quarta-feira, agosto 31, 2005

As Leis do Karma

Se há quem descure, por opção própria ou mera ignorância, a sabedoria popular, o que dizer do singelo ditado "quem semeia ventos colhe tempestades" ao observar os efeitos do furacão Katrina nos E.U.A.?
E que tal "Deus escreve direito por linhas tortas"?
Quiçá "Se tens telhados de vidro não atires pedras aos do vizinho".
Ou mesmo "Não cuspas para o ar que te pode cair em cima"...
Se estas frases, por serem da autoria de pastores, lavradores, rendeiras de bilros ou mesmo donas de casa são "uncool" qb, podem sempre adquirir um livro qualquer que fale das leis do karma, pelas edições Pergaminho, disponível num posto de abastecimento perto de si!

terça-feira, agosto 30, 2005

O Grande Embuste

Até a peça de teatro vi, com todo o gozo e júbilo a que me obrigava o amor que nutria por aquilo que para mim não era um livro. "História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar" era um objecto de culto. Não mais que "O Velho Que Lia Romances de Amor", não menos que "Patagónia Express". Havia em tudo aquilo o mesmo sangue quente que confere à literatura dos países latinos e/ou africanos aquela tepidez que em latitudes mais cimeiras não se atinge. Ficam-se abaixo. O Equador é, na literatura, o traço vermelho que indica os 0ºC no termómetro! O Marquez, o João Ubaldo Ribeiro e mesmo o Buarque, com o seu "Estorvo", estão acima da linha. Hemingway, Capote, Kafka, estão lá, mais ou menos nos -10ºC. Bons, mas demasiado desprendidos daquela humanismo que desmascara os Homens. E isto só uma buganvília contra um muro branco permite. Pano de fundo: um mar azul... e não o cinza do Báltico.
Sepúlveda passou-me, durante anos, a mão na face. As causas perdidas eram também as minhas. Até que, um dia, numa sessão de autógrafos no El Corte Inglés, os ideais que julgava partilhados, ali, por quem tanto escreveu sobre o Greenpeace, levaram-me a dizer-lhe, olhos nos olhos que, "Sr. Luís Sepúlveda, está a travar conhecimento com um dos seus públicos mais fiéis num dos únicos dois estabelecimentos lisboetas que vendem, impunemente, peles de animais"! Ele olhou para mim com a mesma antipatia com que o fizera para todos os que já haviam solicitado autógrafos e eu tirei-lhe das mãos, a tempo de não ser conspurcado, o "Nome de Toureiro".

segunda-feira, agosto 29, 2005

Ilha das Flores, 19 Maio 2005

Um dia na vida
Aquela que se quer
plena, intensa, bem vivida
nunca se poderá ter

sem um ocaso no Pico
um beijo na pombinha
um copo de angelica
ah... e que cabeça a minha
um abraço forte
desse lavrador honesto
mas com ar de maltês

que relembra essa benção:
Ser Pequeno Grande Homem,
semear o que outros comem,

Ser português

terça-feira, agosto 23, 2005

Tenho Um Segredo...

...que é uma Jacarandá.
Não é nenhuma das do Largo do Carmo, mortas de desprezo por todos os que ali passam ignorando o perfume a outros tempos, quando o Convento das Carmelitas era bem mais que uma ruína avistada do Rossio.
Não é nenhuma das do jardim de Santos, enfezadas da dor de não conceder sombra a ninguém.
Não é nenhuma à Estrela, à sombra de outras tantas de tantas outras espécies.
Não é nenhuma das que se têm como nada de especial, porque cada vez mais os homens olham para estas como algo inerte, ignorando que podem ser altivas, tristes, frondosas, alegres, malditas, abençoadas ou tão somente árvores, termo tão redutor para algo tão belo.

É a solitária que, na avenida que vai da Ponte para Alcântara teima em florir todas as Primaveras. Vista lá de cima nada mais é, se isso não for tudo, que uma espectacular explosão de púrpura.

Transmitida em directo do Clube Recreativo Verde Atlantico da Sobreda de Caparica...

...o glamour, a acção, todo um Portugal de olhos postos nos ecrãs...
...mais uma cerimónia de atribuição dos Troféus Tamboril Dourado em Cataplana de Cobre Sobre Vidro Martelado...
...apresentado por Óscar Tobias J&B Adolfo Dias!!! (bater palmas como se não houvesse um amanhã)

(Óscar Romero e Felícia Cabrita segurando um envelope). E o Exm.º Juri presidido por Ondina Hepaminondas de Cunha e Sá Sotto Mayor, presidente da Comissão de Avaliação da Enésima Tentativa de Alcance do Recorde do Guiness de Empurrar uma Azeitona com o Nariz Durante Mais Quilómetros ditou:

