Uma idosa cede lugar à prenhe
Uma gorda atraente... e porque não?
Um chinoca lê o jornal, que estranho
Um puto bezunta atira o papel ao chão
Um louco caminha sobre o traço amarelo
Passa um cão com doença no pêlo
Abandonado? Talvez...
Amanhã estará aqui outra vez
Tanto óleo no cabelo, aquele
Ao lado, a do brilho na pele
ainda que o céu de chumbo, sol ausente
roube a cor a toda a gente
Aquela de saco na mão
levará talvez a merenda
E aquele, com o embrulho pardo
para quem será a prenda?
Tantas vidas se cruzam
de manhã, alegrias tão raras
não o são corpos lindos, belas caras
decotes em camisas que já não se usam
Uns fumam, outros acham mal
coisa outrora tão banal
O ar é de todos, bem sabemos
De olhos no chão pouco vemos
neste andar aqui insulso, mau de sal!
Todos queremos qualquer coisinha
vida tua, vida minha
normalidade a quanto obrigas
Nascer, comer, dormir
acordar, descender, ascender
Trabalhar, correr, parir,
Cuidar, enfim, morrer!