quinta-feira, novembro 13, 2008

Zé dIAZ

Desconfio que amor de filho seja isto.
A mesma coisa que amor de pai.
Ao qual fui introduzido há apenas dois anos.
Mas que já deu para perceber.
Orgulho.
Incondicional.
É bonito não haver, afinal, nenhuma diferença.
É bonito, pronto.
Zé dIAZ nasceu em Santa Luzia há muitos, muitos anos.
O dobro dos meus.
Porque só agora, aos trinta e tal, percebo, com entendimento de causa, o quão difícil deve ter sido.
Um mouro de trabalho, quatro, cinco, seis meses sem me ver.
Eu a dizer as primeiras palavras, eu a dar os primeiros passos, eu a crescer.
Zé dIAZ, telefonemas por satélite aqui, avarias no navio ali, licenças de marear em Amesterdão e no Bangladesh, a mourejar carregos da dispensa para a cozinha, Providenciando pão para a mesa.
O melhor que, na altura, havia.
Fui criado em berço de ouro.
E, embora não lhe visse o bigode durante tantos meses da minha vida, não me lembro da vida sem ele.
Ganhámos, pois, esta estranha cumplicidade de amigos que dizem sem pensar e aventam sem medos porque, no fim, está tudo bem.
Vamos para velhos.
A ordem natural das coisas.
Já o vi, ainda novo, amedrontado por uma operação.
Já lhe ouvi delírios febris perigosamente próximos da hemodiálise para a vida.
Vejo-o, agora, curvado sob o peso dos anos, a mendigar favores a médicos que, a terem algum humanismo, seriam calceteiros.
Mas vejo-o.
E, para o seu neto, nada mais desejo do que um pouco do que eu sempre tive.
Nos dias de hoje, porém, não o posso garantir.
Talvez escreva algo para mim, o puto, aos 30 e tal.
Chegar-me-ia?

Gatos de Aroma Agradável (Muito Porque Ainda Éramos Novos)

Não consigo ver o Gato Fedorento sem que me lembre, SEMPRE, de uma cassete de VHS (e por pouco não BETA), perdida no espaço e tempo, onde eu e o meu irmão Luca encenávamos uma série de sketches, ora usando o robe da minha mãe, ora recorrendo ao papagaio e ao Terry, já zarolho e meio morto.
Adeus à modéstia, aquilo era FRANCAMENTE bom.
Eu fazia, nesse dia, 18 anos.
Mano Novo compareceu MUITO mais cedo, para podermos fazer TODO um programa que, à hora da festarola (que metia sempre o famoso Arroz à Valenciana da Ti Natália), seria exibido aos convivas e comensais.
Desconfio que, não tendo dado a vida outra volta, seríamos outros.
Ele, indiscutivelmente, um RAP.
Eu, um Zé Diogo ou um Dória.
Ambos diferentes.
Mas irmãos, claro.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Estava com algum receio de ser obrigado a escrever este post...

...mas tem de ser!
Não que não tenha tido, ontem, A noite.
Não que não me continuem a encher as medidas até à beira do transbordamento.
Não que não ocorra, ainda, o arrepio e aquele nó na garganta que, a ser contrariado, dói.
Não que não os identifique com um grito reivindicativo de coisas que cá sei.
É isso que são, ainda, para mim, os Sigur Rós.
Mas tenho a tara da música ferida de minimalismo.
E é ela que me sufoca quando, assistindo a um concerto tão perfeito como o de ontem, ainda me dá saudades de quando os meninos apostavam menos em parafernália e mais em substância. Quando a tarola e o bombo de chão estavam mais altos que tudo o resto, quando, à impossibilidade de terem secção de cordas ou metais na digressão, não os incluíam nos álbuns, quando as pessoas não gostavam de Sigur Rós e não atiravam gorros para o palco nem gritavam we looooove you! Quando eles eram putos, islandeses MESMO, comendo tubarão podre, trazendo na sonoridade toda a vaga esperança que há na desolação de uma terra onde não há árvores.
Tenho saudades de ver um concerto simples.
Que traga, nessa simplicidade, toda a grandeza da Música quando é um acto Maior!