Prémio Penteado Ridículo: Ex Aequo - Marante e todos (sem excepção) os Dzert
Prémio Cabeça Desproporcional ao Corpo: José Rodrigues dos Santos
Prémio Pior Vinho de Sempre e Por Ser o Mais Conhecido no Estrangeiro Deita Abaixo Qualquer Hipótese de Vingarmos no Mercado: Ex Aequo - Mateus Rosé e Porta da Ravessa
Prémio Embuste do Ano: Os The Gift e Secretos de Porco Preto
Prémio Gostas Mesmo de Passar Vergonhas ao Fim da Época: Os Indomáveis, do Sporting
Prémio Cara de Múmia do Tutankamon: Petit
Prémio Lembram-se do Aspecto dos Destroços do Cessna Onde Seguia o Sá Carneiro?: Sá Pinto
Prémio Bud Spencer: Jorge Costa
Prémio Pipi das Meias Altas: Liedson
Prémio Kalimero: Santana Lopes
Prémio Qualquer que Seja a Novela, Faço Sempre o Papel de Mim Próprio: Virgílio Castelo
Prémio A Mim Não Me Enganas, Minha Beta, Que És É Uma Loba A Abafá-los Com O Rabo: Serenetta Andrella
Prémio Tenho Fissuras No Ânus Mas Valeu A Pena: Paulo Portas
Prémio Bem Exprimido, o Meu Cabelo Dava Para Fritar Um Quilo De Batatas: Fernando Alvim
Prémio Sou Tão Cómico Como Um Filme Do Manuel de Oliveira: Nuno Markl
E Finalmente, Um Orangotango Paraplégico faz Melhor Figura Em Público: Bárbara Elias

Obrigado!

segunda-feira, agosto 22, 2005

"Intas"

Chegado que sou, há já alguns meses, aos trinta, não consigo perceber o alarido em torno dessas idades "complicadas" que correspondem à adolescência!

sexta-feira, agosto 19, 2005

Hora Mezzo

Há pessoas com quem não se tem nada em comum. Há outras com quem tanto se tem que até irrita! Outras há que, devido à pouca convivência, apenas sabemos ter em comum o assunto que se aflora de cada vez que nos cruzamos, ora nos corredores do bunker, ora em concertos. Falo, pois claro, de Música, assim mesmo, com M maiúsculo, para que o muito que é possa nunca parecer pouco!
No meio de uma tal ligeira troca de impressões e opiniões, uma coisa leve, inconsequente, ouvi: "O nome do álbum dos Kings Of Convenience, Quiet Is The New Loud, poderia muito bem definir o Anthony And The Johnsons".
E a genialidade desta afirmação não me sai da cabeça!

quinta-feira, agosto 18, 2005

Parabens!

A Kaui faz anos hoje.
A Kaui tem olhos azuis, queixo fino, dentes direitinhos e uma pele alva.
Tem cabelo liso, mãos finas, daquelas que agarram nas coisas com o cuidado dos ourives e cheira sempre a pantufas, como os gatos. Lembro-me da Kaui a saltar de pijama num quarto cheio de gente, em cima da cama, a cantar uma coisa estranha. O José Hermano Saraiva estava no andar de baixo. Lembro-me da barriga da Kaui, cor-de-rosa, alimentada a quilos de tudo o que encontrava pela frente. Sei que cora com elogios. Sei que tem um coração grande, grande. Sei que o Gui tem a melhor mãe do mundo. Sei que lhe devo metade das coisas boas da vida. O que é muito!

"Cheirava a pele queimada"



Até ao passado dia 6 de Agosto decorreram 60 anos sobre aquilo que considero ter sido o dia mais negro da História Universal.
Os americanos continuam sem pedir desculpa porque sempre legitimaram aquela manhã na cidade de Hiroshima com o ataque a Pearl Harbour.
Pessoalmente, tenho que uma nalgada bem mandada naquela idade em que os putos têm a mania que são mais espertos (e tantas nalgadas o mundo deve aos EUA) é muito diferente daqueles aviamentos de mão fechada, cinto e tudo o que vier à mão, requerendo de seguida uma visita às urgências do Dona Estefânia e dando azo à primeira página do Correio da Manhã e um "Boa noite, eu sou a Manuela Moura Guedes" com aquele ar trágico que só a boca-de-tamboril consegue fazer.
Uma desculpa-se!
A outra não tem perdão!

terça-feira, agosto 16, 2005

Sende Temente a Deus, s.f.f.

Venho de um casamento do Fundão (aí vem a imagem que a tantos acomete quando se ouve este nome: um queijinho já sem tampa e com uma colherita lá dento) e em termos de comida, bebida e divertimento foi o melhor da minha vida.
Apenas fiquei mais curioso em relação à Igreja Católica! Nomeadamente, em relação a uma música que cantaram para ali, cuja letra - e título, acho - continha "Feliz aquele que teme o Senhor".
Mas que merda é esta? É tipo "eu gosto muito do papá mas ele dá-me com o cinto" ou "eu até gosto do meu marido mas ele tem um balde de areia da praia ao lado da cama onde esfrega o pénis antes de me penetrar no ânus" ?
Que sentido faz uma religião quando se tem medo da divindade?
Fariseus de merda, pá!