sexta-feira, janeiro 16, 2009

No Dia em que a Terra Parou... TOMO 2

E é então que, corroído pelo remorço, mãos encharcadas de lágrimas, pergunto Queres que o pai te mostre uma coisa? Ele, de sorriso hesitante, responde que sim. Sento-o no meu colo e abro isto. Vê, ouve, atento, até ao fim, e diz-me, como se os seus dois e meio fossem já cinco ou nove ou quatorze É lindo, pai. Pergunto-lhe se quer ver, agora, os 4 Amiguinhos ou o Histórias da Carochinha no DVD. Responde Não, pai. Quero este do cão outra vez.
Talvez a partir de agora, como o Antony e o Owen Pallett e o Rufus o embalaram na sua paz amniótica, o Jack Condon o recorde do apaziguamento.
Ainda assim, este momento não é importante para ele. É para mim. Porque descubro que, afinal, educar é, como tudo na vida, partilha.
Não é pseudo-lirismo.
É um conselho.

No Dia em que a Terra Parou...

... Ergui o dedo no ar e, colérico, gritei, em barítono roufenho
Não voltas a riscar o sofá!...
... para ver, logo de seguida, dois pequenos cantos de boca apontarem os extremos para baixo, dois enormes olhos inundarem, um pequeno pescoço vergado ao peso da cabeça, como se de repente sem vigor, e dois bracinhos pendentes, num choro em surdina, o pior de todos! Uma mágoa, das profundas, a corroer-lhe o habitual rubor das faces. Ver o meu filho sofrer às minhas mãos, Cão que me sinto!
E sinto também o nó de estômago de quem exerce autoridade sem ter a mínima vocação para isso, de quem educa sem a convicção de que será capaz, por não se achar digno.
Porque estes pequenos poetas à solta não podem, nunca, ser agrilhoados pelas convenções sociais de quem sabe, muito bem, que o sofá continuará a servir os seus propósitos, apesar de riscado. Só deixará de ser, esteticamente, agradável. Ainda por cima, aos nossos olhos. Porque aos olhos deles, muito mais bonitos, por sinal, está ali o reflexo de um dos seus primeiros ímpetos criadores. Esses que são tão antigos como a humanidade.
Ser adulto é estupidamente escravizante.
E, logo, esclavagista!

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Poema para Tesos

Gajas de gajos sem guito
São frígidas sem clito

terça-feira, janeiro 13, 2009

Quem V TV Sofre + Que No WC

Era o refrão de uma música dos Taxi, do longínquo tempo em que a nossa pop era, a par com a que vinha da Moldávia, a mais wannabe do Mundo. Agora, que temos os Buraka, já está no patamar Angolano. O que, parecendo que não, é bom! Porque se por um lado temos uma gente que conseguiu reduzir o refinamento musical a mínimos que não se viam desde que o Australopiteco batia em troncos ocos para atrair fêmeas, estão inviabilizados quaisquer Delfins ou Sitiados. Sim, ok, os Xutos ainda dão concertos, mas não se pode pedir logo tudo de uma vez. Sempre mo ensinaram, desde o tempo em que era o Menino Jesus que trazia as prendas e não o Gordo de Vermelho impresso nos rótulos da Coca-Cola.

O que interessa reter é que no tempo em que havia apenas dois canais de televisão e, ainda por cima, se pagava taxa por esse luxo (foi uma das coisas com que Cavaco acabou. O povo, claro, rejubilou com a medida. Cinco ou seis anos depois, Cavaco ordenou uma carga policial ao estilo das ditaduras sul-americanas sobre uma manifestação na Ponte e, uma semana depois, sobre outra nas Vidreiras da Marinha Grande. O povo rejubilou outra vez. Se não, pareceu-me, porque ele está lá outra vez), já havia quem fosse da opinião que a televisão era lixo!
Não aventarei que, eventualmente, continua a sê-lo. Mas se há 20 anos atrás era preciso filtrar o seu conteúdo (e não estou a falar daqueles acrílicos vermelhos e azuis que se punham em frente ao ecrã), hoje há que coá-lo! E, por entre essa finíssima farinha que passa pelo pano de linho, delícia de gourmands de conteúdos de interesse, há o Family Guy, muita coisa da 2: e algumas edições do 60 minutos. Foi neste último que, no outro dia, de insónia a corroer afloramentos nervosos, pus os olhos sobre um puto, de que não sei o nome, pelo que será, Dora Avante, apenas Puto. Que nasceu com um vasto tumor cerebral. Que, entretanto, foi retirado. Ficou a cegueira, um autismo profundo e irreversível, a descordenação quase total dos membros e a ausência de força. Mas eis que, quando fez dois anos, o pai ofereceu-lhe um orgão. E, para surpresa de todos, o Puto tornou-se um prodígio. Alvo de estudos científicos, também. Ninguém consegue explicar o fenómeno. Hoje, com 15 anos, é um pianista irrepreensível do ponto de vista executante. Ouve, por exemplo, pela primeira vez, uma peça de Rashmaninov com 20 minutos. Espera que esta termine, senta-se ao teclado e executa-a, na íntegra e sem qualquer falha. Uma precisão de relógio alpino. Mas sem paixão na expressão. Como um robot. Demasiado perfeito para ter sentimentos. Tem centenas de peças compostas. O piano é tudo na sua vida. Mas não consegue explicar o que sente quando toca. Não consegue dizer que, ali, falta um Fá. Tem de mostrá-lo tocando-o. Não sabe ler uma pauta. Não é sequer capaz de, pasme-se, apertar atacadores. A coordenação entre o cérebro e a destreza dos seus dedos só estão direccionados para um teclado.

