de quem já está a pensar na sandosha de leitão com um copito de vinho branco geladinho e um café na zona central para fumadores Preciso de ir ao Colombo.
E vou
E paramos à porta do AKI e percorre-me logo o arrepio de quem sabe que percorrerá corredores e corredores de material que poderia transformar a minha casa de velhos em algo que invejasse a colecção da AREA.
Mas entro.
Achas que esta máquina de rebites é alguma coisa de jeito? e eu só oiço velhos a dizer que a aparfusadora não aparafusa nada, e os empreiteiros a dizer que o cimento-cola não cola... ou não cimenta, ou lá o que é!
E então? Achas que aqui há polish? Ou isso é ali no Continente? Eu, assumindo o cliché que está prestes a sair-me, dobro as sobrancelhas e digo, pausadamente, para não denotar alguma irritação Não queres que te vá ajudar a escolher uma lingerizinha, também?

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Esta coisa da internet, ainda que tenha sido um advento, também nos roubou...

...poesia, por exemplo!

Há uma certa poesia em esquecermo-nos, por exemplo, da letra de uma canção que nos marcou em tempos.

Saber, por isso, que eles, os tempos, já não voltam!

E não fazer grande esforço pelo contrário.

quinta-feira, julho 17, 2008

I wrote a letter to a wildflower
on a classic nitrogen afternoon
Some power that hardly looked like power
said I'm only perfect in an empty room

Four dogs in the distance
each stands for a kindness
Bluebirds lodged in an evergreen altar
I'm gonna shine out in the wild silence
and spurn the sin of giving in

Oil paintings of x-rated picnics
Behind the walls of medication I'm free
Every falling leaf in a compact mirror
hits a target that we can't see

Grass grows in the icebox
The year ends in the next room
It is autumn and my camouflage is dying
instead of time there will be lateness
and let forever be delayed

I died my hair in a motel void
met the coroner at the Dreamgate Frontier
He took my hand said I'll help you boy
if you really want to disappear


David Berman

quinta-feira, março 13, 2008

Saudosismos

Passados todos estes anos sinto, como nunca, a necessidade de possuir uma daquelas saquetas de cabedal, com uma correia para o pescoço, onde se transportava o passe social e, escondida atrás deste, uma nota de quinhentos paus para o almoço!

segunda-feira, junho 04, 2007

Iiiiiiiiiinnnaaa pá, Zambujeira, Vilar de Mouros, Paredes dA CoIra, Boom Festival, Raves na Praia, Op Art, a casa do Toni?

Que betinhos!
Comecem AGORA a contar os anos que vos faltam e SEJAM SINCEROS: Acham mesmo que alguma vez vão saber o que é uma FESTA???

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Um Adeus Português Saloio

Sempre tentei não ser ingrato. Terei falhado algumas vezes, enfim, mas tentei sempre, quase como se de um lema de vida se tratasse, não incorrer em ingratidão. É o mínimo que se deve a quem se deve algo. A gratidão pode ser velada. O seu antónimo não. E eu vi-o, qual monstro imenso, dentes cerrados, cariados, pedaços de caldo verde pendentes dos incisivos, um bafo horrível, uma criatura hedionda, essa tal de ingratidão. Eu respondo noutra moeda. Com a outra face. Dou-a! Porque durante quatro anos fiz o que mais gostei e fi-lo bem. Precisamente porque gostei. Demais. E poucas coisas pagam isso. Nunca poderia ser ingrato. Como eles. Aliás, nunca lhes serei suficientemente grato. E para que não restem dúvidas...
Obrigado, Kauí... Porque foste a primeira a acreditar, quando poucos o fariam. Porque em dias cinzentos (364 por ano, em Sintra) me oferecias dois faróis azuis. Porque ruborizavas como uma menina. Que nunca deixaste de ser.
Obrigado, Tiago... Porque és a prova viva que ainda há talento nessa casa. O subaproveitamento é problema deles.
Obrigado, Hugo... Porque trabalhas quando mais ninguém o parece fazer. Porque sabes que desconversar é, quase sempre, o único refúgio possível.
Obrigado, Gi... Porque me fizeste perceber que nem sempre é às palmadinhas nas costas que se demonstra que se gosta de uma pessoa.
Obrigado, Bruno Damas... Por seres um oásis de genialidade (de difícil percepção, é verdade), no meio desse deserto.
Obrigado, Cátia Matos... Por esse sorriso, esses olhos de moira e essa presença, que me deram sempre uma espécie de orgulho paternal ou fraternal, nunca cheguei a perceber. Por me teres feito acreditar que eu era o melhor chefe-de-redacção do mundo, o que não lembra ao diabo...
Obrigado, Zé Carlos Cruz... Pelo empenho e amizade. Pelo humor e fidelidade.
Obrigado, Simone... Pelo empenho e amizade. Pelo mau humor matinal, as boleias e a fidelidade.
Obrigado, Eládia Belourástia... Por teres tornado hilariante a pior fase nesse antro.
Obrigado, Sónia... Pela luz.
Obrigado, Guida... Por esses dois enormes faróis.
Obrigado, João Allen... Pela música.
Obrigado, Zito Colaço... Trabalhar pode ser mesmo muito divertido e, logo, bom! A espontaneidade é uma qualidade. Infelizmente, é o mais das vezes mal interpretada.
Obrigado Jacques Rodrigues... Por seres a prova viva de que os pategos, lorpas, labregos, iletrados, ignorantes e surdos que nem uma porta também podem ser administradores . E isso é uma luz ao fundo do túnel para este país.

Supra citados não estão aqueles que já não têm de se deslocar a Ranholas para poder ganhar (pouco) ao fim do mês, assim como outros que sabem que a omissão não significa esquecimento.