quinta-feira, agosto 11, 2005

Dedicado a Kaui

Ao som de violinos tocados por quem nunca o fez e de um Lou Reed magérrimo, com 11mg de heroína no bucho: "shinny, shinny... shinny bits of leather..."

- Não te disse já que não os queria cozidos? - bradou tão violentamente que a jovem mulher tremeu.
- Mas Sevtshu, querido... - respondeu ela, receosamente.
- Não me chames Sevtshu! - gritou ele. - Deves obedecer, obedecer, percebes?
Severin agarrou com um puxão o cnute (chicote russo) que estava pendurado num prego, ao lado das suas pistolas. A bela mulher fugiu da sala, assustada, fazendo lembrar uma corça.
- Espera só até te apanhar! - Gritou na direcção dela.
- Severin - disse eu, pondo a mão no ombro dele. - Como podes tratar dessa forma uma pequena tão bonita?
- Olha bem para ela - replicou, piscando o olho bem-humoradamente. - Se a tivesse elogiado, rapidamente me poria uma corda em volta do pescoço. Assim, educando-a com o cnute, adora-me.
- Ah, pois, pois...!
- Pois, sim senhor! É assim que se educam as mulheres."

in "Venus Em Peles", Leopold Von Sacher-Masoch"

terça-feira, agosto 09, 2005

Alice no Outro Lado do Espelho

Se há obras passivas de alterar a percepção deste mundo, pondo em causa tudo o que hoje em dia é editado (o que não significa que não andem nas bancas coisas bem divertidas - leiam, por favor, meus amigos, o "Sei Lá" e o "Pessoas Como Nós", é rir à parva até à descompensação do esfíncter da imbecilidade mediocramente redigida -), ele há, não me canso de referi-lo, o "Mil Novecentos e Oitenta e Quatro".

Assim, como bom aluno do Professor George Orwell, resolvi um exercício da seguinte forma:

1 - "Teerão anunciou segunda-feira a retomada de actividades nucleares sensíveis", in Diário Digital, 09 de Agosto 2005.

2 - "Os Fideputa dos Américas (sim, GENERALIZANDO) estão com ganas de mandar mais umas doses de carne para canhão (leia-se acém porto-riquenho, secretos de preto-porco, iscas de cubano da Flórida e chouricitos de paquistanês) para o Irão e dar uns tirinhos com urânio empobrecido que é para as gerações futuras nascerem com braços na testa, que tem mais piada que um tiro na carola", in Tola de Alguém que não seja IDIOTA!

quinta-feira, agosto 04, 2005

My Friend Barradas

A minha amiga Barradas tem uma loja verde-alface.
Não concebo outra cor para ela.
Talvez laranja ou azul, mas sempre com um sorriso no meio.
Barradas e sua loja teriam de ter sempre um largo sorriso nos lábios da cor!
E folhinhos!
Em frente, do outro lado dos carris que rasgam a Bica há um século, há um café de caboverdianos com música, chamuças e caracóis que deixam um cheiro estranho nos dedos.
Ainda não sei qual a cor deste café, não o conheço tão bem, mas também tem sorrisos, como tudo o que esteja em frente à minha amiga Barradas.
Entre ambos os estabelecimentos, o verde-alface e o incolor, passa o elevador amarelo, daquele que fica bem.
Fica bem porque dá com o verde-alface, porque passa em frente à Barradas, como eu!
De cada vez que estou cinzento, abro o peito ao sorriso da Barradas e fico bem.
Barradas tem uma rosa em cada maçã do rosto e um sorriso quentinho!