Pensei nisto dias a fio.
Algo não está bem neste mundo!
Mas, depois, fez-se luz...

... Não conheço um só fã de Coldplay que não saiba apertar atacadores!

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Ainda a Música - A Marta

O que dizer de Martha Wainwright e do seu álbum I Know You're Married But I'Ve Got Feelings Too???
Em primeiro lugar, que é irmã do outro. Pronto. Um ponto a favor.
Depois, que o disco é girito. Não surpreende. Não dá calafrios na espinha, como os do Rufus. Tem poucos momentos de rasgo, sim.
Ou não?
O que dizer da sensibilidade musical, da inteligência, da genialidade de quem escolhe isto para cover???

SER PORTUGUÊS É...

... Ter sapatos de vela e não ter um veleiro mas nunca andar de chuteiras e ter 36 bolas de futebol em casa!

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Essas Calças Com Esses Ténis e Casaco???

É das piores coisinhas que me podem dizer!
Se eu quisesse andar igual aos outros todos, faria por isso...
Se tivesse 16 anos, por exemplo, teria de ser o ÚNICO GAJO com as calças no fundo da peida!

terça-feira, janeiro 06, 2009

Aqui Vai Disto / There Goes Of This

Ainda agora fiz a minha lista dos Melhores de 2008, que pode ser vista aqui, e já há que retocá-la.

Em primeiro lugar porque, no início, achei que deveria incluir, aproveitando o mote dado pela Radar, uma secção Desilusão do Ano.
Acabei, no entanto, por achar que o Day & Age dos The Killers deveria ser apagado dos registos da História da Música, quanto mais referido, fosse onde fosse.
Depois, porque o Tonight: dos Franz Ferdinand só foi oficialmente lançado em Janeiro de 2009, o que me concede um ano inteirinho sem ter sequer de falar nos cagões.
Falta-lhes Muito que, em música, é Tudo.

Quero, pois, referir-me a Sufjan Stevens. E não, não estou atrasado. Não tem a ver com nenhum dos seus álbuns, desde o A Sun Came, de 2000, ao Presents Songs Of Christmas de 2006. Tem MESMO a ver com o nome do senhor, que figura, como colaborador/produtor, no Welcome To The Welcome Wagon, dos Welcome Wagon, edição oficial a 9 de Dezembro de 2008. Deveria, pois, figurar na lista supra citada. E nem sequer ainda sei em que lugar. De momento, estou ainda na fase de pele de galinha com pianos, pianolas, banjos, contrabaixos, guitarras acústicas, semi-acústicas, eléctricas, em slide, ukeleles, coros masculinos e femininos, barítonos, tenores e falsetes, xilofones, violinos, violoncelos, rabecas, trombones, trompetes, tubas e saxos numa vertigem ora pastoral ora urbana, uma montanha russa de blues e gospel e pop e rock e lounge e classicismo qb para que sensibilidades mais despertas possam ter, a partir de agora, dois a três meses de puro desfrute, sem ter que correr, incansavelmente, em busca de novidades nos escaparates da FNAC e seus Preços Mínimos Garantidos.

sábado, janeiro 03, 2009

Carta para abrires aos 16...

Chamei a mim o poder de não te deixar uma Cápsula do Tempo, aquela coisa parva dos recortes de jornal do dia em que nasceste e outras palermices americanóides que no meu tempo já só para alguns faziam sentido, quanto mais para ti, que lerás isto num tempo em que os EUA serão, historicamente, um percalço da Humanidade.

Parto da certeza que, sendo aquilo que és hoje, apenas mais velho, serás um homem inteligente, alegre, sorridente, bonito.
Terás a mesma luz que te envolve e que, agora, leva até ti uma imensa horda de desconhecidos que, quando vais pela mão, te abordam com as perguntas do costume, que todos acham, por alguma estranha razão, que se devem colocar a petizes Como te chamas ou Que idade tens, mas que tu, desconhecedor de conversas de circustância, evitas com respostas pertinentes às questões que achas, essas sim, seriam bem mais interessantes Hoje tenho umas cuecas com aviões ou Comi tudo e as bolinhas verdes também.
No início, pensei que era a baba de pai.
Não é.
E que fosse.
Terás, nesse sorriso e no poder de a ti chamares outros, desde que sinceros e incondicionais, mais que um proveito, uma missão.
Usa-o para a concórdia.
Armoniza todos os que te flanqueiam projectando-o.
Colherás frutos.
Mas só mais tarde.
Sê pacientemente altruísta.
Os outros, sempre os outros.
A ti virá o Mundo que é proporcionares alegria.
Os outros, sempre os outros.
Ama-os a todos, por igual.
Descobre a fantástica galáxia que cada um traz consigo, toda uma constelação de emoções nesse céu que nos cobre a todos.
Sê apenas um satélite de todos esses planetas.
E felicita-te por isso, a mais não ansiando.
Nada neste mundo se iguala ao teu sorriso.
Sim, acho-o porque sou teu pai.
Mas isso incute tal verdade à afirmação que não tens como duvidar.
E é apenas disso que precisas.
Acreditar no teu próprio sorriso.
Crer que ele muda algo.
Muito.
Tudo.
Mudou-me a mim.
E se não me tornei num Melhor Homem, a culpa foi só minha.
Delego agora a missão.
Aceitas?
Se sim, dá-me esse beijo de boas-noites como quando eras pequeno, e eu saberei que leste esta missiva.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Free Advice 4 a Better 2009

1. Não acredites em verdades sem lirismo

1a. Melhor a mentira desde que a cantar

2. Não confies em pessoas com hircismo

3. Não te encolhas se tens de mijar