segunda-feira, novembro 10, 2008

Um Post 4 Estações de Vivaldi dIAZ

Verão (Larghissimo) - "Paulo Guilherme, filho de Paulo Teixeira Pinto, antigo patrão do BCP, morreu no Passado dia 1 de Novembro, vítima de um possível AVC. O Jovem tinha 22 anos", in Destak de 3.11.08.

Outono (Moderato) - "McDonald's... Momentos mais saborosos".

Inverno (Vivace) - "Benvindo ao Mundo Coca-Cola".

Primavera (Adagio) - "A margarina é uma gordura boa".

Ainda a Música

Consigo perceber o sucesso de Amy Winehouse.
Não consigo perceber o fenómeno Amy Winehouse.
É claro que uma tremenda ressaca de Soul ou Gospel contemporâneo verga o mais resistente junco à primeira brisa de ritmos Motown. Daí até comparar a menina a uma Nina Simone...
A esses eruditos da Soul, mais uns quantos, metam o dedo no cu, continuem a vibrar com o "balanço" de Jamiroquai e a negligenciar... Jamie Lidell. Dou a minha Vespa a quem o oiça, pela primeira vez, e o imagine BRANCO!!!
E, na total ignorância que é fazer tudo o supra citado, batam na boca a cada auscultação de Dusty Springfield, Marvin Gaye, Curtis Mayefield, The Commodores, Otis Redding, Al Green ou The Delfonics.
É, basicamente, a mesma coisa que dizer já provei boas pizzas sem nunca ter visto o Vesúvio a partir de Nápoles!

dIAZ, seu Velho!!!

Sei-o porque, embora pacificado pela música, da BOA, estive quase para me levantar e desatar à punhada!
Mesmo agora, de ímpetos refreados, continuo sem perceber como é possível alguém comprar um bilhete para Joan As Police Woman e passar, literalmente, todo o Real Life, pelo qual eu daria o total valor do bilhete, numa amena cavaqueira tal que ainda houve direito a guinchinhos.
Deve ser da idade!

sexta-feira, novembro 07, 2008

Pride (In The Name Of Love) - Apontamentos de Moda by dIAZ, The Fashion Expert

Para além de ser (desculpem-me os meus grandes Amigos, de longa, média, e curta data), a minha melhor companhia, exibo o meu filho com orgulho exacerbado. Ontem, não foi excepção. Só para ir à farmácia, vesti-(o)-se com as jeans rough wash, justinhas, de algodão orgânico, ténis Adidas Gazelle iguais aos do Mark Renton no Trainspotting, t-shirt dos Ramones (a clássica), casaco de traçar, tipo marinheiro em saída de licença para beber uns copos na Red Light Street, colecção Jean-Paul Gaultier Inverno 86/87 e, a coroar a coisa, e o próprio, um gorro tapa-orelhas a la Sigur Rós, mas com o preciosismo de um crachá com a lata de Campbell Soup da serigrafia de Warhol. Como é rapaz, o acessório de moda que leva na mão não é nenhuma malinha das lojecas de 2 metros quadrados dos Centros Comerciais, mas sim uma réplica perfeita da Vespa igual à do pai, modelo 125 g.t.r. Eu não podia estar mais babado. Pelo menos, até ao momento em que olha para mim, sorri, larga-me a mão e dirige-se, com toda a calma do mundo, a um idoso que, numa mão, segura uma bengala e, na outra, um saco tipo os do IKEA (dos azuis) para poder levar todos os medicamentos. Puxa-lhe as calças, como noviço a corda do carrilhão. O homem olha para baixo. "Olá... és velhote"?

quinta-feira, novembro 06, 2008

JOVEM! Queres novidades? Coisas em primeira mão?