quarta-feira, agosto 03, 2005

Binde debagar de Paris da Francha

Agosto! Chegaram as matrículas amarelas! "Jean-Piérre, anda cá, víte"! Gajas mal vestidas com mania que são irresistíveis, pesem embora os hábitos de higiene adquiridos por lá, ou seja, parcos! Adolescentes com fatos de treino à hip-hopper, de buço franzido pelo beicinho que fazem por ter de aturar a inevitável observação dos familiares: "Tão graaaaande... e tão maaaagro... come aqui uns torresmos e um toicinho"! Tunnings, aillerons, spoilers traseiros, o último sucesso do Toni Carreira distribuído pelas 8 colunas do Celica do Imprenza, do Golf!
Queria emigrar! A razão é simples: No tempo do Magro da Penca, emigrava-se porque "uma sardinha tinha de dar para cinco". No entanto, o meu pai, o grande Zé Dias Que Nunca Emigrou, deu-me uma licenciatura na privada, uma carta de condução, a entrada para um apartamento e um casamento. A minha irmã vai pelo mesmo caminho! E quem não conviver com a hipocrisia convirá que não se auspicia o mesmo para os nossos filhos. Neste Estado que herdámos, não há lugar ao futuro!
Há, contudo, vergonhas piores que morrer de fome!
Senão, topem esta pérola:

"Imigrante vem devagar por favor,
temos muito tempo para lá chegar
e depois, lá diz o velho ditado:
Mais vale um minuto na vida,
do que a vida num minuto."

Passou-se no mês de Agosto,
este drama tão cruel
de um imigrante infeliz
Foi tanta a pouca sorte,
na estrada encontrou a morte
quando vinha ao seu país
Do trabalho veio a casa,
preparou a sua mala
e partia da Alemanha
Mas seu destino afinal
acabou por ser fatal
numa estrada em Espanha
Dizem aqueles que viram
que ele ia tão apressado
a grande velocidade
Foi o sono que lhe deu
o controlo ele perdeu
desse carro de maldade

Foi o sono que lhe deu
o controlo ele perdeu
desse carro de maldade

Trazia na sua mente
ir ver o seu pai doente
que estava no hospital
Na ideia um só pensar
o seu paizinho beijar
ao chegar a Portugal
Mas tudo foi de repente
partiu de Benavente
o drama aconteceu
Ele vinha tão cansado
de tanto já ter rolado
e então adormeceu
Nada podendo fazer
num camião foi bater
e deu-se o choque frontal
Seu carro se esmagou
e desfeito ele ficou
num acidente mortal

Seu carro se esmagou
e desfeito ele ficou
num acidente mortal

Ele não vinha sozinho
trazia também consigo
sua mulher e filhinho
Sem dar conta de nada
e naquela madrugada
morrem os três no caminho
Quando a notícia chegou
no hospital alguém contou
o desastre que aconteceu
Seu pai que tanto sofria
nunca mais o filho via
fechou os olhos morreu
Imigrantes oiçam bem
não vale a pena correr
porque pode ser fatal
Venham todos devagar
há tempo para cá chegar
e abraçar Portugal

Venham todos devagar
há tempo para cá chegar
e abraçar Portugal

Graciano Saga - Vem Devagar Imigrante

quinta-feira, julho 28, 2005

Nem os celtas...

O IRA acaba de anunciar o fim da luta armada!
Deve ser duro ter o trabalho de organizar um atentado no metro de Londres e ver a Máquina de Desinformação atribuí-lo à Al Qaeda, como aconteceu em Madrid em relação à ETA e como continuará sempre a acontecer enquanto houver alguma utilidade em direccionar o ódio global contra os árabes!

terça-feira, julho 26, 2005

GENOCIDIO e os problemas com a terminologia

Em 1994, só uma igreja no Ruanda sepultou largos milhares de Tutsis que pereceram às mãos do ódio cego tribalista dos Hutus (leia-se catanas, facas, cutelos, barras de ferro, paus, mocas, estacas afiadas. Não rezam testemunhos de uma só arma de fogo que concedesse uma morte indolor). Na altura, tal como agora, quando tudo isto volta a espelhar-se no Sudão, o Concelho de Segurança das Nações Unidas acusou uma inacção semelhante à de um octogenário olhando para uma balzaquiana prostrada sobre lençóis de cetim! Nestes termos, e para que as coisas sejam compreendidas pelo mais leigo, a falta de Viagra foi tão somente o facto de, tendo sido o termo genocídio criado aquando da morte de seis milhões de judeus, a organização pop-xunga com sede em Nova Iorque temeu melindrar os semitas. Considerar os poucos MILHÕES brutalmente assassinados no Ruanda e Sudão como sendo genocídio incorre no risco de vulgarizar o holocausto. E depois...bem vistas as coisas... são SÓ pretos!