Estás no sítio certo!!!
Desde hoje, disponível aqui.
A vós, confraters de indíscutível bom gosto, vemo-nos Terça, dia 11.
Os outros podem ficar em casa, a ver o Momento da Verdade...

Seriados Generation

Não sei se foi do Galáctica, do V, a Batalha Final, do Twin Peaks ou mesmo do Duarte & C.ª, sei que tenho uma coisa com séries de televisão. Mas preciso do ritual de vêr os episódios no seu devido lugar. Aquela coisa de Hé pá, estou aqui feito parvo no casamento da minha filha e esqueci-me que o Family Guy começava às 15h35 ou ich, ganda bronca, ó Rita Redshoes, isto está a ser muito bom, afinal as tuas fartas sobrancelhas não prenunciavam um vasto matagal e não fiz "ptchiú" nem uma vez, mas está quase a começar o My Name Is Earl.
Padeço desta condição a um tal grau que... diz-me que série vês e dir-te-ei quem és.
Olha aquele... está confuso, prestes a saír do armário, a muito poucos dias de entaramelar prepúcio alheio na cárie do pré-molar... anda a fazer o download da 4.ª série da Anatomia de Gray.
Ui, aquela faz ponto cruz e diz não querido, hoje não, estou enjoada das gauffres com chocolate, conhece o Friends de trás pá frente.
Este aqui acha que o estreito de Bering é o espaço entre a vulva e o ânus... vê o Donas de Casa Desesperadas com a namorada. Que depois vê o Kelly, a Colegial com o outro.
Esta é uma gaja minimamente inteligente. Vê sempre o Weeds e tem pena que tenha acabado o Californication logo a seguir.
Com o tempo, porém, um gajo torna-se selectivo. Nunca fui gajo de Ficheiros Secretos, por exemplo. O fenómeno 24 passou-me tão ao lado como a carreira do Kiefer Sutherland passou a léguas de qualquer forma de talento. Tinham os argumentos do Zé Gato mais credibilidade que os EUA a serem alvos de atentados terroristas TODOS OS DIAS!!!
E é, pois, à palavra TALENTO que eu queria chegar. E se fosse realizador de cinema, por exemplo, saberia onde encontrá-lo com exactidão relojoeira. Porque um gajo que entra na melhor série de sempre, Six Feet Under, com um papel daqueles, e consegue pouco depois formular a personagem mais assexuada, glaciar e inteligente de sempre é, meu dEUS, grande! Tão grande como o fenómeno Dexter Morgan. Mas não aqui, em Portugal, claro. Não faz mal. Dexter não é para todos.

terça-feira, novembro 04, 2008

1º Juízo Criminal de Almada, 3 de Novembro de 2008 ou uma Interpretação + Simples da Justiça Tuga