Rescaldo do encontro com Broda Man, na Barata de Campo de Ourique

Bem-aventurança é ter
tempo para os outros e conseguir ser
mais deles que de nós próprios
Altruísmo é egoísmo, está bom de se ver

se pensado, intentado, intencional
não conta. Se visceral,
Do fundo da luz de cada um
Agostinho da Silva, homem comum
É não ver um amigo e passar mal por isso!

Vê-lo e regozijar num abraço explosivo
Quase chorar. O júbilo. O riso efusivo
Onde vai o preconceito
agora, que tudo transborda
Tudo de bom no mundo aflora
Amigo, amigo, amigo

sexta-feira, julho 22, 2005

Aaaaoooouuuuummmmmm...

Querer aspirar a mais
é tão pecaminoso
quão mais vergonhoso
é viver entre animais

Profanos, estes trapos humanos
estagnam em ideais profanos
como lagoas fétidas, fecais
envergonham-me ao partilhar
raça, credo, testa ao altar
e tontarias que tais

Não quero! Quero mais
e de tanto, tanto querer
mais não quero que morrer
entre humanos anormais

quinta-feira, julho 21, 2005

Ai querem surpresas?

Se há coisa maravilhosa neste mundo é a interacção cultural. Morar na Sobreda de Caparica, lieu de retornados, deslocados e refugiados permitiu-me, desde a minha infância, comer muambas com funge, cachupas refogadas com um ovinho estrelado por cima, assistir a conversas ao balcão do tasco, ao som de "Maria Bárbara" do Travadinha, aprender a dançar com maneio de anca bem encostadinho e sentir o cheiro a canela que emana a pele duma goesa. Dos muitos momentos que guardo em cadernos (neste caso, no "Tim Tim - Objectivo: Lua"), é-me ainda possível, depois de relê-lo, ver o velho Chibanga, sempre bêbedo, sentado na mesma cadeira de vime à sombra do damasqueiro, falando para mim e todos os meus então púberes amigos, acerca de como a mulher luena, no Alto Zambeze, enclave de Cazombo, é a melhor moça angolana. A explicação é simples: ao contrário de quase toda a África muçulmana, onde as mulheres amputam o clítoris durante o Fadado, as damas da tribo luena circuncidam este orgão. Retiram a pele - prepúcio - que o envolve e que faz com que muitas mulheres - tal como os homens não circuncidados - tenham menos prazer. Depois, dedicando-se ao onanismo - masturbação - exercitam-no por forma a crescer. À altura de estarem casadas, muitas têm um clítoris que quase cobre a vagina! Hoje em dia, devido à proibição da excisão por parte das Nações Unidas, muitas destas mulheres estão condenadas a ter APENAS o prazer que têm as ocidentais. E há quem diga que já não têm o mesmo maneio de ancas!

Enfim, O tema!

1. GAIJAS do meu Portugal, uni-vos em torno desta temática que vos porá (A ALGUMAS), a pensar seriamente. Tal como eu já havia suspeitado, poucas mas algumas vezes, ele há mulheres que EJACULAM!

2. Até parece que já estou a ouvir as risadas das descrentes, mas também alguns (poucos) sorrisos cúmplices.

3. Pois é, agora a "punchline" direccionada para quem acha que isto não é verdade (meninas com alcunha de Madalena Shláp Shláp porque lubrificam em demasia não contam. Estou a falar de golfadas que resultam em manchas enormes se na cama e poças se no azulejo do chão): Nos anos 50, mulher que dissesse que havia orgasmo feminino era louca! Ou puta!

Embrulhem!

Ou mudem de homem!



Cá me cheira que este post vai dar azo a um livro de alfinetadas!