Sentado, nos fundos da sala, a desenhar no caderno, nem sabia que era suposto levantarmo-nos quando o juiz entra.
Pensei que, estando a malta à espera do menino há 45 minutos, deveria ser ele a apresentar um pedido de desculpas. Não. Nesta coisa de tribunais, a Educação dada pelos papás fica em casa. Regem-se antes pelo Direito Romano. E toda a gente sabe que, em Roma, não havia roupa interior, comia-se e vomitava-se para recipientes próprios e, acima de tudo, praticava-se a pedofilia nos mais altos estratos sociais, recorrendo a efebos, crianças raptadas de províncias conquistadas. Terei sido claro, para começar?
Toca um telemóvel. O meu. Boa, dIAZ! O gajo vai embicar contigo! Chama-me...
Mas, afinal, é porque sou a única testemunha de acusação.
Sento-me e traço a perna. Sou imediatamente aconselhado, pela indivídua que liga os micros, a não fazê-lo. Ah, afinal, sempre há etiqueta por aqui. Só me apetece perguntar ao juiz se ele está atrasado porque foi ao dentista pela ADSE que os meus 155,21€ mensais (sem direito a uma mísera baixa médica) pagam. Sou imediatamente aconselhado, por mim mesmo, a não fazê-lo.
Os arguidos, dois putos que me roubaram o carro em 2005, estão atrás de mim.
Juiz, um puto novo mas careca - O Sr. Nuno Rosa sabe porque está aqui?
dIAZ - Sr. Nuno DIAS. Já fiz dois pedidos para mudarem o meu apelido no processo mas parece que continuam a optar por uma interpretação livre da minha assinatura!
Juiz, um puto novo mas careca - Bem, podia ser pior. Então vou passar a palavra aqui ao procurador.
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - O Sr. Rosa podia então dizer-nos o que se passou?
dIAZ - (Claro que sim, minha tulipa) Fui acordado por um agente da GNR, cerca das 4am, informando-me que a minha viatura tinha sido encontrada. Nem sabia que tinha sido furtada. Pediu-me para acompanhá-lo à esquadra e estavam lá estes dois senhores algemados.
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - Mas sabe, ao menos, se foram eles que furtaram a sua viatura?
dIAZ - (Ena, esta merda parece um concurso de televisão e este meu, por acaso, até dá ares de Teresa Guilherme) Depreendo que, tendo sido detidos...
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - E sabe precisar em que dia foi isso?
dIAZ - (Mas este man tá tolo? Uma cena que se passou em 2005? Olha, filho, acho que era de noite que, curiosamente, nesse dia, ocorreu, não sei se por aí vais lá) Não, não sei!
Procurador, o estereotipo do nerd, mas mais ainda - Não tenho mais nada a perguntar.
dIAZ - (Óóóó... isto estava tão bom).
Juiz, um puto novo mas careca - Bem, Sr Rosa, tendo em conta que, dos 36 queixosos, só o Sr. mantém a queixa, está disposto a retirá-la?
dIAZ - (Ui, kaganda espectáculo, "as cadeias estão cheias e isto de trabalhar, embora mediante uma remuneração astronómica, é chato, por isso vamos lá ver se acabamos com esta merda", pecebi eu que queria ele dizer) Eu nem sequer apresentei queixa, na altura. A GNR é que achou por bem juntar o meu auto ao processo. Agredi um dos rapazes na esquadra e não fiquei feliz comigo por isso. Para além disso, já fui puto. E sei como é.
Juiz, um puto novo mas careca - E roubava carros?
dIAZ - (OOOOLLLLÁÁÁÁ, tu queres ver?) Por acaso não, mas se é relevante, tenho uma elevada dívida fiscal, o que me torna, também, um criminoso. Temo, porém, que as Finanças não vão ser tão tolerantes como eu estou a ser (já que ordenados como o teu, meu pulha, precisam ser garantidos).
Juiz, um puto novo mas careca - Ah Ah Ah Ah, sim senhor. Então os arguidos levantem-se e peçam desculpa ao Sr. Rosa que, se quiser, pode ir-se embora.

Pouco depois, já lá fora, os putos interpelam-me outra vez.
1 Puto - 'Brigadão, man!
dIAZ - Nada. Desculpa lá o pontapé na boca da outra vez.
Outro puto - 'Se bem.
dIAZ - Só uma coisa. Vê lá se roubam como deve de ser, man! Fiat Uno's, pá? 'Da-se! Roubem BMW e Volvos, que a esses faz menos transtorno. E se faz, é porque os gajos são estúpidos e deviam ter comprado um Yaris em vez de andarem endividados. Roubem estes fdp dos juízes e advogados, por exemplo! Eu não tenho lata. Se vocês têm, façam-no como deve de ser! Façam a revolução!
1 Puto - Não, não, agora 'tamos atinadinhos, orientámo-nos!
dIAZ - Panilas do c...!